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	<description>O Segredo da Sra Greey</description>
	<pubDate>Mon, 05 May 2008 12:58:06 +0000</pubDate>
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		<title>O Segredo da Sra Greey - 10º Capítulo / 2ª Parte</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 03:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[O Segredo da Sra Greey]]></category>

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		<description><![CDATA[10 Capítulo - 2ª Parte
Acordei quase às 8h da manhã, levantei rápido, tomei um bom banho e, em
seguida, fui arrumar a minha mala.
Ao passo que ia colocando e ajeitando minhas roupas na mala, ficava
olhando a casa do lago através da janela. Pelo cheiro que invadia o meu
quarto, a Sra. Greey já havia queimado suas essências [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>10 Capítulo - 2ª Parte</strong></p>
<p>Acordei quase às 8h da manhã, levantei rápido, tomei um bom banho e, em<br />
seguida, fui arrumar a minha mala.<br />
Ao passo que ia colocando e ajeitando minhas roupas na mala, ficava<br />
olhando a casa do lago através da janela. Pelo cheiro que invadia o meu<br />
quarto, a Sra. Greey já havia queimado suas essências florais. Fiquei<br />
vigiando para ver se a via, mas ela devia ter saído, pois eu não a via em<br />
nenhum lugar. Terminei de arrumar minha mala e fui tomar café.<br />
Enquanto saboreava o meu delicioso e último café da manhã na<br />
pousada, pensava na conversa que havia tido no dia anterior com a Sra.<br />
Greey. Fiquei me lembrando sobre o assunto do cheiro do suor após o<br />
sexo e também sobre a minha possível filha. Acho que fiquei meio<br />
impressionado com essa conversa!<br />
Josephe aproximou-se e conversamos um pouco. Falamos sobre<br />
vários assuntos e depois ele me disse que eu era um ótimo hospede.<br />
- O senhor não dá trabalho nenhum. Muito pelo contrário, fiquei<br />
até preocupado porque o senhor solicitava pouco os serviços da recepção.<br />
No começo, achei que o senhor não estava gostando da pousada -<br />
desabafou o gerente.<br />
- Sou assim mesmo, Josephe. Quando viajo, passo a maior parte<br />
do tempo na rua. Aliás, até mesmo quando estou no trabalho ou mesmo<br />
em casa, fico muito pouco tempo parado. Estou sempre me<br />
movimentando.<br />
Conversamos mais um pouco e eu disse a ele que, antes de partir,<br />
eu gostaria de dar mais um passeio pela pousada. Deixei minha mala<br />
com ele e fui até a casa do lago. Quando estava me aproximando da<br />
casa, vi alguns carros estacionados na porta da casa da Sra. Greey e<br />
três homens, que aparentavam ter 40, 50 e 60 anos, cada um, abraçados<br />
com ela. Mais adiante pude ver que Samuel e Daniel também<br />
observavam os quatro. Eram os filhos da Sra. Greey. Suas esposas, os<br />
netos e bisnetos da Sra. Greey também estavam lá. Eu fiquei<br />
emocionado e feliz por saber que minha conversa com Fernando, um<br />
dos filhos de Sra. Greey, na noite anterior, havia dado resultado. Foi<br />
para casa dele que pedi a Samuel que me levasse depois que deixei<br />
Rose e Daniel em casa.<br />
Os filhos e netos de Sra. Greey começaram a se acomodar na casa<br />
do lago e as crianças a brincar do lado de fora. A Sra. Greey me viu de<br />
sua varanda. Ficou me olhando e se despediu de mim, levando a mão<br />
no coração e, depois, me mandando um beijo carinhoso. Eu repeti o<br />
seu gesto e não contive as lágrimas. Senti-me como se tivesse cumprido<br />
minha missão em Florentis.<br />
Voltei para a pousada, despedi-me de Josephe e de todos os<br />
funcionários que estavam na recepção. Depois fiquei esperando na<br />
varanda da pousada. Uns cinco minutos depois, Samuel chegou com<br />
Daniel. Fui em direção a eles e, quando me aproximei, Daniel pulou no<br />
meu colo e me deu um abraço tão apertado&#8230;! Depois ele me olhou e<br />
falou:<br />
- Sr. Peter, obrigado por ter conversado com o filho da Sra. Greey.<br />
Foi emocionante o encontro deles.<br />
- Nós estávamos conversando com a Sra. Greey, quando ouvimos<br />
o barulho do primeiro carro chegando. A Sra. Greey pensou que era a<br />
Selena Iasmaya, mas quando ela viu seu filho Fernando sair do carro,<br />
não sabia se sorria ou se chorava. Logo depois, mais dois carros<br />
chegaram. Eram os outros dois filhos da Sra. Greey, Frederico e<br />
Francisco com suas respectivas famílias. E os netos casados da Sra.<br />
Greey também vieram com os bisnetos dela - comenta Daniel. Ela<br />
ficou paralisada só olhando para seus filhos. Quando Fernando se<br />
aproximou da varanda, ele olhou para a mãe e falou: &#8220;Mãe, ontem à<br />
tarde, senti o seu cheiro e me deu uma saudade tão grande da senhora!<br />
Desculpe-me se deixei de te ver esse tempo todo. Eu queria que a<br />
senhora soubesse que continuo lhe achando a melhor mãe do mundo!&#8221;.<br />
A Sra. Greey começou a chorar e seus outros filhos também se<br />
aproximaram e a abraçaram! O senhor precisava ver a cena. Foi linda!<br />
E Daniel continuou a contar emocionado como se deu o reencontro<br />
da Sra. Greey com seus tão amados filhos, a quem ela não via fazia anos.<br />
- A Sra. Greey acariciou o rosto deles e pediu desculpas a eles por<br />
também não os ter procurado. &#8220;Fui orgulhosa demais. Eu amo vocês<br />
meus filhos e vou amá-los para sempre!&#8221;, ela disse.<br />
Assim que acaba de relatar como tudo aconteceu, o garoto cai no<br />
choro. Samuel não se contém e também começa a chorar.<br />
Daniel fala mais um pouco sobre a chegada dos filhos da Sra. Greey<br />
e assim que o menino termina a história, Samuel nos lembra que é hora<br />
de seguir para o aeroporto.<br />
Daniel diz que quer ir na frente comigo. Eu digo a ele que não é<br />
permitido crianças viajarem na frente e que, por isso, ele precisa se<br />
acomodar no banco de trás do carro. Desconsolado, ele faz uma carinha<br />
de decepção, eu acabo me rendendo e vou atrás com ele. O menino<br />
segue todo o percurso até o aeroporto abraçado comigo.<br />
Samuel, em tom de brincadeira, fica encarnando no garoto dizendo<br />
que está com ciúmes. O menino nos surpreende com um de seus<br />
comentários:<br />
- Quando eu crescer, quero ter um pouco da essência de Samuel e<br />
um pouco da sua, Sr. Peter, para me tornar um grande homem e não<br />
decepcionar os meus filhos, assim como meu pai me decepcionou. Fala<br />
em tom de desabafo.<br />
Eu e Samuel nos olhamos pelo espelho retrovisor impressionados<br />
com o que acabáramos de ouvir e eu disse a Daniel que ele já era um<br />
grande homem, pois era um bom filho e um bom amigo. Samuel<br />
confirmou minhas palavras.<br />
Conversamos bastante durante o caminho. Paramos para fazer um<br />
lanche rápido e seguimos até a cidade vizinha, na qual ficava o aeroporto.<br />
Ao chegarmos, Samuel e Daniel seguiram comigo até o guichê da<br />
companhia aérea e, em seguida, nos dirigimos ao setor de embarque.<br />
Esse foi um momento muito difícil, porque Daniel começou a chorar.<br />
Ele não queria que eu fosse embora. Eu o peguei no colo de novo e<br />
disse:<br />
- Daniel, um dia eu vou voltar e quero te ver bem sadio, estudando<br />
e ajudando sempre as pessoas, ouviu?<br />
O garoto, com lágrimas rolando em sua face, falou:<br />
- Vou sentir saudades! Samuel é como um pai para mim, mas<br />
durante o tempo que o senhor ficou aqui conosco, também foi um<br />
pouco pai para mim.<br />
Eu sorri e disse que ele também ficou sendo o meu filhinho torto.<br />
Não só naqueles dias, mas para o resto da minha vida! Ele me abraçou<br />
mais uma vez e nos despedimos.<br />
- Até um dia, Sr. Peter! Tenho certeza de que vamos nos ver de<br />
novo! - falou o garoto. Em seguida, deu-me um beijo e desceu do meu<br />
colo.<br />
Olhei para Samuel, que também estava emocionado e lhe dei um<br />
forte abraço.<br />
- Obrigado, meu amigo! Obrigado por ajudar a Sra. Greey a voltar<br />
a sorrir -ele disse.<br />
Enquanto me despedia de Samuel, percebi que ele tinha dois<br />
envelopes em suas mãos: um grande e outro pequeno. Ao ver que eu<br />
tinha me dado conta de que ele teria algo para mim, Samuel sorriu e<br />
disse:<br />
- A Sra. Greey pediu que eu lhe entregasse esses dois envelopes,<br />
mas ela disse que era para o senhor abri-los somente dentro do avião.<br />
- O.K. Eu só irei abri-los quando estiver dentro do avião. Samuel,<br />
muito obrigado por tudo, mas antes de partir quero te pedir um último<br />
favor: cuide de Daniel e da Sra. Greey para mim.<br />
No dia anterior, eu já havia deixado os meus telefones com Samuel,<br />
para o caso de ele precisar de alguma coisa para Daniel. Samuel apertou<br />
minha mão, disse para eu ficar tranqüilo que cuidaria deles como sempre<br />
o fez. Depois se despediu me desejando boa viagem! Dei mais um beijo<br />
em Daniel e eles foram embora.<br />
A cada passo que dava, Daniel olhava para trás com os olhos cheios<br />
de lágrimas e eu com o meu coração partido em ter de deixá-lo. Dirigi-<br />
me ao balcão de embarque e depois fiquei aguardando a chamada do<br />
meu vôo. Fiquei olhando para os envelopes, mas decidi que só os abriria<br />
mesmo dentro do avião conforme a Sra. Greey havia pedido. Ouvi a<br />
chamada para o meu vôo e meu coração disparou. Deixar Daniel, a Sra.<br />
Greey e Samuel, foi um momento muito difícil para mim.<br />
Quando eu já estava dentro do avião, sentando em minha poltrona,<br />
eu olhava para os envelopes e não conseguia abri-los. Senti um certo<br />
receio de saber o que havia em seu conteúdo. Eu olhava para fora do<br />
avião e bem ao fundo, avistava o morro que dava na Floresta de Florentis.<br />
Resolvi abrir o envelope maior primeiro e levei um susto!<br />
A Sra. Greey havia pintado o rosto de minha mãe igualzinho ao que<br />
eu e Phill pedimos ao nosso amigo para pintar em nossas camisas para<br />
homenageá-la no Dia das Mães.<br />
Junto com essas duas pinturas havia um bilhete dela:<br />
&#8220;Sr. Sleiyver, desfaça-se dos objetos pessoais de sua mãe e de seu pai. As nossas<br />
maiores lembranças estão em nossos corações. Quanto às camisas, queime-as e jogue<br />
o conteúdo em qualquer árvore de alguma floresta.<br />
Um grande beijo no seu coração,<br />
Sra. Greey.&#8221;<br />
Fui às lágrimas mais uma vez! Nunca chorei tanto em minha vida!<br />
Sempre fui um cara durão&#8230; Depois que minha mãe se foi, só mesmo a<br />
Tia Joiyn conseguia me arrancar lágrimas com tanta facilidade.<br />
Depois de conter um pouco a emoção que estava sentindo, abri o<br />
outro envelope e parecia uma carta.<br />
Quando desdobrei o envelope, levei um susto ainda maior, pois se<br />
tratava de uma carta de minha mãe psicografada pela Sra. Greey.</p>
<p><em><strong>&#8220;Filho,<br />
Por que sentes tanta saudade de sua mãe? Eu fui muito amada<br />
por você e seu irmão e vocês foram muito amados por mim e seu pai.<br />
Fomos uma linda família, apesar do gênio difícil de seu pai. E,<br />
mesmo com o pecadinho que ele cometeu, o meu amor por ele<br />
permaneceu com a mesma intensidade.<br />
Você foi um filho maravilhoso! O filho que toda mãe quer ter.<br />
Gentil, educado, respeitador, bom filho e bom amigo de seus amigos.<br />
Eu fui muito feliz com vocês e acho que cumpri boa parte de<br />
minha missão, pois você e Phill se tornaram lindos homens com<br />
lindas essências.<br />
Filho, ninguém é perfeito. Eu, não era perfeita. Não procure na<br />
face de cada mulher que encontrar o meu amor e o de seu pai. Abra<br />
seu coração e deixe o amor entrar. Seja menos exigente, mais tolerante<br />
e compreensivo.<br />
E melhore um pouco o seu gênio, Sleiyver&#8230; Algumas vezes, você é<br />
arrogante com as pessoas; uma herança que, infelizmente, herdou de seu<br />
pai. Não sei se, às vezes, você age dessa forma para demonstrar autoridade,<br />
superioridade ou até mesmo para chamar a atenção de alguém.<br />
Você tem uma essência linda, filho! Será que ainda não notou<br />
que, mesmo com seu jeito meio durão, as pessoas te adoram? Sabe<br />
por quê? Porque o seu coração é muito bom e eles percebem isso por<br />
mais que você tente esconder.<br />
Sua vinda a Florentis não foi à toa&#8230; Você precisava se desarmar<br />
um pouco diante da vida. Sei que a rotina de um policial não é fácil<br />
e ao longo do tempo vocês se tornam frios. Mas com você foi diferente,<br />
pois mesmo demonstrando um lado durão, sua essência permaneceu<br />
e é sobre isso que eu quero que você reflita.<br />
Sleiyver, lembra daquela vez que o vizinho da frente, pai de<br />
seus amiguinhos, bateu neles com uma borracha de pneu de bicicleta<br />
e você ficou tão revoltado, mas tão revoltado, que tacou uma pedra<br />
no carro dele quebrando o vidro da frente? Lembra-se que seu pai<br />
ficou uma fera com você, mas não te bateu? E depois de alguns dias<br />
te levou para passear e vocês tiveram uma longa conversa sobre as<br />
famílias, na qual ele explicou que cada família tem que encontrar<br />
um caminho para que seus membros consigam se entender? E que<br />
cabia a cada um de nós fazer as nossas transformações interiores?<br />
Para você ver, nem sempre seu pai foi estúpido e grosseiro.<br />
Algumas vezes, ele também tinha bom senso. E quando queria,<br />
sabia conversar. E, apesar de todo o gênio difícil dele, nossa família<br />
tinha um grande amor e muita cumplicidade.<br />
Eu fiz questão de tocar nesse assunto para que não tivesse<br />
nenhuma dúvida de que é a sua mãe quem escreve pelas mãos da<br />
Sra. Greey.<br />
E o amor é assim, sem muitos mistérios, nós é que complicamos&#8230;<br />
Filho, eu amei muito você e seu irmão e irei amá-los para sempre!<br />
Seja feliz, Peter!<br />
Um grande beijo no seu coração e fique em paz!<br />
Celly&#8221;.</strong></em></p>
<p>Mais uma vez não pude evitar que as lágrimas me lavassem o rosto.<br />
Fiquei em silêncio por alguns minutos agradecendo à minha mãe por<br />
aquelas belas e sábias palavras. &#8220;Quanta saudade, mãe! Obrigado por<br />
trazer esse carinho do qual eu tanto precisava!&#8221;, agradeci mentalmente.<br />
&#8220;Eu também vou te amar para sempre!&#8221;, disse.<br />
Quando o avião decolou, olhei pela janela, avistei mais uma vez o<br />
morro que dava na Floresta de Florentis e agradeci a Sra. Greey por me<br />
mandar esse magnífico presente, a mensagem de minha mãe.<br />
&#8220;Obrigado, Sra. Greey! Muito obrigado!&#8221;.</p>
<p><strong>F I M</strong></p>
<p><span style="color: #800000;"><em><strong>Feliz Dia das Mães</strong></em></span></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O Segredo da Sra Greey - 10º Capítulo / 1ª Parte</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 02:52:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Capítulos]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[O Segredo da Sra Greey]]></category>

		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>

		<category><![CDATA[Perfumes]]></category>

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		<description><![CDATA[10 Capítulo - 1ª parte
A Sra. Greey continuou a me contar mais algumas particularidades
de seus filhos e, depois, começou a falar mais um pouco sobre o Sr.
Greey.
- O Sr. Greey nunca me chamou de velha e muito menos de
rabugenta. Ele costumava me chamar de Selena enfezadinha, quando
eu ficava irritada com ele, diga-se de passagem, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>10 Capítulo - 1ª parte</strong></p>
<p>A Sra. Greey continuou a me contar mais algumas particularidades<br />
de seus filhos e, depois, começou a falar mais um pouco sobre o Sr.<br />
Greey.<br />
- O Sr. Greey nunca me chamou de velha e muito menos de<br />
rabugenta. Ele costumava me chamar de Selena enfezadinha, quando<br />
eu ficava irritada com ele, diga-se de passagem, o que aconteceu poucas<br />
vezes. O Sr. Greey, ao contrário de muitos homens, amou cada ruga e<br />
cada imperfeição que nós, mulheres, vamos adquirindo com o passar<br />
do tempo.<br />
- Meu marido sempre me ajudou a cuidar das flores e das plantas&#8230;<br />
Depois de se aposentar, ele se levantava antes de mim, cuidava de todo<br />
o jardim, preparava o café da manhã e me acordava com um beijo e<br />
uma flor. Até hoje sinto o cheiro do meu marido. Ele me deixou marcada<br />
pelo resto da vida.<br />
Ela interrompeu suas lembranças por um momento e disse:<br />
- Sr. Sleiyver, sei que me acha velha demais para tocar em um<br />
assunto tão particular como esse que vou abordar agora, mas eu gostaria<br />
de lhe perguntar se alguma vez, ao se deitar com uma mulher, depois de<br />
fazerem amor ou sexo - como queira-, sentiu que o suor de vocês<br />
exalava um cheiro floral?<br />
Eu fiquei ruborizado com a pergunta da Sra. Greey e respondi muito<br />
envergonhado que nunca havia sentido esse aroma ao qual ela se referia.<br />
Ela sorriu e comentou:<br />
- Poucos são os homens e mulheres que percebem quando isso<br />
acontece. O que vocês chamam de química ou comentam que a química<br />
deu certo na cama, nós, as Selenas, denominamos de combinação das<br />
essências.<br />
- Se um dia sentir esse aroma no ar, Sr. Sleiyver, posso lhe adiantar<br />
que já tem 50% de chance de estar perto de encontrar o seu verdadeiro<br />
amor. Pois, o amor nada mais é do que a combinação das essências ou<br />
espíritos de um homem e uma mulher. E, quando bem cuidado e regado<br />
com respeito, carinho e cumplicidade; com o tempo essas essências ou<br />
espíritos tendem a se tornarem um só.<br />
- E isso é o amor, Sr. Sleiyver! Sem muitos mistérios! Nós é que<br />
complicamos demais!<br />
Após me brindar com uma definição de amor tão bela, a Sra. Greey<br />
disse que era hora de falar de Selena Sara. Vendo a mudança súbita de<br />
assunto, eu comecei a rir e perguntei à Sra. Greey como ela conseguia<br />
estar em dois lugares ao mesmo tempo. Logo depois de ouvir a minha<br />
pergunta, ela deu uma risada engraçada e respondeu tranqüilamente.<br />
- Sr. Sleiyver, és um policial inteligente e sabes muito bem que não<br />
posso estar em dois lugares ao mesmo tempo. Quando não estou aqui,<br />
estou na feirinha.<br />
Comecei a rir e falei:<br />
- A senhora fica tão diferente! A pele mais escura, seu cabelo fica<br />
mais branco e seus olhos mais azuis.<br />
Ela sorriu de novo e retrucou:<br />
- Sr. Sleiyver, além de ser uma Selena e ter meus segredinhos, vale<br />
lembrar que estamos no ano de 1999. No início, eu escurecia minha<br />
pele só com alguns truques de Selenas. Hoje, uso esses mesmo truques,<br />
mas conto também com alguns cosméticos para não deixar transparecer<br />
a minha verdadeira idade, já que todo mundo envelhece e com a Selena<br />
Sara não seria diferente. Uso uma peruca comprada em uma cidade<br />
próxima e há uns 15 anos uso lentes de contato azuis, que realçam<br />
ainda mais a cor dos meus olhos.<br />
Eu fiquei rindo e olhando para a Sra. Greey que também ria de<br />
mim. Esse foi um momento muito curioso.<br />
- Perguntei à Sra. Greey se o Sr. Greey, quando ainda estava vivo,<br />
sabia que ela ainda vendia suas ervas na feirinha como Selena Sara.<br />
- Ele sempre soube, mas fingia que não sabia para não se aborrecer.<br />
Eu sempre fui uma Selena, Sr. Sleiyver, e não podia perder a minha<br />
identidade. Ajudar o próximo com meus conhecimentos é minha<br />
obrigação. Não me refiro somente a ajudar os outros recorrendo aos<br />
meus conhecimentos sobre perfumes, mas por meio do conhecimento<br />
das ervas, que podem auxiliar as pessoas mais humildes. Além disso,<br />
uma palavra amiga dita num momento de necessidade e aflição, muitas<br />
vezes, vale mais do que qualquer remédio.<br />
- Enquanto meu marido era vivo e estava ocupado trabalhando,<br />
eu dizia a ele que ia até a Vila das Selenas para visitar a minha mãe.<br />
Nessa época, eu só ia à feirinha duas vezes por semana. Quando ele se<br />
aposentou, passei a ir apenas uma vez e, depois que ele se foi, vou<br />
rigorosamente todos os dias - explicou-me ela.<br />
Ela me perguntou em que momento eu havia percebido que ela e<br />
Selena Sara eram a mesma pessoa.<br />
- Sra. Greey, eu já estava desconfiado, mas só tive certeza mesmo<br />
quando me despedi de Selena Sara na feirinha e percebi que ela tinha o<br />
mesmo cheiro da essência que a senhora costumava queimar - respondi.<br />
Aproveitando, perguntei:<br />
- A senhora faz perfumes?<br />
- Ela começou a rir e disse que sim.<br />
- A senhora vende esse perfume para a loja em que a Rose trabalha?<br />
- perguntei curioso.<br />
Ela riu ainda mais e disse que vende para o dono da loja como a<br />
Selena Sara e que ninguém desconfiava que ela(?) se passava pela tal<br />
Selena. Depois ela me contou como essa venda era realizada.<br />
- O dono da loja em que Rose trabalha compra a mesma<br />
quantidade de perfumes Florentis todo mês, para não chamar a atenção<br />
dos donos da Florentis Cosméticos. E ele também compra a mesma<br />
quantidade do meu perfume, digo, do perfume da Selena Sara - Sra.<br />
Greey fala e sorri - conhecido como D&#8217;lamour. Eu queria mesmo era<br />
que o perfume se chamasse Greey, mas as pessoas iriam descobrir<br />
logo&#8230; Samuel é quem entrega os frascos de perfume ao dono da loja<br />
para mim.<br />
- Com esse dinheiro, eu fabrico mais perfumes e aproveito para<br />
vendê-los também na periferia a um preço bem mais baixo. Vendo para<br />
as moças a cinco moedas de nosso dinheiro e deixo que elas paguem<br />
como podem. E elas pagam direitinho.<br />
- Eu cobro para que elas aprendam a conquistar as suas coisas.<br />
Não sou muito a favor de dar nada a ninguém sem cobrar. Acho que as<br />
pessoas precisam sentir o gosto da vitória conquistando as coisas por si<br />
mesmas.<br />
Eu comecei a rir e falei:<br />
- Quer dizer que as meninas da periferia têm um perfume melhor<br />
que o Florentis?<br />
Ela sorriu e disse que sim e que ela fica muito feliz em poder fazer<br />
isso porque as meninas pobres ficam com a auto-estima muito elevada.<br />
E a Sra. Greey continua:<br />
- Toda vez que a Selena Sara - cada vez que menciona o nome<br />
dela, sorri - vai à periferia, as meninas contam uma história nova. A<br />
última me deixou emocionada! Uma das meninas estava paquerando<br />
um rapaz há muito tempo e ele nem dava bola para ela. Um dia ela se<br />
aproximou de mim e falou: &#8220;Selena Sara, eu gostaria de comprar um<br />
perfume, mas só posso pagar uma moeda de nosso dinheiro por mês,<br />
pois meu pai está desempregado e todo dinheiro que minha mãe ganha<br />
é para as despesas da casa. A senhora poderia vender para mim nessas<br />
condições?&#8221;. Fiquei olhando para ela e vi em seus olhos que sua essência<br />
era muito bonita e vendi o perfume para que ela pagasse como pudesse.<br />
Já faz dois meses que ela comprou o perfume. Há pouco tempo estive<br />
na periferia e quando essa menina me viu, correu em minha direção e<br />
disse sem poder conter a sua alegria: &#8220;Selena Sara, eu conquistei o rapaz<br />
que estava paquerando há mais de seis meses. Sabe o que ele falou?<br />
Que eu sou a moça mais cheirosa que ele já conheceu em toda sua<br />
vida&#8221;. Ela me abraçou e disse que estava muito feliz e me agradeceu<br />
por eu ter confiado e a deixado pagar o perfume aos pouquinhos.<br />
Depois de finalizar a história da moça, a Sra. Greey olhou para mim<br />
e falou:<br />
- Sr. Sleiyver, se a essência de uma mulher não for boa, ela pode<br />
usar várias vezes ao dia os melhores e mais caros perfumes do mundo<br />
que o cheiro não fica.<br />
- Por um outro lado, se sua essência for boa, basta que passe o<br />
perfume uma vez ao dia, para que sua pele o absorva de tal forma,<br />
misturando-se ao seu espírito, que ela ficará o dia inteiro cheirosa.<br />
Achei curioso o comentário da Sra. Greey. Nunca havia pensado<br />
dessa forma sobre as mulheres. Fiquei impressionado com a Sra. Greey<br />
e muito contente de ter vindo a Florentis.<br />
Já eram quase 18h e eu disse a Sra. Greey que precisava ir embora,<br />
pois tinha marcado um jantar com Samuel, Daniel e Rose. Aproveitei<br />
para perguntar a ela se não gostaria de se juntar a nós nesse jantar.<br />
A Sra. Greey acariciou o meu rosto e falou:<br />
- Não, meu filho! Já cedeste seu tempo demais para mim. Vá e<br />
divirta-se com seus novos amigos. Passei um dos dias mais felizes desses<br />
últimos cinco anos.<br />
- Levantei, dei um abraço bem gostoso nela e um beijo afetuoso<br />
em sua testa e fiz questão de que ela soubesse que eu também havia<br />
passado uma das melhores tardes desses últimos anos de minha vida e<br />
disse:<br />
- Fico feliz em saber, pois para mim foi o mesmo. Adorei ter<br />
passado essa tarde em sua companhia. Aprendi muito com a senhora.<br />
A Sra. Greey me acompanhou até próximo às escadas da varanda e<br />
falou:<br />
- Sr. Sleiyver, se um dia tiver uma filha, tenha paciência com ela.<br />
- Bem, se um dia vier a ser pai, gostaria que fosse um menino, mas<br />
se for uma menina, tudo bem. Mas por que a senhora está me dizendo<br />
para ter paciência com ela? - perguntei curioso com o conselho que<br />
ela acabara de me dar.<br />
- Porque ela terá uma essência linda, mas vai puxar o gênio do pai<br />
- fala e fica sorrindo para mim.<br />
Eu achei engraçado o comentário dela e disse:<br />
- Então, se eu vier a ter uma filha algum dia, ela se chamará Yasmin.<br />
- Eu sei! - disse a Sra. Greey. Adeus, Sr. Sleiyver.<br />
- Adeus, não! Agora eu sei que as Selenas vivem muitos anos e,<br />
com certeza, eu irei encontrá-la aqui nesse mesmo lago em minha<br />
próxima visita a Florentis.<br />
A Sra. Greey me olhou e falou novamente:<br />
- Adeus, Sr. Sleiyver.<br />
Eu fiquei meio sem fala, mas entendi exatamente a mensagem da<br />
Sra. Greey. Caminhei pelo lago e fui pensando em tudo o que a Sra.<br />
Greey havia me contado. Queria tanto ajudá-la, mas não sabia como fazer.<br />
Cheguei à pousada, tomei um banho, me arrumei e fui ao encontro<br />
de Samuel e Daniel, que já estavam à minha espera na porta da pousada.<br />
Passamos no centro da cidade, pegamos Rose e seguimos para um<br />
restaurante que ficava um pouco depois da entrada de Florentis.<br />
O restaurante era muito aconchegante e tivemos um jantar<br />
maravilhoso. Daniel ficou o tempo todo grudado em mim e falava pelos<br />
cotovelos. Samuel ria dele e Rose aproveitava para apertar as bochechas<br />
do garoto. Foi muito divertido!<br />
Eram quase 21:30h quando fomos embora. Deixamos Rose<br />
primeiro, depois levamos Daniel em casa e Samuel me perguntou para<br />
onde eu gostaria de ir depois que estivéssemos só nós dois. Eu pedi a<br />
ele que me levasse a um lugar especial. Ele prontamente atendeu o meu<br />
pedido.<br />
Lá pela meia-noite eu estava de volta à pousada. Entrei no meu<br />
quarto e fiquei olhando a casa do lago pela janela.<br />
A Sra. Greey ainda estava acordada e parecia estar pintando. Fiquei<br />
a observando por um tempo e depois fui dormir.<br />
Eu precisava acordar cedo, pois meu vôo estava marcado para as<br />
15h e o aeroporto era em uma cidade próxima a Florentis. Pedi ao<br />
Samuel que me apanhasse às 11h. Dormi como uma pedra!</p>
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		<title>O Segredo da Sra Greey - 9º Capítulo</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 02:29:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Capítulos]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[O Segredo da Sra Greey]]></category>

		<category><![CDATA[Amor]]></category>

		<category><![CDATA[Dia das Mães]]></category>

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		<description><![CDATA[9º Capítulo
Entrei na casa da Sra. Greey e, ao contrário do que eu havia
imaginado, ela não entrou em nenhum assunto especial. Quis primeiro
mostrar-me suas flores, plantas e uma pequena plantação de ervas a
que ela recorria quando necessário.
A casa da Sra. Greey, por ter muitas flores e plantas, atraía muitos
beija-flores e borboletas. Tive a sorte de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>9º Capítulo</strong></p>
<p>Entrei na casa da Sra. Greey e, ao contrário do que eu havia<br />
imaginado, ela não entrou em nenhum assunto especial. Quis primeiro<br />
mostrar-me suas flores, plantas e uma pequena plantação de ervas a<br />
que ela recorria quando necessário.<br />
A casa da Sra. Greey, por ter muitas flores e plantas, atraía muitos<br />
beija-flores e borboletas. Tive a sorte de ver uma mais bonita do que a<br />
outra enquanto estive lá. Ela conversava comigo e, vez ou outra, olhava<br />
para mim de um jeito tão carinhoso que me dava uma sensação estranha,<br />
mas que ao mesmo tempo sentia um bem-estar na companhia dela.<br />
Depois de me mostrar a parte externa de sua casa, a Sra. Greey me<br />
conduziu para o interior de sua casa. Eu fiquei apaixonado pelos quadros<br />
que ela pintava em telas bem simples. Havia pinturas inspiradas em<br />
plantas e até em pessoas.<br />
O quadro com o retrato do Sr. Greey era o maior e ficava pendurado<br />
em uma parede junto aos quadros dos filhos do casal. Eu não sabia<br />
como era o Sr. Greey, pois até aquele momento não tinha visto nenhuma<br />
foto dele, mas pela forma que a Sra. Greey o retratou, dava para perceber<br />
que ele tinha um olhar muito apaixonado, de tanta ternura que seus<br />
olhos expressavam. Fiquei parado um tempo admirando o quadro do<br />
Sr. Greey, até que fui interrompido por um chamado da Sra. Greey.<br />
- Sr. Sleiyver, o Sr. Greey já o viu. Agora, venha lanchar comigo<br />
- fala e sorri.<br />
Eu achei engraçada a forma como ela falou e sorri também. Fomos<br />
nos sentar a uma pequena mesa na varanda e começamos a conversar<br />
enquanto lanchávamos. Quase não pude acreditar, tinha aquela broa<br />
maravilhosa. O lanche da tarde que a Sra. Greey preparou para me<br />
receber era muito gostoso. Muitas geléias, queijos de minas, frutas,<br />
torradas etc. Pela variedade de coisas que ela serviu e pelo volume, ela<br />
parecia estar esperando por umas dez pessoas.<br />
- Sr. Sleiyver, sei que está achando que exagerei em colocar uma<br />
mesa tão farta para duas pessoas, mas eu e o Sr. Greey sempre fomos<br />
assim. Graças à energia maior nunca nos faltou nada e como tivemos<br />
três filhos famintos - ao mencionar seus filhos, dá um sorriso - nos<br />
acostumamos a ter uma mesa bastante farta.<br />
- Minha mãe também era assim. Quando era pequeno, eu era muito<br />
chato para comer. Por isso, minha mãe colocava uma enorme variedade<br />
de coisas na mesa para ver se eu me empolgava e me alimentava melhor.<br />
E, de tanto ela insistir, eu aprendi a comer de tudo. Hoje em dia não<br />
como muito até porque já passei dos quarenta, mas procuro me alimentar<br />
bem e de forma saudável.<br />
- O senhor deve estar curioso para saber o que eu desejo lhe falar.<br />
Estou certa?<br />
- Antes de vir até a sua casa, eu estava muito curioso e ansioso,<br />
mas agora estou mais calmo.<br />
- Não lhe passou pela cabeça que talvez eu, uma velha solitária, só<br />
quisesse ser visitada?<br />
- Talvez, Sra. Greey, mas seja qual for o motivo, estou muito feliz<br />
em conhecê-la.<br />
- Sr. Sleiyver, e eu mais ainda em tê-lo em minha casa.<br />
Enquanto saboreávamos aquele delicioso café da tarde, a Sra. Greey<br />
me contou algumas histórias de Florentis e outras sobre as Selenas. Ela<br />
aproveitou para me revelar uma coisa que eu ainda não sabia e nem<br />
sequer desconfiara. A Selena Mãe era a sua mãe e se chamava Selena<br />
SoIamis. Soube também que a Sra. Greey tinha mais uma irmã e um<br />
irmão que também estavam vivos.<br />
Quando a Sra. Greey fez uma pausa, eu sorri e perguntei a ela se a<br />
irmã a que ela se referira era a Selena Sara:<br />
- Sr. Sleiyver, o senhor sabe que não! - e sorriu.<br />
- Minha irmã tem 105 anos e mora com os filhos em uma cidade<br />
um pouco distante de Florentis. Meu irmão, que tem 98 anos, vive em<br />
outro estado, sozinho. Ele optou por morar próximo aos filhos, mas<br />
prefere viver sozinho no seu cantinho.<br />
- Sra. Greey, sem querer ser indelicado, qual é a sua idade<br />
verdadeira? As idades de seus irmãos, que ela acabara de me revelar,<br />
me deixaram bastante curioso e não consegui deixar de perguntar a<br />
idade dela.<br />
- Oitenta e dois anos, sou a caçula e temporã da família - ela<br />
respondeu com simpatia e sem nenhum constrangimento.<br />
Fiquei com uma pergunta na ponta da língua, mas a Sra. Greey,<br />
muita esperta, logo percebeu e antes que eu pudesse começar a falar<br />
novamente, me disse:<br />
- Sr. Peter, deixe suas curiosidades sobre a Selena Sara para depois.<br />
Eu fiquei rindo&#8230; Parecia que a Sra. Greey tinha o poder de ler os<br />
meus pensamentos.<br />
- O senhor meu viu ontem enquanto eu estava aqui brincando<br />
com meus filhos do lago, não viu?<br />
- Sim, Sra. Greey.<br />
- Quer saber porque eu e meus filhos não nos falamos mais, não<br />
quer?<br />
- Eu respondi que gostaria de entender o porquê dela não falar<br />
mais com os filhos, já que Daniel e Samuel sempre faziam questão de<br />
dizer que ela era uma pessoa maravilhosa.<br />
- Eu vou lhe contar. Sr. Peter.<br />
- Há mais ou menos seis anos, o Sr. Greey começou a sentir fortes<br />
dores nas costas. Eu o levei ao médico da cidade, que não constatou<br />
nada de errado e receitou apenas alguns relaxantes para o meu marido.<br />
Voltamos para casa e mesmo com o tratamento à base dos relaxantes,<br />
meu marido continuou reclamando de fortes dores nas costas. Só<br />
procurei o médico da cidade porque o doutor das Selenas estava em um<br />
congresso fora do país e eu tinha que buscar a ajuda de um profissional.<br />
Por isso, fui ao encontro de um profissional da área ortopédica na cidade.<br />
Liguei para o meu filho mais velho, Frederico, expliquei o que estava<br />
acontecendo com seu pai e ele veio nos buscar para nos levar ao médico<br />
de sua confiança. Ele era aqui de Florentis mesmo, mas seu consultório<br />
ficava no outro lado do morro - a Sra. Greey aponta para o morro<br />
localizado atrás da floresta. O médico diagnosticou um pequeno desvio<br />
na coluna. E nos informou também que meu marido estava acima do<br />
peso. O doutor marcou uma nova consulta para a semana seguinte. Ele<br />
disse ao meu filho que era apenas para dar uma examinada em seu pai<br />
e ver se estava tudo bem. Ele receitou alguns remédios e eu preparei<br />
uma dieta para o Sr. Greey. Ficamos na casa de meu filho durante uma<br />
semana. Meu marido teve uma pequena melhora e, na consulta seguinte,<br />
o médico o liberou e voltamos para nossa casa. Na primeira semana em<br />
casa, o Sr. Greey sentiu-se bem, mas quinze dias depois, ele começou a<br />
sentir as dores de novo. Liguei para o meu filho e ele veio nos buscar<br />
novamente para levar o pai ao médico.<br />
- O médico fez novos exames e o seu diagnóstico foi o mesmo.<br />
Achei estranho que ele chamou o Frederico num canto e falou algo<br />
baixinho, em tom de segredo. Fiquei preocupada achando que meu<br />
marido estava com alguma doença grave e, quando fiquei a sós com<br />
meu filho, perguntei a ele o que o médico havia falado. Ele me contou<br />
que o médico havia dito que o pai estava querendo atenção, que, na<br />
verdade, ele não tinha nada. Achei um absurdo o comentário e mais<br />
absurdo ainda o fato de o meu filho ter acreditado, pois o Sr. Greey<br />
sempre foi um homem muito ativo e nunca fomos de ficar enfiados na<br />
casa de nossos filhos, pois sempre soubemos que os criamos para o<br />
mundo.<br />
- Ficamos mais alguns dias hospedados na casa de Frederico. Minha<br />
neta, mais nova, Daiane, filha de Frederico iria fazer aniversário e os<br />
irmãos se reuniram junto com os tios para comemorar. Frederico tem<br />
três filhos, duas meninas e um menino. Mayra, Daiane e Fábio, o mais<br />
velho - explica ela. No dia do aniversário dela, meu marido se queixava<br />
de muita dor e o meu filho foi grosseiro com ele, dizendo que ele não<br />
tinha nada e só queria atenção. Eu fiquei tão revoltada com aquilo que<br />
não pude me conter e perguntei num tom bastante áspero: &#8220;E se fosse?<br />
Qual o problema de ele querer atenção, se ele sempre dispensou toda<br />
sua atenção para vocês?&#8221; E esse foi o início de uma grande discussão.<br />
Meu marido, mesmo sentindo toda aquela dor, me chamou e disse:<br />
&#8220;Yasmin, não discuta mais com ele, amanhã bem cedo vamos voltar<br />
para nossa casa&#8221;. Naquela noite, eu mal consegui dormir de tanta mágoa<br />
que sentia. Meu marido ficou a noite toda abraçado comigo, sentindo<br />
além de sua dor física, uma dor ainda maior em seu coração causada<br />
pela incompreensão de seu filho. Ele me fazia carinho para que eu me<br />
acalmasse e conseguisse pegar no sono.<br />
- Na manhã seguinte, meu filho, com uma cara de &#8220;dono da<br />
verdade&#8221;, disse que iria nos levar. Eu o respondi secamente que não<br />
precisava, eu já havia chamado Samuel para nos buscar e nos levar de<br />
volta para casa. Samuel nos pegou no horário combinado e, no caminho,<br />
me disse que conhecia um médico muito bom em um hospital ali mesmo,<br />
num bairro bem próximo de onde meu filho morava. Meu marido já<br />
não queria mais ir ao médico, mas como eu insisti, ele acabou cedendo.<br />
- Quando entramos na sala, tive a sensação de estar encontrando<br />
um anjo, de tanta atenção, respeito e carinho com que o doutor tratou<br />
meu marido. Dr. Roberto, esse anjo que nos atendeu solicitou muitos<br />
exames e suspendeu os remédios que o outro havia passado. Ele me<br />
avisou que o Sr. Greey ficaria internado até que as respostas dos exames<br />
ficassem prontas.<br />
- Eu fiquei em pânico, pois era a primeira vez que ele ficava doente.<br />
O máximo que ele havia tido foi uma gripe branda. Meu marido era<br />
muito forte, Sr. Peter! Eu pensei que ele não aceitaria ficar internado<br />
em um hospital, mas para minha surpresa, ele aceitou a recomendação<br />
médica e seguiu todas as ordens do Dr. Roberto.<br />
- Senti que algo estava errado, muito errado! E talvez, dentro de<br />
seu coração, o Sr. Greey também sabia que alguma coisa não estava<br />
bem e, para me poupar, resolveu ficar no hospital até que os exames<br />
confirmassem ou não a nossa suspeita. No dia seguinte alguns dos<br />
exames que o médico pedira ficaram prontos e ele me chamou para<br />
conversar. Dr. Roberto me explicou que o meu marido estava com uma<br />
doença degenerativa nos nervos em estado muito avançado, mas se<br />
seguisse corretamente suas orientações médicas, poderia viver por mais<br />
um tempo.<br />
- Enquanto o médico falava, meu coração ia se partindo e ficando<br />
em pedaços. Eu, na condição de Selena, tenho alguns dons e sou capaz<br />
de prever o futuro, entretanto, nem tudo nos é revelado, e, no caso da<br />
doença do meu marido, eu fui pega de surpresa. Conversei com o médico<br />
por mais algum tempo. Eu pedi a ele que deixasse que eu mesma desse<br />
a notícia ao meu marido sobre sua doença e que, depois, ele se<br />
encarregaria de falar sobre o que poderia ser feito.<br />
- Eu pensei que fosse ter a conversa mais difícil da minha vida<br />
com meu marido, mas quando entrei no quarto, ele estava deitado na<br />
cama olhando em direção ao morro, pensando na nossa casa. Aproximeime,<br />
beijei-o e segurei em suas mãos. Quando ia começar a conversar a<br />
respeito do assunto, ele me interrompeu e disse: &#8220;Meu amor, sei que<br />
não tenho muito tempo, por isso, diga ao médico que quero fazer meu<br />
tratamento em casa, onde terei mais conforto e poderei passar os últimos<br />
dias de minha vida ao lado daquela que só iluminou o meu espírito&#8221;.<br />
Ele falava e me acariciava o rosto. Que saudade de meu marido! Ele era<br />
muito carinhoso comigo e com os filhos!<br />
Enquanto a Sra. Greey me contava essa história, eu ficava com a<br />
garganta doendo e me segurando para as lágrimas não correrem pelo<br />
meu rosto. E ela continuou:<br />
- Eu comecei a chorar e disse a ele que a Selena ali era eu e não ele!<br />
Nos abraçamos e ficamos um tempo bem juntinhos&#8230;<br />
- Conversei com o médico e ficamos mais dois dias no hospital,<br />
para que ele pudesse fazer os exames que faltavam e para que o médico<br />
pudesse confirmar os outros cujos resultados já estavam prontos. Depois,<br />
ele nos liberou e passou a tratar do Sr. Greey em nossa casa.<br />
- Quando cheguei em casa, liguei para os meus filhos que estavam<br />
loucos atrás de mim. Orientei Samuel a não contar onde estávamos e<br />
que dissesse a eles que eu havia ido para a capital com meu marido.<br />
Quando dei a notícia aos meus filhos, eles ficaram indignados pelo fato<br />
de eu não ter ligado do hospital e contado a eles o que estava acontecendo<br />
com o pai deles. Eu disse a Frederico, Francisco e Fernando que não<br />
queria incomodá-los e nem chamar a atenção deles. Depois, desliguei e<br />
fiquei triste, porque também estava me achando a dona da verdade.<br />
- Meus filhos vieram nos visitar e tivemos várias discussões nesse<br />
primeiro dia da visita. Eles me chamaram de velha irresponsável por<br />
não os ter avisado sobre o que o Dr. Roberto havia diagnosticado sobre<br />
a doença de Greey. Meu marido ficou muito magoado e mandou que os<br />
filhos fossem embora, mas antes lhes disse que eu não era nenhuma<br />
irresponsável, que eu apenas estava magoada com a atitude que eles<br />
tiveram com ele quando estávamos na casa de Frederico. &#8220;Quem são<br />
vocês para chamarem sua mãe de irresponsável quando ela sempre foi<br />
a pessoa mais sensata dessa família? Nunca negou a vocês ajuda e muito<br />
menos amor e carinho. Se vierem nos visitar, respeitando a mim e sua<br />
mãe, serão bem-vindos, mas se vierem para nos criticar serão tratados<br />
como estranhos&#8221;, ele disse aos nossos filhos.<br />
- Eles foram embora e, durante algum tempo. Só telefonavam e<br />
falavam friamente comigo.<br />
- Nesse meio tempo, eu fui buscar ajuda e respostas com minha<br />
mãe na Vila das Selenas. Ela me disse que, infelizmente, o máximo que<br />
ela poderia fazer seria amenizar as dores sentidas pelo meu marido com<br />
a ajuda das ervas que conhecíamos. Minha mãe falou-me também que<br />
a energia maior havia sido muito benevolente comigo e com Greey,<br />
pois ele já era para ter ido embora há muitos anos, mas ela acreditava<br />
que por causa do grande amor que sentíamos um pelo outro, fomos<br />
agraciados com mais tempo para ficarmos juntos.<br />
- Chorei muito nesse dia e perguntei a mamãe porque eu não havia<br />
previsto a doença de meu marido. Ela respondeu que, se eu soubesse,<br />
talvez interferisse no destino de Greey e, ao invés de ajudá-lo, poderia<br />
atrapalhar e perdê-lo antes do tempo.<br />
- Fiquei me questionando o porquê de possuirmos o dom de prever<br />
o futuro em alguns casos, se não podemos mudar o destino das pessoas.<br />
Sabiamente, minha mãe me explicou que não podemos mudar o destino<br />
das pessoas, mas podemos ajudar a amenizar seus sofrimentos, dandolhes<br />
algumas respostas e um pouco de tranqüilidade. Passados seis meses,<br />
meu marido começou a piorar. Primeiro, perdeu os movimentos das<br />
pernas e dos braços e, depois, nem mais em cadeira de rodas ele ficava.<br />
Passava seus dias deitado na cama.<br />
- Meus filhos vinham visitá-lo uma vez por semana e quando ele<br />
já estava quase para nos deixar, as visitas passaram a ser diárias. Eles<br />
pouco falavam comigo, só se dirigiam a mim quando era estritamente<br />
necessário.<br />
- Um dia antes de o Sr. Greey partir, o médico nos reuniu para<br />
avisar que ele já estava na fase terminal da doença e pediu que os filhos<br />
fossem se despedindo dele discretamente, pois ele não teria mais que<br />
dois dias.<br />
- E assim foi feito. Nesse mesmo dia da conversa do médico, cada<br />
um deles ficou um pouco com o pai no quarto. Tentavam conversar<br />
com ele, mas ele só olhava para os filhos com as lágrimas rolando pelo<br />
seu rosto.<br />
- No dia que meu marido foi embora, antes de dar seu último<br />
suspiro, ele me pediu para eu aproximar o meu rosto do dele, me deu<br />
um beijo e com muita dificuldade falou: &#8220;Eu vou te amar para sempre!<br />
Você foi a mulher mais bonita, mais cheirosa e mais linda que um homem<br />
poderia querer. Nunca se esqueça disso!&#8221;. Depois de dizer essas lindas<br />
palavras, ele fechou os olhos e eu fiquei ali parada, chorando e vendo o<br />
grande amor da minha vida partir para sempre. Assim que ela acabou<br />
de contar a história, não pude mais conter minhas lágrimas.<br />
Levantei-me, puxei minha cadeira para perto da dela, peguei em sua<br />
mão e disse:<br />
- Poucas pessoas nesse mundo têm o privilegio de viver um grande<br />
amor, sinta-se presenteada pela energia maior, como vocês chamam,<br />
por ter sido abençoada e poder ter vivido um amor tão intenso e<br />
verdadeiro.<br />
Depois de dizer essas palavras, me dei conta de que eu parecia um<br />
descendente de Selenas falando. Senti uma sensação tão esquisita.<br />
Ela me olhou e falou:<br />
- Eu sei, Sr. Sleiyver. Eu sei.<br />
Continuamos nossa conversa e eu perguntei a ela se os filhos não<br />
vieram mais visitá-la porque ficaram aborrecidos desde aquela época.<br />
E ela respondeu:<br />
- Depois que o pai faleceu, eles queriam que eu vendesse essa<br />
casa e fosse morar com eles, para não ficar sozinha. E eu respondi que<br />
na hora que eu e o Sr. Greey mais precisamos deles não fomos<br />
compreendidos e que, por isso, eu ficaria aqui onde sempre fui feliz ao<br />
lado de meu marido e de meus filhos, quando eles eram pequenos,<br />
adolescentes, rapazes e depois homens.<br />
- Eles me chamaram de velha malcriada e rabugenta e disseram<br />
que eu também estava querendo chamar a atenção. E falaram que quando<br />
eu me sentisse muito sozinha e resolvesse vender a casa e ir morar com<br />
eles, que era só eu ligar. Já se passaram mais de cinco anos e eu até hoje<br />
não liguei e eles também não me procuraram.<br />
Fiquei sem ter o que falar para a Sra. Greey. Na minha opinião, as<br />
duas partes agiram errado, mas acho que os filhos, que receberam tanto<br />
carinho e atenção de seus pais, poderiam ter um pouco mais de paciência<br />
e ceder primeiro. Eles, pelo menos, poderiam ligar para ela, às vezes, a<br />
fim de saber como a Sra. Greey estava.<br />
E a Sra. Greey continuou.<br />
- Sr. Sleiyver, como os filhos são interessantes! Quando são crianças<br />
nos amam tanto. Somos as mães mais bonitas, mais cheirosas, mais<br />
lindas! Somos as pessoas mais importantes de suas vidas! Nas festas da<br />
escola, declamam poemas e têm o maior orgulho de nos exibir para<br />
seus amigos. Fazem cartões com lindas poesias e nos entregam nos<br />
Dias das Mães, Aniversário e Natal. Se sentem alguma coisa correm<br />
logo para os nossos braços. Se estão doentes, querem ficar perto do<br />
calor da mãe. Quando se machucam, nos chamam logo. Quando sentem<br />
perigo, gritam &#8220;Mãeeeeeeee!&#8221;. Esta é a palavra mais ouvida em todo o<br />
mundo! (comenta e sorri).<br />
- Quanto mais a Sra. Greey falava mais eu me emocionava&#8230;<br />
- Depois eles crescem e se tornam adolescentes. Passamos a ser<br />
as mães que não os entendem e, para alguns, mães antiquadas, caretas e<br />
muitas vezes chatas&#8230; Quando se tornam adultos, passamos a ser a mãe<br />
rabugenta, ciumenta e que reclama de tudo. E quando ficamos velhas,<br />
nos transformamos naquelas que fazem de tudo para chamar a atenção;<br />
ou aquelas que falam demais; ou aquelas que não entendem mais o<br />
mundo: as velhas chatas; as velhas que falam besteiras e, muitas vezes,<br />
eles até avisam os amigos para não levar em consideração o que suas<br />
mães falam, pois estão velhas demais! &#8220;Tadinha, ela é velhinha!&#8221; -<br />
desabafou a Sra. Greey.<br />
E ela continua.<br />
- Já não nos apresentam com orgulho e, muitas vezes, nos<br />
escondem em festas de famílias, deixando-nos isoladas em um cantinho<br />
da casa. Poucos são os filhos e filhas que se importam e ainda têm<br />
orgulho de suas mães, porque souberam dar valor a tudo o que elas lhes<br />
deu. Lembro-me que meu filho Frederico, o mais velho, chegava perto<br />
de mim e falava: &#8220;Mãe, eu te adoro. Eu sempre vou te adorar!&#8221; - ao<br />
falar isso, seus olhos se enchem de lágrimas. Meu filho do meio, vivia<br />
grudado em mim. Quando ele adoecia ou se machucava, só queria ficar<br />
comigo. Era tão engraçado porque os meninos se identificam muito<br />
com o pai, mas o Francisco, nos seus momentos difíceis, só queria ficar<br />
comigo. O mais novo, o Fernando, e mais levado de todos falava: &#8220;Mãe<br />
sabe porque eu sou feliz?&#8221;.<br />
- E eu perguntava ao meu filho porque ele era feliz. E ele me<br />
respondia: &#8220;Porque eu tenho a melhor mãe do mundo!&#8221;. Nesse momento,<br />
a Sra. Greey não se conteve e nem eu consegui me segurar.<br />
E ela continuou:<br />
- Depois que ficamos velhas, deixamos de ser o motivo de sua<br />
felicidade para nos tornarmos um peso em suas vidas. A Sra. Greey<br />
olha para mim e vê que eu estou chorando, acaricia meu rosto, enxuga<br />
minhas lágrimas e fala:<br />
- Sabe por que nos dias que o vento no final da tarde fica forte, eu<br />
queimo as essências florais de novo?<br />
- Eu respondi que achava que era para que Florentis ficasse mais<br />
cheirosa.<br />
- Não, Sr. Sleiyver! É porque quando o vento está forte e em direção<br />
da floresta, tenho a esperança de que ele leve o aroma que os meus<br />
filhos tanto gostavam quando eram pequenos. Quem sabe assim, eles<br />
se lembram que um dia foram tão amados, mas tão amados e venham<br />
me visitar?<br />
Nessa hora, eu não me contive e tive que pegar o meu lenço para<br />
enxugar as lágrimas da Sra. Greey e as minhas próprias.<br />
- Nesses últimos dois anos, tenho sentido tanta saudade de meu<br />
marido e de meus filhos. Por isso, quando a lua está cheia e ilumina o<br />
lago, devido à posição de algumas árvores, vejo formas de crianças na<br />
água e não consigo me conter. Então, como se entrasse em transe,<br />
começo a brincar com essas formas como se estivesse com meus filhos<br />
quando eles eram pequenos.<br />
- Eu disse à Sra. Greey que achava que ela via alguma coisa no<br />
lago, só não sabia o que era. Ela me olhou e falou:<br />
- Você foi um lindo filho e sua mãe teve muito orgulho de você.<br />
Eu olhei para ela e disse:<br />
- Eu acho que fui um bom filho, sim. Fui muito amado pela minha<br />
mãe e sempre a valorizei muito.<br />
Sra. Greey me olhou novamente e falou:<br />
- É esse amor que você procura nos braços de uma mulher?<br />
Eu respondi que não procurava um amor que fosse igual ao da<br />
minha mãe pelo meu pai, mas acho que queria algo bem próximo. A<br />
Sra. Greey olhou bem dentro de meus olhos e falou:<br />
- Vai encontrar, Sr. Sleiyver! Vai encontrar&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Segredo da Sra Greey - 8º Capítulo</title>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 15:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Capítulos]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[O Segredo da Sra Greey]]></category>

		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>

		<category><![CDATA[Perfumes]]></category>

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		<description><![CDATA[8º Capítulo
Acordei bem cedo e fiquei um pouco na cama lembrando das falas
da Sra. Greey. Fiquei me perguntando porque a Sra. Greey não faz as
pazes com seus filhos. Samuel e Daniel dizem que ela é maravilhosa! O
que fez seus filhos se afastarem dela ou, quem sabe, ela deles?
Fiquei um tempo ainda na cama, depois tomei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>8º Capítulo</strong></p>
<p>Acordei bem cedo e fiquei um pouco na cama lembrando das falas<br />
da Sra. Greey. Fiquei me perguntando porque a Sra. Greey não faz as<br />
pazes com seus filhos. Samuel e Daniel dizem que ela é maravilhosa! O<br />
que fez seus filhos se afastarem dela ou, quem sabe, ela deles?<br />
Fiquei um tempo ainda na cama, depois tomei meu banho e fui<br />
tomar café. Josephe, o gerente, aproximou-se e perguntou-me se eu<br />
havia visto a crise de loucura da Sra. Greey no dia anterior. Eu disse a<br />
ele que não se tratava de uma crise de loucura e sim de saudade.<br />
Josephe me olhou e falou:<br />
- Parece que Daniel e Samuel conseguiram convencer o senhor de<br />
que a Sra. Greey não está doente.<br />
- Meu caro, Josephe, se a Sra. Greey está doente, posso lhe afirmar<br />
que é de saudade - respondi.<br />
Josephe ficou me olhando e depois me perguntou se eu pretendia ir<br />
visitá-la. E eu respondi:<br />
- Pretendo não, eu vou!<br />
Josephe sorriu e depois falou:<br />
- Admiro sua coragem Sr. Peter. Eu também não acredito que a<br />
Sra. Greey esteja tão doente, mas confesso que com tantas lendas, tenho<br />
receio de visitá-la.<br />
Eu sorri e falei para Josephe que, no início, eu também ficara receoso,<br />
não por achar que elas fossem bruxas, mas por desconhecer o que<br />
significava ser uma Selena.<br />
Josephe me olhou de um jeito estranho e perguntou:<br />
- E o senhor sabe o que é ser uma Selena agora?<br />
Eu mais uma vez respondi sorrindo:<br />
- Sim, Josephe! Ser uma Selena, nada mais é do que ter costumes<br />
e cultura diferentes, assim como cada país tem a sua cultura e os seus<br />
costumes. A diferença é que as Selenas têm a mesma nacionalidade que<br />
nós, mas com pensamentos diferentes.<br />
Josephe ficou me olhando surpreso.<br />
- É só isso mesmo, Sr. Peter? O senhor está me dizendo que esse<br />
tempo todo nós fomos ignorantes diante dessas pessoas?<br />
- Por favor, não coloque palavras na minha boca. É você quem<br />
está falando que foram ignorantes com as Selenas - falei e fiquei rindo.<br />
- Acho que, na verdade, temos medo daquilo que não é de nossa<br />
compreensão. Somos supersticiosos demais, acreditamos em muitas<br />
histórias e acabamos não enxergando as coisas ou as pessoas como elas<br />
realmente devem ser vistas.<br />
Levantei-me da cadeira, coloquei a mão no ombro de Josephe e<br />
falei:<br />
- Não se recrimine, Josephe. Eu também já acreditei em muitas<br />
coisas, mas a minha profissão requer muito raciocínio e, com o tempo,<br />
aprendi a buscar respostas e não acreditar só naquilo que via e sim a<br />
enxergar bem mais adiante. E é por isso que te falo: as Selenas são tão<br />
normais quanto a gente e, em alguns casos, até mais que muita gente.<br />
Josephe perguntou-me se eu iria embora mesmo no sábado.<br />
- Eu disse que sim, porque precisava voltar e colocar minha casa<br />
e minha vida em ordem.<br />
- Que pena! Gostaria de lhe oferecer um jantar em minha casa.<br />
Tenho duas filhas moças que já ouviram falar do senhor na cidade.<br />
- Josephe, fica para uma outra oportunidade e diga a suas filhas<br />
para não acreditarem em tudo que falarem de mim. Sou tão normal<br />
como qualquer outro homem.<br />
Josephe sorriu e perguntou se eu queria que ele chamasse Samuel<br />
para me levar a algum passeio.<br />
- Eu disse que não e avisei a Josephe que ficaria na pousada pela<br />
manhã e que, depois do almoço, iria visitar a Sra. Greey.<br />
Fiquei passeando pela pousada, que realmente é muito bonita e bem<br />
cuidada. Assim como em quase toda a Cidade de Florentis, a pousada<br />
também tinha muitas flores e plantas. É um ótimo lugar para uma família<br />
se hospedar e aproveitar a oportunidade para fazer um piquenique.<br />
Nossa, que coisa mais antiquada! Estou mesmo ficando velho. Para as<br />
crianças, é um lugar maravilhoso, pois elas podem ficar soltas, à vontade!<br />
Fiquei pensando: &#8220;Um dia eu voltarei a Florentis! Quando eu não<br />
sei, mas tenho certeza de que voltarei&#8221;.<br />
Nesse momento me dei conta de que estava bem próximo à Casa<br />
do Lago e que a Sra. Greey estava me olhando de sua varanda. Ela<br />
sorriu e acenou para mim. Eu respondi da mesma forma. Depois, fiquei<br />
olhando para ela com um sorriso no rosto e ela me contemplava da<br />
mesma forma. Apenas sorríamos um para o outro. Nesse momento,<br />
um dos funcionários se aproximou e falou:<br />
- Sr. Peter, o Sr. Josephe está pedindo para o senhor comparecer<br />
ao saguão da pousada.<br />
Achei estranho, mas fui ver do que se tratava. Acenei para a Sra.<br />
Greey e ela ficou me olhando até eu chegar à pousada. Quando adentrei<br />
a recepção, dei de cara com Karine. Josephe fez um sinal para mim,<br />
como quem diz que não pode impedir a sua presença ali.<br />
Eu fiz sinal de que estava tudo bem e a levei para a área externa da<br />
pousada. Karine já foi logo me abraçando e tentando me beijar e eu, me<br />
esquivando dela, falei<br />
- Pare com isso, Karine. O que você veio fazer aqui?<br />
- Peter, eu estou apaixonada por você. Tenho certeza de que se<br />
você passar o dia comigo vai entender que o seu lugar é ao meu lado.<br />
Eu, no auge da minha irritação, disse a ela que não estava interessado<br />
em ninguém e que, nesse dia, em especial, eu queria ficar na pousada,<br />
aproveitando o lugar. Foi, então, que ela disse:<br />
- Eu fico com você. Eu te faço companhia o dia inteiro.<br />
Olhei para Karine e disse que queria ficar sozinho. Ela começou a<br />
chorar dizendo que eu não estava entendendo&#8230;<br />
- Peter, você é o homem da minha vida! Assim que você entrou na<br />
loja, eu percebi isso no seu olhar. Você não veio para Florentis à toa!<br />
Veio para me encontrar.<br />
Eu olhei para ela muito sério e disse:<br />
- Karine, pára de falar bobagens! Já disse que não sou o homem<br />
que procura.<br />
E ela continuou:<br />
- Peter, por favor! Me dê uma chance! Eu só quero te provar que<br />
sou a mulher de sua vida!<br />
-Putz! Todo castigo para policial é pouco!?, pensei. Olhei para ela e<br />
disse em um tom mais alto:<br />
- Karine, eu não vim atrás de nenhuma mulher! Vim para passear<br />
e conhecer a cidade. Aqueles beijos que trocamos foi somente por acaso.<br />
Só isso! Não sou seu príncipe encantado e, diga-se de passagem, estou<br />
mais para homem das cavernas do que para príncipe. Agora, faça-me<br />
um favor: vá embora! Você não tem que trabalhar, não?<br />
- Eu não vou embora até convencê-lo de que eu sou a mulher de<br />
sua vida e não a Rose - ela disse com seriedade.<br />
Olhei espantado para ela e perguntei:<br />
- O que Rose tem a ver com isso?<br />
- Está pensando que eu não sei, Peter, que ela deu em cima de<br />
você? Eu vi quando você voltou na loja para falar com ela e também<br />
percebi no barzinho que vocês estavam marcando um encontro. Eu<br />
posso ser de Florentis, Peter, mas não sou nenhuma tapada.<br />
Olhei para Karine, dei aquele sorriso debochado que vocês<br />
conhecem e falei:<br />
- Realmente, você não é tapada, Karine. É uma anta! Agora me<br />
deixa em paz, que eu quero descansar!<br />
Karine me olhou com muita raiva e falou:<br />
- Se você pensa que vai ficar com Rose, está muito enganado! Ela<br />
sai com todo mundo na cidade. Ela vai te encher de chifres, seu burro!<br />
Corno! Corno! Corno!<br />
E ela saiu me chamando várias vezes de corno. Depois que ela se<br />
foi, eu fiquei rindo e pensando em como as mulheres são vaidosas.<br />
Tudo bem que ela até estivesse a fim de mim, mas dizer que eu era o<br />
homem de sua vida e que tinha vindo até Florentis para encontrá-la,<br />
isso foi demais!<br />
Por um outro lado, ela já não estava mais preocupada em conquistar<br />
o homem Peter e sim de não perdê-lo para uma outra mulher. Mulheres!<br />
São todas muito complicadas! Mas o que seria de nós, os homens, sem<br />
elas?<br />
Resolvi entrar e ler o jornal da cidade. Aproveitei para ler, inclusive,<br />
a coluna da Selena Iasmaya. Depois, assisti televisão até a hora do almoço.<br />
Daniel chegou na hora que estava me sentando à mesa para almoçar e<br />
ao me ver, abriu o maior sorriso. Ele se aproximou e falou:<br />
- Sr. Peter, vim lhe agradecer por me confortar ontem!<br />
Olhei para o garoto e perguntei se ele já tinha almoçado. Ele me<br />
respondeu que não. Então, o convidei para almoçar comigo e ele me<br />
respondeu que não podia.<br />
- Mas não pode por quê? - perguntei buscando entender porque<br />
ele não aceitara o meu convite. E ele me respondeu:<br />
- Porque a Sra. Greey e Samuel estão me esperando para almoçar.<br />
A Sra. Greey prepara o almoço todos os dias para mim e Samuel.<br />
Almoçamos juntos como uma família. Só vim mesmo lhe agradecer<br />
por me confortar e me levar para casa.<br />
- Está bem, Daniel, mas à noite quero que jante comigo lá na<br />
cidade. Você e Samuel.<br />
O garoto sorriu e disse:<br />
-Na cidade, Sr. Peter? Num restaurante? - perguntou o Daniel<br />
num misto de alegria e surpresa.<br />
- Sim, num restaurante - respondi.<br />
Ele ficou todo eufórico e perguntou onde ele e Samuel deveriam<br />
me encontrar. Eu pedi que ele avisasse a Samuel para me apanhar na<br />
pousada às 19h. Daniel ficou nas nuvens, com um sorriso no rosto<br />
muito engraçado. Antes de se retirar, aproximou-se, me deu um beijo<br />
no rosto e mais uma vez agradeceu pelo carinho na noite anterior. Depois,<br />
o danadinho saiu rindo! Pensei: &#8220;Esse Daniel!&#8221; Fiquei olhando-o deixar<br />
a pousada e fiquei imaginando que gostaria de ter um filho igual a ele.<br />
Ele era muito bonitinho e muito engraçado também. Daniel mexeu<br />
muito com meu lado paterno. Eu tenho um forte desejo de ser pai, mas<br />
até agora não pintou. Quem sabe futuramente?!<br />
Almocei, subi e fui para o meu quarto descansar. Eram mais de<br />
14:30h, quando Josephe me interfonou avisando que tinha um<br />
telefonema para mim na recepção. A primeira pessoa que me veio à<br />
cabeça foi a Srta. Karine. Imediatamente, perguntei ao gerente se era<br />
ela. Ele me disse que não, que era Rose. Levantei-me e fui atender a<br />
ligação.<br />
- Alô, Peter? Sou eu, Rose!<br />
- Sim, sou eu. Pode falar, o que houve?<br />
- Estou te ligando para agradecer por ter me convencido a ir visitar<br />
a Selena Iasmaya. Adorei a Vila e vou lecionar lá!<br />
Rose estava eufórica. Ela não conseguia parar de falar. Eu tentava<br />
falar e Rose me contava tudo o que tinha visto na Vila. Fiquei muito<br />
feliz por ela. Depois de me contar tudo rapidamente, ela se acalmou e<br />
continuou:<br />
- Peter, muito obrigada por me abrir os olhos. Como eu era boba<br />
em acreditar em todas essas lendas! Estou muito feliz e agradeço a você<br />
por ter me incentivado a me libertar dessa tolice. Começo na próxima<br />
segunda-feira. No início, vou trabalhar junto com a Selena Iasmaya, e<br />
até as crianças se acostumarem comigo, ficaremos juntas. Depois eu<br />
assumirei a turma dela.<br />
Rose deu uma parada e depois continuou.<br />
- Se eu pudesse escolher um marido, você seria o meu príncipe -<br />
fala e fica rindo - mas eu sei que nosso encontro aqui em Florentis foi<br />
só para selarmos uma linda amizade. Tenho certeza de que o dia que<br />
você voltar à cidade, nos dois já estaremos casados e muito felizes!<br />
Sorri e falei para Rose:<br />
- Nossa, Rose! Não sabia que você iria pegar o jeito das Selenas<br />
tão rápido!<br />
- Peter, na verdade, acho que de alguma forma sempre me<br />
identifiquei com elas. Você irá nos ver à noite?<br />
- Respondi que sim e aproveitei para convidá-la para jantar comigo,<br />
Daniel e Samuel. Combinamos tudo e depois nos despedimos.<br />
Eram 15h quando terminei nossa conversa. Voltei para o meu quarto,<br />
tomei um belo banho e me arrumei. Estava pronto para o encontro<br />
mais importante que ia ter em Florentis. Fui andando a passos curtos<br />
até a casa da Sra. Greey. Quando estava bem perto da casa do lago,<br />
percebi que ela já estava a minha espera em sua varanda. Aproximei-me<br />
com um sorriso e falei:<br />
- Sra. Greey queria falar comigo?<br />
- Sr. Sleiyver, que bom que o senhor veio! Eu estava a sua espera<br />
há muito tempo!. Entre, por favor.</p>
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		<item>
		<title>O Segredo da Sra Greey - 7º Capítulo / 3ª Parte</title>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 06:15:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Capítulos]]></category>

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		<category><![CDATA[O Segredo da Sra Greey]]></category>

		<category><![CDATA[Amor]]></category>

		<category><![CDATA[Dia das Mães]]></category>

		<category><![CDATA[Filhos]]></category>

		<category><![CDATA[Flôres]]></category>

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		<description><![CDATA[7º Capítulo - 3ª parte
Acordei com as gargalhadas da Sra. Greey. Eram quase dez horas
da noite. Fui para a janela e vi que Daniel estava sentado próximo ao
lago, do lado da Pousada, e que Samuel também se encontrava ao seu
lado, ambos somente observando. Vesti uma roupa e fui até eles, queria
entender o que acontecia com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>7º Capítulo - 3ª parte</strong></p>
<p>Acordei com as gargalhadas da Sra. Greey. Eram quase dez horas<br />
da noite. Fui para a janela e vi que Daniel estava sentado próximo ao<br />
lago, do lado da Pousada, e que Samuel também se encontrava ao seu<br />
lado, ambos somente observando. Vesti uma roupa e fui até eles, queria<br />
entender o que acontecia com a Sra. Greey.<br />
Chegando perto deles, percebi que Daniel estava de cabeça baixa<br />
chorando e que Samuel estava com os olhos cheios de lágrimas. Parei e<br />
também fiquei observando os gestos e a fala da Sra. Greey que em seu<br />
momento de loucura, delirando, olhava na direção do lago e falava:<br />
- Muito bem!&#8230; Calma! Não foi nada!&#8230; Oh, meu amor! Que lindo!&#8230;<br />
Vem com a mamãe! - enquanto pronunciava essas frases, ela fazia um<br />
gesto como se estivesse abraçando alguém e continuava - Isso! Vai!<br />
Ahhhh, filho! Tenta de novo, você vai conseguir, meu amor!&#8230; Muito<br />
bem! Muito bem!&#8230; Não tenha medo, mamãe está do seu lado!<br />
Eu olhava para o lago e não conseguia ver nada. Talvez a partir do<br />
reflexo da luz da lua nas árvores, a Sra. Greey pudesse ver algum desenho,<br />
sei lá. Foi a única coisa que me passou pela cabeça para tentar entender<br />
o que estava acontecendo. Ela parecia estar em transe! Quanto mais<br />
alto ela falava e mais gestos fazia, mais Daniel chorava! Tirei Daniel do<br />
chão e o coloquei de pé ao meu lado. Daniel me abraçou e ficou ali<br />
grudado em mim chorando. E a Sra. Greey continuava:<br />
- Vai!&#8230; Vai&#8230; Agora! Gollllllll!&#8230; Muito bom! - nesse momento,<br />
ela pulava e ria muito. - Você é o melhor, meu filho! Muito bom!&#8230;<br />
Não! Não chore, pois a mamãe vai passar um remedinho, é só um<br />
machucadinho&#8230; Pronto, viu? Não doeu nada!&#8230; Ah, meu filho! Que<br />
linda flor! - ela ergue a mão como se estivesse recebendo alguma coisa,<br />
um flor das mãos de seu filho. - Obrigada, você é o melhor filho do<br />
mundo! Mamãe te ama!&#8230; Outra flor? Nossa! Sou a mulher mais feliz<br />
do mundo! Meus filhos amados, sou tão feliz com vocês!&#8230;<br />
Daniel nessa hora começou a chorar muito a ponto de soluçar. Eu<br />
o peguei no colo e ele encostou sua cabeça em meu ombro e disse:<br />
- Sr. Peter, a Sra. Greey está sentindo muitas saudades de seus<br />
filhos, por isso ela está assim! Depois, Daniel encostou sua cabeça em<br />
meu ombro de novo e ficou abraçado comigo chorando, mas agora<br />
senti que ele estava mais calmo.<br />
Observei que a lua já não iluminava tanto o lago naquela hora e que<br />
conforme as formas, que eu acredito que a Sra. Greey estava vendo no<br />
lago, iam sumindo, ela ia se acalmando, falando menos e mais baixo e<br />
fazendo menos gestos. A essa altura nós já não conseguíamos mais<br />
escutar o que ela falava, mas teve um momento que até eu fiquei<br />
emocionado. Foi quando ela falou mais alto de novo, como se estivesse<br />
se despedindo de alguém.<br />
- Vocês são as melhores coisas de minha vida!&#8230; Eu estarei sempre<br />
ao lado dos meus amores!&#8230; Se eu sou linda é porque vocês me fazem<br />
me sentir linda!&#8230; Se eu tenho olhos brilhantes é porque são vocês que<br />
me dão esse brilho!&#8230; Se eu sou cheirosa é porque recebo tanto amor<br />
que minha essência exala o mais puro sentimento que uma mãe pode<br />
ter&#8230; EU AMO VOCÊS!&#8230; EU AMO VOCÊS&#8230; EU VOU AMÁ-LOS<br />
PARA SEMPRE!<br />
Depois disso, a Sra. Greey sentou-se em sua cadeira de balanço e<br />
ficou ali se balançando, só que agora com um olhar muito triste. Olhei<br />
para Samuel e ele estava chorando. Daniel, que estava em meu colo,<br />
ainda agarrado comigo, chorava e soluçava. Perguntei a Samuel desde<br />
que horas a Sra. Greey estava nesse estado.<br />
Ele me disse que desde às 21h.<br />
- É mais ou menos a essa hora que ela começa a ter essas crises.<br />
Não duram muito tempo - comenta Samuel tristonho. Mas é tempo<br />
suficiente para partir o nosso coração.<br />
Perguntei ao Samuel se Daniel morava muito longe e ele me<br />
respondeu que Daniel vivia na periferia, um pouco distante dali, quase<br />
uns trinta minutos da pousada.<br />
- Então, vamos levá-lo para casa, Samuel.<br />
Samuel me olhou e disse:<br />
- Eu sempre o levo, Sr. Peter. Ele é muito pequenininho para andar<br />
sozinho por essas ruas à noite. Apesar de ele ser um menino esperto,<br />
tem apenas oito anos. Faço isso não só porque a Sra. Greey paga a<br />
gasolina, mas por mim mesmo. Gosto muito desse menino. Ele trabalha<br />
ajudando a Sra. Greey desde os quatro anos de idade, para ajudar sua<br />
família que é muito pobre.<br />
- Então vamos, Samuel.<br />
Seguimos até o carro e Daniel não quis nem sentar-se ao meu lado,<br />
queria ficar mesmo no meu colo, grudado comigo. Rumamos para a<br />
periferia de Florentis. No início, até que o aspecto do lugar não era<br />
muito ruim, era mais ou menos como a zona norte do Rio de Janeiro,<br />
nas partes mais pobres, mas à medida que íamos adentrando a periferia,<br />
pude ver que Florentis, apesar de toda a sua beleza, também tinha os<br />
mesmos problemas que outros centros urbanos. Ruas escuras e desertas,<br />
malandros nas ruas e alguns homens armados. Lixo espalhado pelas<br />
ruas, buracos, algumas partes com valas abertas, meninas novas se<br />
prostituindo&#8230; Igual a todos os problemas que minha cidade tem&#8230; A<br />
única diferença é que a população era menor. Samuel me disse para<br />
ficar tranqüilo, pois os moradores do local já conheciam o seu carro e<br />
sabiam que ele estava levando Daniel para casa.<br />
Quando nos aproximávamos da casa de Daniel, percebi que ele<br />
havia pegado no sono e avisei a Samuel que gostaria de colocá-lo direto<br />
na cama para ele não acordar. Chegamos em frente à casa do garoto,<br />
sua mãe já estava na varanda esperando por ele. Samuel pediu-me para<br />
esperar e foi na frente conversar com a mãe de Daniel, depois ele voltou<br />
e abriu a porta para que eu pudesse saltar do carro. A mãe de Daniel<br />
abriu a porta e me levou até um pequeno quartinho que era do menino.<br />
Era tudo pequenino, mas muito bem arrumadinho. Eu o coloquei na<br />
cama, dei-lhe um beijo na testa e saí.<br />
Depois conversamos um pouco com a mãe do garoto e Samuel<br />
avisou-me que deveríamos ir embora, pois estava ficando muito tarde e<br />
que aquela área era muito perigosa. Despedi-me da mãe de Daniel e<br />
segui com Samuel para Florentis. Samuel também estava chateado e<br />
nem fez brincadeiras comigo. Chegando ao centro da cidade, Samuel<br />
perguntou-me se eu queria passar no barzinho e disse que me esperaria<br />
no carro. Eu disse a Samuel que queria passar rapidinho para falar com<br />
as meninas e o convidei para ir junto comigo.<br />
- Eu, Sr. Peter? Acho que as meninas não irão gostar.<br />
Respondi a Samuel que ele era meu convidado e entramos no<br />
barzinho. Samuel estava todo sem graça, ele devia ter uns 45 anos, mais<br />
ou menos. Sentamos à mesa com as meninas. Estavam presentes mais<br />
duas amigas de Karine, além de Rose e Vailery, que eu ainda não<br />
conhecia. Embora elas já conhecessem Samuel, eu o apresentei<br />
novamente, mas desta vez como meu amigo. Começamos a bater papo<br />
e Karine não tirava os olhos de mim.<br />
Eu estava conversando com todas as meninas e, em um determinado<br />
momento, Karine começou a se pendurar no meu pescoço beijandome<br />
a toda hora. Depois começou a virar meu pescoço em sua direção,<br />
demonstrando que queria atenção exclusiva para ela. Se ela soubesse o<br />
quanto isso me irrita, não teria nem mesmo se sentado ao meu lado.<br />
Eu já estava muito irritado com a insistência de Karine e resolvi<br />
chamar Samuel para ir embora, mas antes puxei Rose para um pouco<br />
mais longe da mesa e perguntei a ela se já tinha se decidido sobre ir ou<br />
não à Vila das Selenas. Rose disse que havia se decidido e que iria<br />
conversar com Selena Iasmaya, mas que não sabia se iria aceitar o convite<br />
para trabalhar lá.<br />
- Tenho certeza de que você irá gostar muito de Selena Iasmaya &#8212; eu disse.<br />
Rose agradeceu-me e perguntou se eu iria me despedir das meninas<br />
antes de ir embora. Eu disse que sim, dei-lhe um beijo na testa e voltei<br />
para a mesa. Deixei o valor correspondente ao que considerei ser mais<br />
do que 70% do valor do total da conta, minha parte e a das meninas<br />
também. O restante deixei que elas completassem. Eu e Samuel nos<br />
levantamos e Karine foi atrás de mim. Ela me segurou pelo braço e<br />
falou:<br />
- Peter, você está pensando que é assim? Você vem, me paquera,<br />
me beija e depois vai embora sem me dar ao menos uma satisfação?<br />
Tirei as mãos de Karine de meu braço e disse:<br />
- Eu não te paquerei&#8230; Eu não te beijei&#8230; Eu beijei a sua mão, foi<br />
você quem me puxou e me deu um beijo. Não estava fazendo nada e<br />
aceitei. Só isso!<br />
- Eu agi assim porque gostei muito de você, Peter! Tenho certeza<br />
de que você é o homem de minha vida. Leva-me com você para a sua<br />
cidade. Eu serei a melhor mulher que um homem pode querer em sua<br />
vida - ela me abraçou e disse em um tom choroso.</p>
<p>Afastei-a de mim cuidadosamente e disse:<br />
- Karine, não sou o homem que procura&#8230; Tenho certeza de que<br />
você encontrará o homem certo. Agora preciso ir.<br />
Ela ficou me olhando e eu senti que o assunto não ia parar por ali.<br />
&#8220;Putz, eu me meto em cada confusão com mulheres, pensei. Eu<br />
realmente não aprendo!&#8221; Eu e Samuel seguimos para o carro e ele estava<br />
com uma cara. Eu sabia que ele iria debochar de mim. Entramos no<br />
carro e Samuel começou a falar me imitando:<br />
- Samuel, vai cuidar da sua vida e deixa que com as mulheres eu<br />
me viro! - ele ria muito de mim, de dar gargalhada.<br />
Eu mesmo não agüentei, comecei a rir e comentei com Samuel:<br />
- Eu não sei porque eu atraio essas coisas.<br />
- Eu lhe avisei!&#8230; - e ele continuou - Sr. Peter, apesar de Florentis<br />
ser um lugar lindo, as moças daqui querem ir para as cidades mais<br />
modernas, onde elas possam realmente ser vistas. Aqui, elas são as mais<br />
cheirosas, no entanto, há poucos homens em relação ao número de<br />
mulheres.<br />
Eu falei a Samuel que havia percebido que tinha mulher demais em<br />
Florentis&#8230; Lembrei-me de Marcelo Dickmman um colega de trabalho<br />
muito mulherengo, ele iria adorar!<br />
Samuel perguntou-me se eu queria visitar algum buraco de Florentis?<br />
Eu comecei a rir e comentei com ele que essa era a minha intenção mais<br />
cedo, mas que, agora, depois de ter assistido a Sra. Greey naquele estado<br />
e de ver como Daniel ficara, tinha perdido até o tesão.<br />
- Me leva para a pousada, Samuel. Quero dormir, amanhã eu irei<br />
visitar a Sra. Greey, logo após o almoço.<br />
- Obrigado, Sr. Peter, por ir visitar a Sra. Greey. Ela vai ficar muito<br />
feliz!<br />
Samuel me deixou na pousada e eu, antes de entrar e ir para o meu<br />
quarto, segui até o lago. Queria ver se a Sra. Greey ainda estava na<br />
varanda. Ela já havia se recolhido. Fiquei ali parado por alguns minutos,<br />
lembrando-me de sua crise, depois fui dormir.</p>
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		<title>O Segredo da Sra Greey - 7º Capítulo / 2ª Parte</title>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 05:57:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[7º Capítulo - Segunda Parte
Selena Iasmaya mostrou-me muitas coisas, as hortas da Vila, as ervas
que as Selenas verdadeiras vendem na feirinha, uma enorme plantação
de flores! Cada uma mais bonita que a outra. Cheirosas iguais às mulheres
de Florentis. Eu parecia estar enfeitiçado naquele lugar! Quanto mais
nos dirigíamos para dentro da floresta, mais encantado eu ficava. O
canto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>7º Capítulo - Segunda Parte</strong></p>
<p>Selena Iasmaya mostrou-me muitas coisas, as hortas da Vila, as ervas<br />
que as Selenas verdadeiras vendem na feirinha, uma enorme plantação<br />
de flores! Cada uma mais bonita que a outra. Cheirosas iguais às mulheres<br />
de Florentis. Eu parecia estar enfeitiçado naquele lugar! Quanto mais<br />
nos dirigíamos para dentro da floresta, mais encantado eu ficava. O<br />
canto dos pássaros era maravilhoso. Tinha um lindo bem perto de mim<br />
e da Selena. Paramos e ficamos ouvindo e admirando o seu canto.<br />
Depois começamos a conversar sobre a cultura da Vila e como eles<br />
convivem com os moradores de Florentis. Selena Iasmaya falou-me<br />
coisas que me deixaram sem palavras e algumas delas eram até bastante<br />
engraçadas! Ela me disse sorrindo que, ao contrário do que muitas<br />
pessoas de Florentis pensam, elas são muito mais normais do que os<br />
habitantes daquela cidade.<br />
- O estudo aqui é levado muito a sério, não só o que se refere à<br />
nossa cultura, mas também o ensino do currículo normal. Temos<br />
autorização do departamento de educação competente, com<br />
reconhecimento curricular, para alfabetizarmos nossos filhos na própria<br />
Vila até a quarta série primária. A partir daí, todos passam a estudar em<br />
Florentis e, quando se interessam em cursar um nível superior, fazem<br />
prova para uma faculdade na cidade vizinha. Florentis tem excelentes<br />
escolas públicas. São as melhores da região. E a faculdade, que fica na<br />
outra cidade, também é muito conceituada.<br />
E Selena Iasmaya continua:<br />
- Em nossa Vila temos médicos, professores, psicólogos,<br />
engenheiros, advogados, contadores etc., e, modéstia à parte, temos<br />
excelentes profissionais aqui.<br />
Olhei para Selena Iasmaya, sorri e falei:<br />
- Esqueceu de dizer que aqui também moram jornalistas.<br />
- Eu sou a única jornalista entre as Selenas, Sr. Peter. Tenho paixão<br />
por essa profissão. Trabalho no Jornal de Florentis e presto serviços a<br />
algumas revistas de outras cidades como freelancer. Além disso, também<br />
dou aula aqui para as turmas do primário. Confesso que está meio<br />
confuso conciliar tudo isso. Acho que futuramente precisarei deixar um<br />
de meus trabalhos. Como o senhor sabe, como Vice-presidente do<br />
conselho da Vila, também tenho minhas responsabilidades; na verdade,<br />
muitas responsabilidades.<br />
Ela continuou a falar com orgulho dos descendentes de Selenas:<br />
- Muitos dos nossos moram em Florentis ou em cidades próximas<br />
por opção ou porque profissionalmente lhes é mais conveniente. Se o<br />
senhor observar, algumas casas estão fechadas. Essas são casas de<br />
descendentes de Selenas que moram fora e vêm passar finais de semana<br />
ou a temporada de férias aqui. Como o senhor pode ver não somos<br />
muito diferentes.<br />
Eu perguntei à Selena Iasmaya o que tornava as Selenas e seus<br />
descendentes diferentes da população de Florentis. Ela me respondeu<br />
com um sorriso nos lábios que eram a cultura, alguns hábitos, o folclore<br />
e as lendas.<br />
- Os mais antigos criaram tantas lendas em volta das Selenas que<br />
passamos a ser um povo temido. E, durante muitos anos, foi complicado<br />
viver em Florentis.<br />
- Após a vinda da Selena Mãe, aquela senhora que o senhor falou,<br />
é que o povo de Florentis passou a mudar um pouco a sua forma de<br />
pensar. Selena Mãe chegou aqui já mocinha. Ela era filha de uma Selena<br />
que morou por muito tempo na cidade. Quando aqui chegou ela causou<br />
muitos atritos entre as Selenas, porque queria que a Vila se integrasse<br />
ao povo da cidade. Ela levou muitos anos para ser respeitada e depois<br />
de muito argumentar ao lado de sua mãe, e mais tarde apoiada também<br />
por seu marido e filhos, conseguiu aos poucos ir mudando a cabeça dos<br />
mais antigos e das Selenas mais radicais. E foi assim que a Vila se tornou<br />
esse paraíso cheio de paz que o senhor está vendo!<br />
Olhei para Selena Iasmaya, sorri e falei:<br />
- Não é bem assim! Ouvi muitas lendas na Cidade de Florentis<br />
sobre as Selenas&#8230;<br />
- Temos nossa cultura e também nossos segredos, mas nada que<br />
faça mal às pessoas. Muitas dessas lendas foram perpetuadas<br />
propositadamente. Afinal, qual seria o charme de Florentis? Não é<br />
verdade?! O que mais lhe intrigou em Florentis? - Selena Iasmaya<br />
pergunta e fica rindo.<br />
- Eu me interessei muito pelas histórias contadas sobre as Selenas,<br />
por isso vim até aqui para ver com meus próprios olhos.<br />
E Selena Iasmaya continuou dando alguns exemplos sobre a cultura<br />
de seu povo.<br />
- Entre o seu povo, vocês comemoram aniversários, certo?<br />
- Eu respondi que sim. E ela continuou:<br />
- Nós aqui na Vila também comemoramos, mas de uma forma<br />
diferente. Juntamos todos os aniversários do mês e comemoramos de<br />
uma só vez em volta daquele círculo ali. Venha comigo que eu vou lhe<br />
mostrar.<br />
Selena Iasmaya me levou para uma parte mais aberta da floresta,<br />
perto de uma cachoeira. Ali havia um outro círculo igual àquele do<br />
centro da Vila, só que sem água, apenas com as toras e os vasos contendo<br />
flores. No centro desse círculo tinha uma espécie de braseiro, como se<br />
acendessem uma fogueira ali.<br />
Ela me olhou, começou a rir e depois falou:<br />
- Sr. Peter, não queimamos criancinhas e nem animais aqui. Todo<br />
final de mês a comunidade da Vila se reúne para comemorar os<br />
aniversários do mês.<br />
- Por uma questão de ritual de nossa cultura dentro daquilo que<br />
acreditamos, fazemos uma fogueira naquele círculo e dançamos em volta<br />
dele. E quando acendemos a fogueira, após nossas mentalizações do<br />
desejo de saúde e de muitas felicidades, colocamos uns ingredientes.<br />
Pequenos segredinhos que temos nessa fogueira&#8230; E quando fazemos<br />
isso, as labaredas vão lá em cima. As crianças adoram e acreditam que<br />
seus desejos serão atendidos. Assim como as crianças de seu povo<br />
acreditam em Papai Noel, duendes, fadas, bruxas etc., nossas crianças<br />
também têm suas próprias crenças. Com o tempo, nós vamos contando<br />
a verdade para eles, mas alguns mais espertinhos logo descobrem.<br />
Eu comecei a rir e lembrei-me de Rose.<br />
Selena Iasmaya também riu e falou:<br />
- Eu sei no que o senhor está pensando. As pessoas, em geral,<br />
comentam que fazemos bruxarias para as mulheres que se perderam e<br />
precisam casar-se correndo ou para fazer com que suas menstruações<br />
desçam o mais rápido possível. Quanta maldade desse povo, Sr. Peter!<br />
E ela continua.<br />
- Sr. Peter, as Selenas são a favor da vida! Jamais faríamos qualquer<br />
coisa para tirar uma vida. Nós conhecemos sim as ervas abortivas, mas<br />
não as indicamos nem tampouco as oferecemos a ninguém. Algumas<br />
Selenas que foram banidas de nossa Vila, exatamente por passar essa<br />
informação adiante e hoje moram por aí, é que nos deixaram nessa<br />
situação. Aqui em nossa Vila quando uma de nossas filhas engravida<br />
antes do tempo, elas sabem que têm de assumir suas responsabilidades.<br />
Todas recebem nosso apoio, desde que trabalhem para sustentar sua<br />
criança e que tenham responsabilidades não só de mãe, mas também de<br />
mulher, não engravidando outras vezes sem estarem casadas ou ao<br />
menos ao lado de alguém que elas saibam que realmente podem contar.<br />
Na última reunião do conselho que fizemos, mais uma vez ficamos<br />
muito felizes. Pois há quatro anos nossas filhas da Vila não engravidam<br />
antes do tempo. Fizemos várias campanhas educativas de como prevenir<br />
a gravidez e também as doenças sexuais. Incentivamos nossas filhas a<br />
estudar primeiro, a ter uma profissão e depois, sim, cabe a elas decidirem<br />
o que mais lhe convier.<br />
Olhei para Selena Iasmaya e fiquei realmente admirado com o que<br />
ela havia acabado de me falar.<br />
- Acompanhamos também todas as campanhas de vacinação das<br />
crianças, prevenção da mulher e do homem. E todas as campanhas que<br />
julgarmos necessárias para o bem-estar de nosso povo serão bem-vindas<br />
em nossa comunidade. Como já disse, não somos as donas da verdade.<br />
Nossas ervas, que são muito utilizadas em Florentis e também por nós<br />
aqui na Vila, são voltadas para tratamentos de doenças simples e também<br />
para substituir alguns medicamentos que produzem o mesmo efeito.<br />
Esse tipo de tratamento à base de ervas, além de ser eficiente no combate<br />
às doenças, permite que as pessoas mais humildes tenham como dar<br />
continuidade ao tratamento. Mas sempre alertamos que as pessoas devem<br />
procurar antes um médico, assim como nós também fazemos antes de<br />
começarmos a nos tratar. O senhor deve ter visto uma Selena na feirinha<br />
vendendo um remédio que cura o câncer. Pois eu lhe digo, não há<br />
nenhuma evidência em nossos registros que essa erva faça tal cura. E<br />
estamos alertando as pessoas da cidade contra essa erva, pois se ela não<br />
for dissolvida de forma correta poderá tornar-se tóxica<br />
Ao ouvir isso, eu disse a ela que havia visto sim e aproveitei para<br />
perguntar-lhe porque tantas mulheres se passavam por Selenas nas<br />
feirinhas.<br />
- São mulheres que vêm da periferia de Florentis e não conseguem<br />
emprego. Elas aprenderam um pouco sobre as histórias das Selenas e<br />
conseguiram, com algumas Selenas desgarradas que fazem tudo por<br />
dinheiro, fórmulas de perfumes e um pouco de conhecimento sobre<br />
ervas - explicou-me.<br />
De repente, senti um cheiro de pão, broa, sei lá. Um cheiro muito<br />
bom! Selena Iasmaya sorriu e perguntou-me delicadamente se eu aceitaria<br />
fazer um lanche com elas.<br />
Eu fiquei meio sem graça e Selena Iasmaya começou a rir de mim e<br />
disse:<br />
- Sr. Peter, usamos pó de café comprado em supermercado, açúcar<br />
mascavo, açúcar normal e adoçante. E esse cheirinho de broa é igualzinho<br />
ao que o senhor come no café da manhã que é servido na pousada.<br />
Somos nós que fazemos e entregamos lá bem cedinho.<br />
- E então, vamos? - ela insistiu no convite.<br />
Fiquei rindo do jeito dela e aceitei lanchar com eles.<br />
Selena Iasmaya levou-me até sua casa. Uma casa bonita de dois<br />
andares e com muitas plantas. No meio de sua sala de estar, havia um<br />
tronco de árvore. Achei muito interessante!<br />
Quando olhei para uma salinha à minha esquerda, vi Selena Sara<br />
conversando com as filhas de Selena Iasmaya.<br />
Selena Iasmaya tem três filhas: Yasmin, Inaya e Heleyne. Todas<br />
moças entre 08 e 18 anos. Pelo menos é o que eu acho. Selena Iasmaya<br />
chamou-me e apresentou-me às meninas. Depois de nos<br />
cumprimentarmos educadamente, todos seguimos para uma pequena<br />
saleta, tipo jardim de inverno. Sentei-me com as Selenas Sara e Iasmaya<br />
e as meninas sentaram-se em outra mesa. Vez ou outra ficavam me<br />
olhando e rindo! Senti-me um extraterrestre sendo observado por elas.<br />
Percebendo o meu desconforto com os olhares das meninas, Selena<br />
Iasmaya disse-me que eu não ligasse, pois suas filhas eram assim mesmo,<br />
muito curiosas. O café estava ótimo e a broa então, nem se fala.<br />
Engraçado que eu não sou de comer muito não, mas nessa tarde eu me<br />
fartei!<br />
Selena Iasmaya contou-me sobre os costumes alimentares da Vila.<br />
Eles não comem frango. Segundo os mais estudiosos no assunto, a<br />
gordura do frango faz mal ao cérebro. Eles comem carne de rã, cobra,<br />
cabrito e de boi. Selena explicou-me que eles têm uma técnica para<br />
abater os animais de modo que eles não sofram tanto fazendo com que<br />
a carne fique mais saudável. Contou ainda, que esse abate é feito só<br />
pelos homens em uma pequena fazenda que pertence à Vila situada<br />
floresta abaixo. O povo da Vila se alimenta também de muito peixe,<br />
verduras, legumes e raízes. Até que me identifiquei com essa parte, é<br />
bem a minha cara!<br />
Conversei bastante e quando deu 17h avisei as Selenas que precisava<br />
ir embora, mas antes perguntei à Selena Iasmaya se na escola da Vila<br />
havia vaga para uma professora. Quando eu ia completar a minha<br />
pergunta, Selena Iasmaya interrompeu-me e falou:<br />
- Você quer saber se tem vaga por causa de Rose?<br />
- Sim. Rose conhece tantas histórias de Florentis e narra com tanto<br />
carinho que penso que as crianças iriam adorar! - respondi.<br />
- Nós até gostaríamos de tê-la como professora da Vila, mas ela<br />
tem medo da gente. Selena Sara já mandou um recado para ela vir<br />
conversar comigo, mas até hoje ela não veio.<br />
- Você se importaria se eu tentasse convencer Rose a visitar a Vila?<br />
Selena Iasmaya respondeu que eu podia tentar, porém, Rose deveria<br />
ir sozinha à Vila.<br />
Eu disse que tudo bem e comecei a me despedir. Dei um tchau<br />
geral para as meninas que continuavam a me olhar de forma engraçada.<br />
Selena Iasmaya nos acompanhou até a saída da Vila.<br />
Despedi-me agradecendo pelo carinho e pela atenção dispensada e<br />
falei para a Selena Iasmaya que há muito tempo não tinha um dia tão<br />
agradável.<br />
- Volte na primavera, Sr. Peter! Fazemos muitas festas nessa época.<br />
Vá com Deus, meu irmão! - ela despediu-se.<br />
Quando Selena Iasmaya me chamou de irmão fiquei até meio sem<br />
fala. Elas têm um jeito muito agradável de tratar as pessoas. Quando ela<br />
se referia às filhas da Vila, na verdade se referia a todas as moças da<br />
comunidade.<br />
Fiquei meio perdido na hora de ir embora e procurei pela Selena<br />
Sara. Quando olhei, ela já estava dentro do carro com Samuel, que mais<br />
uma vez estava rindo de mim. Entrei no carro e seguimos para a cidade.<br />
Descemos na feirinha e brinquei com Daniel dizendo que depois<br />
teríamos de ter uma conversinha. Não é que o danado do menino ficou<br />
rindo de novo de mim! Despedi-me de Selena Sara agradecendo pela<br />
companhia e por me levar à Vila das Selenas. Quando fui lhe dar um<br />
abraço, senti o cheiro do mesmo perfume que minha mãe usava. Depois<br />
lhe dei um beijo na testa e disse que, antes de ir embora, a procuraria<br />
para me despedir. Selena Sara agradeceu e disse que não tinha a menor<br />
dúvida de que eu a encontraria de novo. Paguei Samuel e depois segui<br />
para a loja de Rose. Queria tentar convencê-la a conversar com a Selena<br />
Iasmaya.<br />
Quando entrei na loja de Rose, ela ficou me olhando e logo me<br />
perguntou o que tinha havido para eu estar assim tão eufórico. Eu disse<br />
a ela que precisávamos conversar sobre um assunto particular e perguntei<br />
se ela poderia deixar a loja por uns minutinhos. Rose, meio sem graça,<br />
falou com a gerente que ia fazer um lanche e que não demoraria. Fomos<br />
até a feirinha e comecei a conversar com Rose sobre a possibilidade de<br />
ela ir até a Vila. Ela empalideceu e recusou imediatamente.<br />
- Nem pensar, Peter! Tenho medo dessa gente! Sei lá o que pode<br />
acontecer comigo. Os que eles fizeram com você? Te enfeitiçaram?<br />
Fiquei mais de dez minutos falando, sem deixar que Rose me<br />
interrompesse para questionar alguma coisa e, no final, pedi a ela que<br />
pelo menos pensasse nessa possibilidade. Ela ficou balançada, mas<br />
demonstrava muito medo. Rose disse que ia pensar e que à noite me<br />
falaria qual seria a sua resposta.<br />
Despedi-me de Rose, peguei um táxi e fui para a pousada. Lá<br />
chegando, tomei um banho e deitei-me na minha cama. Fiquei com<br />
meus pensamentos longe! Fiquei pensando em minha Tia Joiyn. Ela iria<br />
adorar esse lugar! Do jeito que ela é, seria bem capaz de ir morar na<br />
Vila das Selenas! Ah! Tia Joiyn, estou com saudades! Depois de minha<br />
mãe, minha tia é a pessoa que mais me conhece, é capaz de saber o que<br />
estou sentindo só num olhar. Sillerman também, mas ela é demais! &#8220;Que<br />
dia maravilhoso! Há muito tempo que não me sentia tão bem!&#8221;, pensei.<br />
Para ficar ainda melhor, faltava apenas agora eu sair com uma mulher,<br />
já que a coisa estava ficando feia para o meu lado. Mas Karine, não!<br />
Nem pensar! Rose menos ainda, porque ela é muito romântica e está à<br />
espera de um Sr. Greey em sua vida. E se eu saísse com ela, poderia<br />
ficar impressionada achando que eu era o seu príncipe e acabaria fazendo-a<br />
sofrer. &#8220;Depois que passar no barzinho à noite, vou pedir ao Samuel<br />
para me levar a algum lugar diferente. Aquele maluco deve conhecer<br />
todos os buracos daqui&#8221;, planejei. Fiquei olhando pela janela aquela<br />
natureza de Florentis e acabei adormecendo.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><a title="O Segredo - 7º Capítulo" href="http://blogcronicas.com/Segredo/2008/05/04/o-segredo-da-sra-greey-7%c2%ba-capitulo-3%c2%aa-parte/" target="_blank">Continue aqui</a></strong></span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>O Segredo da Sra Greey - 7º Capítulo/1ª Parte</title>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 05:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Capítulos]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[O Segredo da Sra Greey]]></category>

		<category><![CDATA[Magia]]></category>

		<category><![CDATA[Minicontos]]></category>

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		<description><![CDATA[7º Capítulo - 1ª parte
Cheguei à feirinha por volta das 12:30h e a Selena Sara já estava
com sua barraquinha montada. Aproximei-me dela e perguntei-lhe se
eu poderia visitar a Vila das Selenas. Ela disse que sim e me informou
que o guia de turismo de Florentis conduz os visitantes a um passeio
pela floresta e depois os leva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>7º Capítulo - 1ª parte</strong></p>
<p>Cheguei à feirinha por volta das 12:30h e a Selena Sara já estava<br />
com sua barraquinha montada. Aproximei-me dela e perguntei-lhe se<br />
eu poderia visitar a Vila das Selenas. Ela disse que sim e me informou<br />
que o guia de turismo de Florentis conduz os visitantes a um passeio<br />
pela floresta e depois os leva para conhecer a Vila. Selena Sara dá uma<br />
parada olha para mim e fala:<br />
- Se o senhor quiser, eu posso levá-lo até lá. Se não se importar<br />
em desfrutar da companhia de uma velha, é claro!<br />
Eu respondi que seria um prazer ser acompanhado por ela até a<br />
Vila e perguntei quando poderíamos ir até lá. Ela respondeu<br />
imediatamente:<br />
- Agora mesmo, Sr. Peter!<br />
- Agora? Mas e a sua barraquinha?<br />
- Quando preciso sair, tenho uma pessoa muito especial que toma<br />
conta da barraquinha para mim - ela me explicou sorrindo. Em seguida,<br />
fez um sinal para alguém que estava atrás de mim e quando me virei<br />
para olhar, vi que a pessoa a quem ela se referiu e que estava se<br />
aproximando para assumir seu posto era Daniel.<br />
Olhando para mim com um sorriso no canto da boca, Daniel falou:<br />
- Pois não, Selena Sara. A senhora precisa que eu fique na<br />
barraquinha?<br />
- Sim, Daniel, mas preciso que antes vá chamar o taxista Samuel.<br />
Eu comecei a rir, pois lá estavam os fieis escudeiros da Sra. Greey<br />
me rondando de novo, só que desta vez junto com a Selena Sara. Samuel<br />
se aproximou e se dirigiu imediatamente a Selena Sara perguntando se<br />
ela mandara chamá-lo.<br />
-Sim, Samuel! O Sr. Peter deseja visitar a Vila das Selenas. Você<br />
pode nos levar até lá? - ela perguntou ao taxista.<br />
- Com o maior prazer, Selena. Vou buscar o carro e paro bem aqui<br />
na saída da feirinha para buscá-los. Só um minutinho, que já venho.<br />
- Obrigada, Samuel.<br />
Enquanto Selena Sara falava com Samuel, Daniel ficava me olhando<br />
com vontade de rir e eu não entendia o porquê de ele estar se<br />
comportando daquele jeito. Fiz um sinal para ele dando a entender que<br />
depois conversaríamos. Aí mesmo que ele riu de mim. Pensei: &#8220;Que<br />
moleque!&#8221;, depois, eu mesmo achei graça do jeito do menino.<br />
Samuel trouxe o carro ao local onde havíamos combinado de<br />
encontrá-lo e eu fui até o táxi de braços dados com a Selena Sara.<br />
Enquanto Samuel fazia o trajeto até a Vila, vez ou outra ele me olhava<br />
pelo retrovisor e exibia o mesmo sorriso que Daniel havia me dado lá<br />
na feirinha. Eu já estava ficando meio irritado com essa maneira deles<br />
me olharem! Selena Sara, muito quieta, admirava a paisagem, enquanto<br />
eu ia conversando com Samuel.<br />
O caminho até a Floresta de Florentis é lindo! Quando Rose falou<br />
sobre os pássaros, ela não estava exagerando, pois havia muitos e seu<br />
canto era maravilhoso! Do interior do carro, eu podia sentir o cheiro da<br />
natureza e era invadido por um sentimento de paz muito grande.<br />
Durante o percurso, Samuel contou algumas histórias interessantes<br />
e Selena Sara, em determinados momentos, confirmava o que o taxista<br />
dizia. Quando cheguei à entrada da Vila, fiquei impressionado. O que<br />
os moradores de Florentis e as próprias Selenas chamavam de vila era,<br />
na verdade, um condomínio fechado, com os mais variados tipos de<br />
casas. Algumas casas eram muito bonitas, outras mais simples e ainda<br />
existiam, mais acima, bem próximo à floresta, alguns chalés.<br />
Impressionado com o que eu vira, olhei para Samuel e Selena Sara<br />
e perguntei:<br />
- É isso que vocês chamam de Vila? Onde eu vivo, chamamos<br />
construções desse tipo de condomínio. Eu mesmo o classificaria como<br />
um condomínio de classe média.<br />
Os dois ficaram rindo de mim. E eu continuava com aquela cara de<br />
panaca diante da tal Vila!<br />
Sorrindo, Selena Sara me disse:<br />
- Sr. Peter, estamos no ano de 1999. Mesmo sendo Selenas ou<br />
descendentes delas, somos um povo organizado e estudioso.<br />
Trabalhamos como qualquer outra pessoa e também temos acesso à<br />
cultura externa. Nunca fomos ignorantes a ponto de achar que éramos<br />
os donos da verdade. O mundo mudou e a vida das Selenas e da nossa<br />
Vila também. Vamos entrar&#8230;<br />
Entrei na Vila das Selenas e fiquei observando as casas. Algumas<br />
eram muito lindas, exatamente do jeito que eu gosto, com muito espaço<br />
no quintal, bastante verde, sem muitos exageros na construção e nada<br />
de muito luxuoso. Observei também alguns detalhes muito interessantes.<br />
As casas, fossem elas simples ou mais luxuosas, quem sabe o melhor<br />
termo para defini-las seria arquitetadas - de dois andares com uma<br />
varanda tipo chalé -, todas sem exceção tinham um totem de madeira<br />
de mais ou menos 1,70m de altura com escritas que eu não conheço.<br />
Ao lado de cada tora dessas havia um vaso grande com lindas flores.<br />
Enquanto eu admirava cada casa, Selena Sara e Samuel ficavam me<br />
olhando e sorrindo. Eu estava totalmente encantado com aquele lugar,<br />
tamanha a paz que sentia ali. Andamos mais um pouco e cheguei ao<br />
centro da Vila. Agora sim, poderíamos dizer que estávamos na Vila das<br />
Selenas.<br />
No centro da Vila tinha um círculo de pedra enorme com várias<br />
toras ao seu redor, muitas flores e beija-flores bebendo água em pequenos<br />
talhos que foram feitos propositadamente na parte inferior das toras.<br />
Essa água vinha de uma nascente da floresta e caía dentro desse círculo.<br />
Havia também muitas borboletas e de onde eu estava podia ouvir muitos<br />
pássaros. Que lugar lindo!<br />
As crianças estavam brincando quando cheguei, mas quando me<br />
viram ficaram me olhando com uma cara. E foi nesse momento que me<br />
dei conta de que todos na Vila estavam com os olhos voltados para mim.<br />
Algumas moças estavam no interior de suas casas escondidas, me<br />
olhando através das cortinas ou das portas entreabertas. Os mais velhos<br />
vieram para frente de suas casas. E mais à frente, atrás desse círculo de<br />
pedra, cerca de dez pessoas, entre mulheres e homens, me olhavam<br />
como se estivessem aguardando minha aproximação até eles. Fui tomado<br />
por uma sensação muito esquisita. Não era medo, mas eu queria entender<br />
porque todos me olhavam daquele jeito!<br />
Nos aproximamos dessas pessoas e Selena Sara fez um cumprimento<br />
especial.<br />
- Saúdo ao meu povo de Selenas e Selenos desejando paz, amor e<br />
fraternidade! Hoje trouxe um visitante muito especial, o Sr. Peter Sleiyver,<br />
que está de férias na Cidade de Florentis e pediu-me para conhecer a Vila.<br />
Ao ouvir o que ela dissera, fiquei arrepiado e, confesso, intrigado<br />
também. Arrepiado com o tom da voz de Selena Sara, que estava muito<br />
diferente do tom de voz que ela usava normalmente enquanto conversava<br />
comigo. Por outro lado, fiquei intrigado porque não havia falado meu<br />
sobrenome para Daniel e muito menos para Samuel.<br />
Uma mulher beirando uns 35 anos se aproximou e falou sorrindo:<br />
- Saudamos o visitante Peter Sleiyver da cidade do Rio de Janeiro,<br />
mais conhecida como Trimegisto pelos seus intérpretes e representantes<br />
da lei e o recebemos como um filho em nossa Vila! Sou a Selena Iasmaya,<br />
jornalista, professora e Vice-Presidente do Conselho da Vila das Selenas.<br />
Estávamos à sua espera!<br />
Mais uma vez eu ficara sem fala na cidade de Florentis! Que mistério<br />
era esse? Como poderiam saber de minha chegada à cidade? De onde<br />
eu vinha? Meu sobrenome? E por que estavam à minha espera?<br />
- Sr. Peter, venha conhecer os outros membros do conselho e<br />
depois poderá andar pela Vila à vontade - diz Selena Iasmaya.<br />
Eu fui apresentado a todos e muito bem-recebido por eles. Um<br />
pouco adiante observei uma senhora bem velha, não sei dizer a idade<br />
certa, mas pareceu-me ter mais de 90 anos e estava sentada em uma<br />
cadeira ao lado de uma tora e de um vaso de flores.<br />
Selena Iasmaya me levou até ela e me apresentou a velha senhora.<br />
- Sr. Peter, essa é a nossa mãe. Ela é a mais velha de todas as<br />
Selenas existentes dentro e fora da Cidade de Florentis, tem 135 anos e<br />
é a presidente do Conselho da Vila.<br />
Eu quase caí duro quando Selena Iasmaya me disse a idade daquela<br />
senhora. Fiquei olhando para a Selena e meio assustado procurei pela<br />
Selena Sara que havia sumido. Eu me curvei, beijei a mão da velha<br />
senhora e falei que era um prazer conhecê-la. Ela olhou dentro dos<br />
meus olhos, colocou a mão na minha testa e disse com voz firme e<br />
pronunciando claramente as palavras:<br />
- Seja bem-vindo à nossa Vila. Que a natureza de Florentis possa<br />
acalmar seu coração lhe trazendo as respostas que tanto procura. Que a<br />
energia maior possa guiar seus caminhos.<br />
Assim que terminou de falar, ela pegou a palma de minha mão<br />
direita, olhou, sorriu e disse:<br />
- Visite a Sra. Greey antes de ir embora. Ela quer dar uma<br />
palavrinha com o senhor.<br />
Ainda confuso com tudo o que estava sentindo naquele momento,<br />
eu disse à velha Selena que já sabia que a Sra. Greey desejava falar<br />
comigo e que iria visitá-la na próxima sexta-feira.<br />
A Selena Mãe olhou mais uma vez bem dentro dos meus olhos, me<br />
deu um beijo na testa e disse para eu ficar em paz.<br />
Nesse momento, eu fiquei muito emocionado. Eu não sei porque,<br />
mas desde que cheguei a Florentis, meus sentimentos ficaram todos<br />
revirados.<br />
Selena Iasmaya me convidou para conhecer a Vila. Eu me despedi<br />
da Selena Mãe também com um beijo na testa e seguimos para a parte<br />
mais alta da Vila.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><a title="O Segredo - 7º Capítulo" href="http://blogcronicas.com/Segredo/2008/05/04/o-segredo-da-sra-greey-7%c2%ba-capitulo-2%c2%aa-parte/" target="_blank">Continue aqui</a></strong></span></p>
<p><strong>Nota por Elaine:</strong> O Sétimo capítulo é muito grande, então para não ficar cansativa a leitura na tela, optei por dividir em partes.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Segredo da Sra Greey - 6º Capítulo</title>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 01:39:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Capítulos]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[O Segredo da Sra Greey]]></category>

		<category><![CDATA[Dia das Mães]]></category>

		<category><![CDATA[O Segredo]]></category>

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		<description><![CDATA[6º Capítulo
Tomei um banho, me arrumei e passei um perfume de leve. Afinal,
eu estava na cidade das mulheres cheirosas e não podia fazer feio.
Fui tomar o meu café da manhã, conversei um pouco com o Sr.
Josephe e saí para caminhar perto do lago. Pela primeira vez desde que
cheguei, me aproximei da casa da Sra. Greey. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>6º Capítulo</strong></p>
<p>Tomei um banho, me arrumei e passei um perfume de leve. Afinal,<br />
eu estava na cidade das mulheres cheirosas e não podia fazer feio.<br />
Fui tomar o meu café da manhã, conversei um pouco com o Sr.<br />
Josephe e saí para caminhar perto do lago. Pela primeira vez desde que<br />
cheguei, me aproximei da casa da Sra. Greey. Fiquei a observando,<br />
enquanto ela arrumava a casa e regava suas flores. Num certo momento,<br />
tive a impressão que ela tinha me visto e que estava rindo de mim, ou<br />
quem sabe rindo para mim. Retribuí com um sorriso, pois eu sabia que<br />
um dia acabaria indo visitá-la, mas, no momento, ainda não me sentia<br />
preparado para esse encontro.<br />
Fiquei mais um pouco por ali, até que ela me olhou diretamente nos<br />
olhos e acenou com a mão, cumprimentando-me. Eu correspondi com<br />
outro aceno e, depois, segui para o centro de Florentis. Na saída da<br />
pousada, encontrei Samuel com seu táxi. Ele olhou para mim e<br />
perguntou:<br />
- Sr. Peter, o senhor vai para o centro da cidade?<br />
- Eu olhei para Samuel e já meio p&#8230; da vida, respondi:<br />
- Samuel, você sabe muito bem que é para o centro da cidade que<br />
eu vou. Abri a porta, entrei e pedi para ele me deixar próximo à feirinha.<br />
Samuel riu do meu jeito e falou:<br />
- Se vai procurar a Selena Sara, devo avisá-lo que ela ainda não<br />
chegou. Só mais tarde! - fala e fica rindo. Eu olhei bem sério para ele<br />
e mais p&#8230; da vida ainda, perguntei:<br />
- Como você sabe que eu ia procurar a Selena Sara, Samuel?<br />
- Ué, Sr. Peter! Como ontem, eu lhe contei que a Karine havia<br />
procurado a Selena Sara, achei que o senhor estivesse preocupado e que<br />
fosse confirmar com a Selena Sara se ela realmente não fez o perfume<br />
que a moça havia pedido.<br />
Olhei para ele muito sério e disse:<br />
- O.K., Samuel. Vou fingir que acredito! Me deixa, então, na rua<br />
principal, pois quero visitar outras lojas de perfumes. E por falar nisso,<br />
me tira uma dúvida. A Florentis tem loja própria na cidade?<br />
- Não, Sr. Peter! A Florentis tinha uma loja aqui no centro, mas<br />
houve um boato de que uma Selena estava vendendo muitos perfumes<br />
a preços bem mais convidativos e com a mesma qualidade para os<br />
visitantes. Daí, a Florentis resolveu fechar a sua loja exclusiva e vender<br />
a um preço mais barato para todas as lojas da cidade. A Florentis, hoje,<br />
só tem lojas próprias em outras cidades.<br />
- Agora entendi porque vi todas as lojas vendendo o perfume.<br />
Achei estranho que uma empresa de tantos anos não tenha a sua loja<br />
própria, principalmente em se tratando da cidade onde o perfume é<br />
fabricado.<br />
- E quem foi que disse ao senhor que o Florentis é fabricado aqui?<br />
- perguntou Samuel.<br />
Olhei espantado para o taxista, e indaguei:<br />
- E não é aqui?<br />
- Não, Sr. Peter! Karine deve ter lhe contado a história do perfume<br />
Florentis. Segundo os mais antigos, depois que a ambiciosa Selena roubou<br />
a fórmula de sua amiga e casou-se com o tal comerciante, eles abriram<br />
uma fábrica em uma cidade próxima. A única coisa que eles têm aqui é<br />
um terreno, no qual cultivam a planta que contém a essência que gerou<br />
o perfume Florentis - explicou Samuel.<br />
- Humm! Interessante! E é verdade que a avó da Sra. Greey criou<br />
uma fórmula ainda melhor do que a do Florentis? - perguntei curioso.<br />
- Visite a Sra. Greey, que ela mesma lhe contará essa história -<br />
respondeu Samuel sorrindo.<br />
- Eu sei, Samuel! Eu já sei que a Sra. Greey pode me contar muitas<br />
coisas&#8230; Diga a ela que sexta-feira eu irei fazer-lhe uma visita.<br />
Samuel sorriu satisfeito, olhou para mim e disse:<br />
- Sr. Peter, a Sra. Greey é uma pessoa muito especial e muito<br />
inteligente também. Ela não é louca e nem tão velha quanto as pessoas<br />
pensam. Ela pode ter o peso da idade, mas seu espírito é mais jovem do<br />
que o de muita gente dessa cidade.<br />
Samuel continua:<br />
- Encontrará a Selena Sara a partir das 11h na feirinha.<br />
Samuel parou o carro em frente à loja em que Rose trabalhava, que<br />
ficava muito próxima à loja de Karine.<br />
Depois, olhou para mim e, num tom debochado, disse para eu ter<br />
cuidado com a Srta. Karine!<br />
- Ela é capaz de armar um barraco se lhe vir conversando com a<br />
Srta. Rose - completou o taxista.<br />
- Samuel, vai cuidar da sua vida e deixa que, com as mulheres, eu<br />
me viro - respondi.<br />
- Isso é o que o senhor pensa, comentou o motorista.<br />
Saltei do carro e fui em direção à loja de Rose. Entrei na loja e fui<br />
muito bem recebido pela amiga de Karine. Eu disse a Rose que estava<br />
passando por ali por perto e para agradecer a atenção dispensada por<br />
ela na noite anterior, resolvi retribuir o carinho comprando uns frascos<br />
de perfume com ela também. Rose me mostrou vários produtos, entre<br />
eles o Florentis, mas foi um outro perfume que me chamou muita<br />
atenção. Conversamos um pouco e Rose acabou me contando mais<br />
uma história da &#8220;Cidade das Essências&#8221;.<br />
- Peter, os antigos contam que quem vem a Florentis sempre volta<br />
ou indica a cidade para sua família ou amigos como um dos melhores<br />
lugares para se passar férias - disse ela.<br />
- E também por causa da sensação de paz e harmonia que a cidade<br />
transmite aos seus visitantes, algumas pessoas mudam seu<br />
comportamento fazendo uma reflexão a respeito de sua vida -<br />
continuou Rose.<br />
- Segundo contou um velho ancião, um caçador veio para Florentis<br />
pensando que aqui encontraria animais selvagens. No primeiro dia que<br />
ele entrou na floresta, com o objetivo de caçar, deu de cara com uma<br />
velha Selena e para todos os lados que ele tentava ir a velha aparecia na<br />
sua frente. Nessa primeira vez, ele deixou a floresta apavorado e voltou<br />
para o hotel no qual estava hospedado. Tratava-se de um hotel antigo<br />
que tinha na cidade e que hoje nem existe mais. Lá chegando, procurou<br />
saber da história da tal mulher que acabara de ver na floresta. Depois<br />
que soube que se tratava de um vilarejo de Selenas, perdeu o medo e<br />
voltou para a floresta para tentar caçar e, novamente, encontrou a velha<br />
Selena. Dizem que ele começou a gritar: &#8220;Sai da frente, sua bruxa! Eu já<br />
sei que você não é um fantasma! Eu vou atirar! Sai da frente!&#8221; -<br />
prosseguiu Rose.<br />
Eu ouvia Rose contando a história e me dava uma vontade<br />
incontrolável de rir, porque ela tinha um jeito tão engraçado de falar. Se<br />
Rose fosse professora, certamente as crianças iriam adorar, porque ela<br />
narrava a história de tal forma que acabava envolvendo a gente também.<br />
- A velha Selena ficou parada na frente dele e perguntou ao homem:<br />
&#8220;Por que viestes em nossa floresta para matar nossos pequenos<br />
animais?&#8221;. E ele respondeu: &#8220;Porque sou um caçador e faço isso por<br />
puro prazer&#8221;. A velha Selena olhou para ele e falou: &#8220;Você não é um<br />
caçador. É um homem amargo e triste, que despeja toda sua raiva sobre<br />
os animais&#8221;. O caçador olhou para ela e disse que aquelas palavras de<br />
bruxa não iriam impedi-lo de fazer o que mais gostava que era caçar. A<br />
velha Selena olhou para ele novamente e falou: &#8220;Não irei impedi-lo, não<br />
sou dona da floresta e lamento profundamente que sua tristeza e<br />
amargura tragam tanta dor a seres tão pequenos e indefesos&#8221;. Depois<br />
disso, ela desapareceu. O caçador ficou parado e não conseguia se mover.<br />
As palavras da Velha Selena, de alguma forma, haviam lhe tocado<br />
profundamente. Ele tentava apontar seu rifle para alguns bichinhos da<br />
floresta, mas não conseguia atirar. Olhava para um lado e para outro e<br />
via animaizinhos se mexendo e não conseguia sair do lugar. Naquela<br />
época, em nossa floresta, tínhamos macacos, cobras, muitos coelhos e<br />
muitos pássaros. Pássaros que temos até hoje. É lindo passear pela<br />
floresta no final da tarde! Você escuta vários sons e eles são lindos!.<br />
À medida que Rose avançava em seu relato, eu ficava ainda mais<br />
fascinado pela história. E ela prosseguiu com sua narrativa.<br />
&#8221; O caçador ficou nervoso porque não conseguia atirar. Ele sentou<br />
perto de uma cachoeira e começou a chorar, igual a uma criança, mesmo.<br />
E ficou olhando a floresta por um bom tempo. Quando anoiteceu, ele<br />
muito desanimado resolveu descer a floresta e voltar para Florentis. No<br />
meio do caminho, encontrou a velha Selena e ela lhe perguntou porque<br />
ele era um homem tão triste.<br />
O caçador olhou para a velha Selena e respondeu: &#8220;Quando era<br />
muito pequeno, vi meu pai bater muitas vezes em minha mãe. Ela fugia<br />
dele igual um bicho foge de um caçador. E quanto mais ela tentava<br />
fugir, mais ele gostava, e batia nela mais ainda&#8221;.<br />
A velha Selena se aproximou do caçador e perguntou: &#8220;Quando<br />
caça os animais é como se estivesse caçando o seu pai?&#8221;. O caçador<br />
começou a chorar. E nada o fazia parar de chorar, ele acenou com a<br />
cabeça dizendo que sim. Em seguida, ele contou que um dia seu pai<br />
mandou sua mãe correr muito e depois foi atrás dela. Quando ela estava<br />
a uma certa distância, ele atirou e a matou igual um caçador faz com<br />
sua presa. &#8220;Eu era muito pequeno quando isso aconteceu. A polícia<br />
nunca descobriu o assassino e eu fiquei em silêncio até hoje. A senhora<br />
é a única pessoa que sabe dessa minha vergonha e tristeza. Um ano<br />
depois ele morreu de enfarto e eu fui criado por uma tia minha. Mas<br />
não consegui jamais esquecer aquela cena e, quando cresci, comecei a<br />
caçar, caçar! E não consegui mais parar&#8221;, contou o pobre homem. A<br />
velha Selena se aproximou um pouco mais do caçador, pegou em sua<br />
mão e disse: &#8220;Está tendo a oportunidade de refletir sobre a sua dor<br />
nesse momento. Volte para o hotel e decida se quer continuar a caçar<br />
seu pai, vivendo no passado ou se quer refazer sua vida daqui para<br />
frente. Não vai esquecer o seu passado rápido. Sua ferida ainda vai<br />
demorar muito tempo para cicatrizar, mas lembre-se de um detalhe<br />
importante: se a energia maior, ou seja lá qual for o nome que queira<br />
dar, no meio dessa tragédia toda lhe deixou vivo, era porque ela ainda<br />
tem uma missão para você cumprir&#8221;. O caçador ouviu a velha Selena<br />
atentamente, depois voltou para o hotel, fez suas malas e partiu.<br />
Passaram-se três meses e ele voltou à cidade. Aqui chegando, pediu às<br />
Selenas para morar na floresta, bem perto da Vila. E, durante muitos<br />
anos, ele foi o protetor da floresta, combatendo não só os predadores,<br />
mas também orientando as pessoas a preservarem a natureza da floresta<br />
de Florentis em todos os sentidos.<br />
Rose terminou de contar a história com os olhos cheios de lágrimas<br />
e eu confesso que fiquei impressionado com o seu jeito. Perguntei a ela<br />
porque não havia se formado em professora. Ela sorriu e respondeu:<br />
- Eu sou professora, Peter; mas aqui em Florentis, devido às poucas<br />
opções que temos, a concorrência para essa área é muito grande. Ou<br />
exercemos a atividade de lecionar ou trabalhamos nos hotéis e pousadas,<br />
como guias turísticas ou como vendedoras das lojas de perfumes.<br />
Rose sorriu e completou:<br />
- Eu ainda não desisti e continuo tentando uma vaga para dar aula<br />
para alunos do curso primário. Quem sabe, um dia eu consiga. Sorri<br />
para Rose e disse a ela que, certamente, conseguiria. Conversamos mais<br />
um pouco e, de repente, ao olhar para a porta da loja, vi Karine parada<br />
com as mãos na cintura me olhando. Eu olhei para ela e perguntei qual<br />
era o problema.<br />
- Não há problema nenhum. Só vim ver o casalzinho conversando!<br />
- em seguida, deu as costas e saiu.<br />
Rose ficou sem graça. Eu disse a ela que não tinha nada com Karine,<br />
da mesma forma como não estava comprometido com ninguém e que<br />
era para ela ficar tranqüila.<br />
Percebi que Rose sentiu-se muito desconfortável com o que acabara<br />
de ocorrer e resolvi ir embora para deixá-la à vontade, mas, antes de<br />
sair, comprei mais um kit Florentis, um vidro do outro perfume que me<br />
chamou atenção e avisei a Rose que, à noite, passaria no barzinho.<br />
Ao deixar a loja de Rose, observei que Karine estava na porta de<br />
sua loja, com uma cara chorosa. Olhei bem sério para ela e segui em<br />
direção à feirinha. Queria encontrar a Selena Sara.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Nota: Amanhã publicarei mais três capítulos de dia e o ùltimo capítulo a noite.</strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Para quem não sabe o segredo foi escrito em dez dias, um capítulo por dia, antes da semana do Dia das Mães do ano de 2003</strong></span></p>
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		<title>O Segredo da Sra Greey - 5º Capítulo</title>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 01:19:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elaine Paiva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Capítulos]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[O Segredo da Sra Greey]]></category>

		<category><![CDATA[Dia das Mães]]></category>

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		<category><![CDATA[O Segredo]]></category>

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		<description><![CDATA[5º Capítulo
Seis horas da manhã em Florentis. Acordei com os olhos
lacrimejando. Estava sonhando com a minha mãe. Ela estava linda!
Sorrindo para mim e me mandando beijos, muitos beijos&#8230; Era assim
que a imagem dela desaparecia no meu sonho. Ela me mandando beijos..
A essa hora da manhã, a Sra. Greey já estava queimando suas
essências florais e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>5º Capítulo</strong></p>
<p>Seis horas da manhã em Florentis. Acordei com os olhos<br />
lacrimejando. Estava sonhando com a minha mãe. Ela estava linda!<br />
Sorrindo para mim e me mandando beijos, muitos beijos&#8230; Era assim<br />
que a imagem dela desaparecia no meu sonho. Ela me mandando beijos..<br />
A essa hora da manhã, a Sra. Greey já estava queimando suas<br />
essências florais e o cheiro que se espalhava pelo ar era igual ao do<br />
perfume da minha mãe. Fiquei deitado na cama, me lembrando do<br />
quanto eu gostava de sentir o cheiro que emanava da pele de minha<br />
mãe! Às vezes, eu a abraçava e a cobria de cheiros e beijos e a chamava<br />
de &#8220;cheirosa&#8221;. Ela ria muito desse meu jeito e costumava dizer que eu<br />
era o filho mais gentil que uma mãe poderia ter.<br />
Comecei a recordar-me da minha infância ao lado de minha mãe,<br />
meu pai e meu irmão. Mesmo com todo o gênio difícil de meu pai, nós<br />
éramos uma família muito feliz. Minha mãe sempre estava do nosso<br />
lado.<br />
Quando eu e meu irmão éramos bem pequenos, ainda com uns<br />
quatro e cinco anos, para comemorar o Dia das Mães, costumávamos<br />
brincar com minha mãe que ela só receberia os presentes se nos<br />
encontrasse. Eu e Phill nos escondíamos pela casa e ela tinha que nos<br />
achar, para, então, receber os seus presentes.<br />
Phill sempre teve o riso mais frouxo do que eu e, por isso, era o<br />
primeiro a ser encontrado pela minha m