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O Segredo da Sra Greey

O Segredo da Sra Greey - 9º Capítulo

9º Capítulo

Entrei na casa da Sra. Greey e, ao contrário do que eu havia
imaginado, ela não entrou em nenhum assunto especial. Quis primeiro
mostrar-me suas flores, plantas e uma pequena plantação de ervas a
que ela recorria quando necessário.
A casa da Sra. Greey, por ter muitas flores e plantas, atraía muitos
beija-flores e borboletas. Tive a sorte de ver uma mais bonita do que a
outra enquanto estive lá. Ela conversava comigo e, vez ou outra, olhava
para mim de um jeito tão carinhoso que me dava uma sensação estranha,
mas que ao mesmo tempo sentia um bem-estar na companhia dela.
Depois de me mostrar a parte externa de sua casa, a Sra. Greey me
conduziu para o interior de sua casa. Eu fiquei apaixonado pelos quadros
que ela pintava em telas bem simples. Havia pinturas inspiradas em
plantas e até em pessoas.
O quadro com o retrato do Sr. Greey era o maior e ficava pendurado
em uma parede junto aos quadros dos filhos do casal. Eu não sabia
como era o Sr. Greey, pois até aquele momento não tinha visto nenhuma
foto dele, mas pela forma que a Sra. Greey o retratou, dava para perceber
que ele tinha um olhar muito apaixonado, de tanta ternura que seus
olhos expressavam. Fiquei parado um tempo admirando o quadro do
Sr. Greey, até que fui interrompido por um chamado da Sra. Greey.
- Sr. Sleiyver, o Sr. Greey já o viu. Agora, venha lanchar comigo
- fala e sorri.
Eu achei engraçada a forma como ela falou e sorri também. Fomos
nos sentar a uma pequena mesa na varanda e começamos a conversar
enquanto lanchávamos. Quase não pude acreditar, tinha aquela broa
maravilhosa. O lanche da tarde que a Sra. Greey preparou para me
receber era muito gostoso. Muitas geléias, queijos de minas, frutas,
torradas etc. Pela variedade de coisas que ela serviu e pelo volume, ela
parecia estar esperando por umas dez pessoas.
- Sr. Sleiyver, sei que está achando que exagerei em colocar uma
mesa tão farta para duas pessoas, mas eu e o Sr. Greey sempre fomos
assim. Graças à energia maior nunca nos faltou nada e como tivemos
três filhos famintos - ao mencionar seus filhos, dá um sorriso - nos
acostumamos a ter uma mesa bastante farta.
- Minha mãe também era assim. Quando era pequeno, eu era muito
chato para comer. Por isso, minha mãe colocava uma enorme variedade
de coisas na mesa para ver se eu me empolgava e me alimentava melhor.
E, de tanto ela insistir, eu aprendi a comer de tudo. Hoje em dia não
como muito até porque já passei dos quarenta, mas procuro me alimentar
bem e de forma saudável.
- O senhor deve estar curioso para saber o que eu desejo lhe falar.
Estou certa?
- Antes de vir até a sua casa, eu estava muito curioso e ansioso,
mas agora estou mais calmo.
- Não lhe passou pela cabeça que talvez eu, uma velha solitária, só
quisesse ser visitada?
- Talvez, Sra. Greey, mas seja qual for o motivo, estou muito feliz
em conhecê-la.
- Sr. Sleiyver, e eu mais ainda em tê-lo em minha casa.
Enquanto saboreávamos aquele delicioso café da tarde, a Sra. Greey
me contou algumas histórias de Florentis e outras sobre as Selenas. Ela
aproveitou para me revelar uma coisa que eu ainda não sabia e nem
sequer desconfiara. A Selena Mãe era a sua mãe e se chamava Selena
SoIamis. Soube também que a Sra. Greey tinha mais uma irmã e um
irmão que também estavam vivos.
Quando a Sra. Greey fez uma pausa, eu sorri e perguntei a ela se a
irmã a que ela se referira era a Selena Sara:
- Sr. Sleiyver, o senhor sabe que não! - e sorriu.
- Minha irmã tem 105 anos e mora com os filhos em uma cidade
um pouco distante de Florentis. Meu irmão, que tem 98 anos, vive em
outro estado, sozinho. Ele optou por morar próximo aos filhos, mas
prefere viver sozinho no seu cantinho.
- Sra. Greey, sem querer ser indelicado, qual é a sua idade
verdadeira? As idades de seus irmãos, que ela acabara de me revelar,
me deixaram bastante curioso e não consegui deixar de perguntar a
idade dela.
- Oitenta e dois anos, sou a caçula e temporã da família - ela
respondeu com simpatia e sem nenhum constrangimento.
Fiquei com uma pergunta na ponta da língua, mas a Sra. Greey,
muita esperta, logo percebeu e antes que eu pudesse começar a falar
novamente, me disse:
- Sr. Peter, deixe suas curiosidades sobre a Selena Sara para depois.
Eu fiquei rindo… Parecia que a Sra. Greey tinha o poder de ler os
meus pensamentos.
- O senhor meu viu ontem enquanto eu estava aqui brincando
com meus filhos do lago, não viu?
- Sim, Sra. Greey.
- Quer saber porque eu e meus filhos não nos falamos mais, não
quer?
- Eu respondi que gostaria de entender o porquê dela não falar
mais com os filhos, já que Daniel e Samuel sempre faziam questão de
dizer que ela era uma pessoa maravilhosa.
- Eu vou lhe contar. Sr. Peter.
- Há mais ou menos seis anos, o Sr. Greey começou a sentir fortes
dores nas costas. Eu o levei ao médico da cidade, que não constatou
nada de errado e receitou apenas alguns relaxantes para o meu marido.
Voltamos para casa e mesmo com o tratamento à base dos relaxantes,
meu marido continuou reclamando de fortes dores nas costas. Só
procurei o médico da cidade porque o doutor das Selenas estava em um
congresso fora do país e eu tinha que buscar a ajuda de um profissional.
Por isso, fui ao encontro de um profissional da área ortopédica na cidade.
Liguei para o meu filho mais velho, Frederico, expliquei o que estava
acontecendo com seu pai e ele veio nos buscar para nos levar ao médico
de sua confiança. Ele era aqui de Florentis mesmo, mas seu consultório
ficava no outro lado do morro - a Sra. Greey aponta para o morro
localizado atrás da floresta. O médico diagnosticou um pequeno desvio
na coluna. E nos informou também que meu marido estava acima do
peso. O doutor marcou uma nova consulta para a semana seguinte. Ele
disse ao meu filho que era apenas para dar uma examinada em seu pai
e ver se estava tudo bem. Ele receitou alguns remédios e eu preparei
uma dieta para o Sr. Greey. Ficamos na casa de meu filho durante uma
semana. Meu marido teve uma pequena melhora e, na consulta seguinte,
o médico o liberou e voltamos para nossa casa. Na primeira semana em
casa, o Sr. Greey sentiu-se bem, mas quinze dias depois, ele começou a
sentir as dores de novo. Liguei para o meu filho e ele veio nos buscar
novamente para levar o pai ao médico.
- O médico fez novos exames e o seu diagnóstico foi o mesmo.
Achei estranho que ele chamou o Frederico num canto e falou algo
baixinho, em tom de segredo. Fiquei preocupada achando que meu
marido estava com alguma doença grave e, quando fiquei a sós com
meu filho, perguntei a ele o que o médico havia falado. Ele me contou
que o médico havia dito que o pai estava querendo atenção, que, na
verdade, ele não tinha nada. Achei um absurdo o comentário e mais
absurdo ainda o fato de o meu filho ter acreditado, pois o Sr. Greey
sempre foi um homem muito ativo e nunca fomos de ficar enfiados na
casa de nossos filhos, pois sempre soubemos que os criamos para o
mundo.
- Ficamos mais alguns dias hospedados na casa de Frederico. Minha
neta, mais nova, Daiane, filha de Frederico iria fazer aniversário e os
irmãos se reuniram junto com os tios para comemorar. Frederico tem
três filhos, duas meninas e um menino. Mayra, Daiane e Fábio, o mais
velho - explica ela. No dia do aniversário dela, meu marido se queixava
de muita dor e o meu filho foi grosseiro com ele, dizendo que ele não
tinha nada e só queria atenção. Eu fiquei tão revoltada com aquilo que
não pude me conter e perguntei num tom bastante áspero: “E se fosse?
Qual o problema de ele querer atenção, se ele sempre dispensou toda
sua atenção para vocês?” E esse foi o início de uma grande discussão.
Meu marido, mesmo sentindo toda aquela dor, me chamou e disse:
“Yasmin, não discuta mais com ele, amanhã bem cedo vamos voltar
para nossa casa”. Naquela noite, eu mal consegui dormir de tanta mágoa
que sentia. Meu marido ficou a noite toda abraçado comigo, sentindo
além de sua dor física, uma dor ainda maior em seu coração causada
pela incompreensão de seu filho. Ele me fazia carinho para que eu me
acalmasse e conseguisse pegar no sono.
- Na manhã seguinte, meu filho, com uma cara de “dono da
verdade”, disse que iria nos levar. Eu o respondi secamente que não
precisava, eu já havia chamado Samuel para nos buscar e nos levar de
volta para casa. Samuel nos pegou no horário combinado e, no caminho,
me disse que conhecia um médico muito bom em um hospital ali mesmo,
num bairro bem próximo de onde meu filho morava. Meu marido já
não queria mais ir ao médico, mas como eu insisti, ele acabou cedendo.
- Quando entramos na sala, tive a sensação de estar encontrando
um anjo, de tanta atenção, respeito e carinho com que o doutor tratou
meu marido. Dr. Roberto, esse anjo que nos atendeu solicitou muitos
exames e suspendeu os remédios que o outro havia passado. Ele me
avisou que o Sr. Greey ficaria internado até que as respostas dos exames
ficassem prontas.
- Eu fiquei em pânico, pois era a primeira vez que ele ficava doente.
O máximo que ele havia tido foi uma gripe branda. Meu marido era
muito forte, Sr. Peter! Eu pensei que ele não aceitaria ficar internado
em um hospital, mas para minha surpresa, ele aceitou a recomendação
médica e seguiu todas as ordens do Dr. Roberto.
- Senti que algo estava errado, muito errado! E talvez, dentro de
seu coração, o Sr. Greey também sabia que alguma coisa não estava
bem e, para me poupar, resolveu ficar no hospital até que os exames
confirmassem ou não a nossa suspeita. No dia seguinte alguns dos
exames que o médico pedira ficaram prontos e ele me chamou para
conversar. Dr. Roberto me explicou que o meu marido estava com uma
doença degenerativa nos nervos em estado muito avançado, mas se
seguisse corretamente suas orientações médicas, poderia viver por mais
um tempo.
- Enquanto o médico falava, meu coração ia se partindo e ficando
em pedaços. Eu, na condição de Selena, tenho alguns dons e sou capaz
de prever o futuro, entretanto, nem tudo nos é revelado, e, no caso da
doença do meu marido, eu fui pega de surpresa. Conversei com o médico
por mais algum tempo. Eu pedi a ele que deixasse que eu mesma desse
a notícia ao meu marido sobre sua doença e que, depois, ele se
encarregaria de falar sobre o que poderia ser feito.
- Eu pensei que fosse ter a conversa mais difícil da minha vida
com meu marido, mas quando entrei no quarto, ele estava deitado na
cama olhando em direção ao morro, pensando na nossa casa. Aproximeime,
beijei-o e segurei em suas mãos. Quando ia começar a conversar a
respeito do assunto, ele me interrompeu e disse: “Meu amor, sei que
não tenho muito tempo, por isso, diga ao médico que quero fazer meu
tratamento em casa, onde terei mais conforto e poderei passar os últimos
dias de minha vida ao lado daquela que só iluminou o meu espírito”.
Ele falava e me acariciava o rosto. Que saudade de meu marido! Ele era
muito carinhoso comigo e com os filhos!
Enquanto a Sra. Greey me contava essa história, eu ficava com a
garganta doendo e me segurando para as lágrimas não correrem pelo
meu rosto. E ela continuou:
- Eu comecei a chorar e disse a ele que a Selena ali era eu e não ele!
Nos abraçamos e ficamos um tempo bem juntinhos…
- Conversei com o médico e ficamos mais dois dias no hospital,
para que ele pudesse fazer os exames que faltavam e para que o médico
pudesse confirmar os outros cujos resultados já estavam prontos. Depois,
ele nos liberou e passou a tratar do Sr. Greey em nossa casa.
- Quando cheguei em casa, liguei para os meus filhos que estavam
loucos atrás de mim. Orientei Samuel a não contar onde estávamos e
que dissesse a eles que eu havia ido para a capital com meu marido.
Quando dei a notícia aos meus filhos, eles ficaram indignados pelo fato
de eu não ter ligado do hospital e contado a eles o que estava acontecendo
com o pai deles. Eu disse a Frederico, Francisco e Fernando que não
queria incomodá-los e nem chamar a atenção deles. Depois, desliguei e
fiquei triste, porque também estava me achando a dona da verdade.
- Meus filhos vieram nos visitar e tivemos várias discussões nesse
primeiro dia da visita. Eles me chamaram de velha irresponsável por
não os ter avisado sobre o que o Dr. Roberto havia diagnosticado sobre
a doença de Greey. Meu marido ficou muito magoado e mandou que os
filhos fossem embora, mas antes lhes disse que eu não era nenhuma
irresponsável, que eu apenas estava magoada com a atitude que eles
tiveram com ele quando estávamos na casa de Frederico. “Quem são
vocês para chamarem sua mãe de irresponsável quando ela sempre foi
a pessoa mais sensata dessa família? Nunca negou a vocês ajuda e muito
menos amor e carinho. Se vierem nos visitar, respeitando a mim e sua
mãe, serão bem-vindos, mas se vierem para nos criticar serão tratados
como estranhos”, ele disse aos nossos filhos.
- Eles foram embora e, durante algum tempo. Só telefonavam e
falavam friamente comigo.
- Nesse meio tempo, eu fui buscar ajuda e respostas com minha
mãe na Vila das Selenas. Ela me disse que, infelizmente, o máximo que
ela poderia fazer seria amenizar as dores sentidas pelo meu marido com
a ajuda das ervas que conhecíamos. Minha mãe falou-me também que
a energia maior havia sido muito benevolente comigo e com Greey,
pois ele já era para ter ido embora há muitos anos, mas ela acreditava
que por causa do grande amor que sentíamos um pelo outro, fomos
agraciados com mais tempo para ficarmos juntos.
- Chorei muito nesse dia e perguntei a mamãe porque eu não havia
previsto a doença de meu marido. Ela respondeu que, se eu soubesse,
talvez interferisse no destino de Greey e, ao invés de ajudá-lo, poderia
atrapalhar e perdê-lo antes do tempo.
- Fiquei me questionando o porquê de possuirmos o dom de prever
o futuro em alguns casos, se não podemos mudar o destino das pessoas.
Sabiamente, minha mãe me explicou que não podemos mudar o destino
das pessoas, mas podemos ajudar a amenizar seus sofrimentos, dandolhes
algumas respostas e um pouco de tranqüilidade. Passados seis meses,
meu marido começou a piorar. Primeiro, perdeu os movimentos das
pernas e dos braços e, depois, nem mais em cadeira de rodas ele ficava.
Passava seus dias deitado na cama.
- Meus filhos vinham visitá-lo uma vez por semana e quando ele
já estava quase para nos deixar, as visitas passaram a ser diárias. Eles
pouco falavam comigo, só se dirigiam a mim quando era estritamente
necessário.
- Um dia antes de o Sr. Greey partir, o médico nos reuniu para
avisar que ele já estava na fase terminal da doença e pediu que os filhos
fossem se despedindo dele discretamente, pois ele não teria mais que
dois dias.
- E assim foi feito. Nesse mesmo dia da conversa do médico, cada
um deles ficou um pouco com o pai no quarto. Tentavam conversar
com ele, mas ele só olhava para os filhos com as lágrimas rolando pelo
seu rosto.
- No dia que meu marido foi embora, antes de dar seu último
suspiro, ele me pediu para eu aproximar o meu rosto do dele, me deu
um beijo e com muita dificuldade falou: “Eu vou te amar para sempre!
Você foi a mulher mais bonita, mais cheirosa e mais linda que um homem
poderia querer. Nunca se esqueça disso!”. Depois de dizer essas lindas
palavras, ele fechou os olhos e eu fiquei ali parada, chorando e vendo o
grande amor da minha vida partir para sempre. Assim que ela acabou
de contar a história, não pude mais conter minhas lágrimas.
Levantei-me, puxei minha cadeira para perto da dela, peguei em sua
mão e disse:
- Poucas pessoas nesse mundo têm o privilegio de viver um grande
amor, sinta-se presenteada pela energia maior, como vocês chamam,
por ter sido abençoada e poder ter vivido um amor tão intenso e
verdadeiro.
Depois de dizer essas palavras, me dei conta de que eu parecia um
descendente de Selenas falando. Senti uma sensação tão esquisita.
Ela me olhou e falou:
- Eu sei, Sr. Sleiyver. Eu sei.
Continuamos nossa conversa e eu perguntei a ela se os filhos não
vieram mais visitá-la porque ficaram aborrecidos desde aquela época.
E ela respondeu:
- Depois que o pai faleceu, eles queriam que eu vendesse essa
casa e fosse morar com eles, para não ficar sozinha. E eu respondi que
na hora que eu e o Sr. Greey mais precisamos deles não fomos
compreendidos e que, por isso, eu ficaria aqui onde sempre fui feliz ao
lado de meu marido e de meus filhos, quando eles eram pequenos,
adolescentes, rapazes e depois homens.
- Eles me chamaram de velha malcriada e rabugenta e disseram
que eu também estava querendo chamar a atenção. E falaram que quando
eu me sentisse muito sozinha e resolvesse vender a casa e ir morar com
eles, que era só eu ligar. Já se passaram mais de cinco anos e eu até hoje
não liguei e eles também não me procuraram.
Fiquei sem ter o que falar para a Sra. Greey. Na minha opinião, as
duas partes agiram errado, mas acho que os filhos, que receberam tanto
carinho e atenção de seus pais, poderiam ter um pouco mais de paciência
e ceder primeiro. Eles, pelo menos, poderiam ligar para ela, às vezes, a
fim de saber como a Sra. Greey estava.
E a Sra. Greey continuou.
- Sr. Sleiyver, como os filhos são interessantes! Quando são crianças
nos amam tanto. Somos as mães mais bonitas, mais cheirosas, mais
lindas! Somos as pessoas mais importantes de suas vidas! Nas festas da
escola, declamam poemas e têm o maior orgulho de nos exibir para
seus amigos. Fazem cartões com lindas poesias e nos entregam nos
Dias das Mães, Aniversário e Natal. Se sentem alguma coisa correm
logo para os nossos braços. Se estão doentes, querem ficar perto do
calor da mãe. Quando se machucam, nos chamam logo. Quando sentem
perigo, gritam “Mãeeeeeeee!”. Esta é a palavra mais ouvida em todo o
mundo! (comenta e sorri).
- Quanto mais a Sra. Greey falava mais eu me emocionava…
- Depois eles crescem e se tornam adolescentes. Passamos a ser
as mães que não os entendem e, para alguns, mães antiquadas, caretas e
muitas vezes chatas… Quando se tornam adultos, passamos a ser a mãe
rabugenta, ciumenta e que reclama de tudo. E quando ficamos velhas,
nos transformamos naquelas que fazem de tudo para chamar a atenção;
ou aquelas que falam demais; ou aquelas que não entendem mais o
mundo: as velhas chatas; as velhas que falam besteiras e, muitas vezes,
eles até avisam os amigos para não levar em consideração o que suas
mães falam, pois estão velhas demais! “Tadinha, ela é velhinha!” -
desabafou a Sra. Greey.
E ela continua.
- Já não nos apresentam com orgulho e, muitas vezes, nos
escondem em festas de famílias, deixando-nos isoladas em um cantinho
da casa. Poucos são os filhos e filhas que se importam e ainda têm
orgulho de suas mães, porque souberam dar valor a tudo o que elas lhes
deu. Lembro-me que meu filho Frederico, o mais velho, chegava perto
de mim e falava: “Mãe, eu te adoro. Eu sempre vou te adorar!” - ao
falar isso, seus olhos se enchem de lágrimas. Meu filho do meio, vivia
grudado em mim. Quando ele adoecia ou se machucava, só queria ficar
comigo. Era tão engraçado porque os meninos se identificam muito
com o pai, mas o Francisco, nos seus momentos difíceis, só queria ficar
comigo. O mais novo, o Fernando, e mais levado de todos falava: “Mãe
sabe porque eu sou feliz?”.
- E eu perguntava ao meu filho porque ele era feliz. E ele me
respondia: “Porque eu tenho a melhor mãe do mundo!”. Nesse momento,
a Sra. Greey não se conteve e nem eu consegui me segurar.
E ela continuou:
- Depois que ficamos velhas, deixamos de ser o motivo de sua
felicidade para nos tornarmos um peso em suas vidas. A Sra. Greey
olha para mim e vê que eu estou chorando, acaricia meu rosto, enxuga
minhas lágrimas e fala:
- Sabe por que nos dias que o vento no final da tarde fica forte, eu
queimo as essências florais de novo?
- Eu respondi que achava que era para que Florentis ficasse mais
cheirosa.
- Não, Sr. Sleiyver! É porque quando o vento está forte e em direção
da floresta, tenho a esperança de que ele leve o aroma que os meus
filhos tanto gostavam quando eram pequenos. Quem sabe assim, eles
se lembram que um dia foram tão amados, mas tão amados e venham
me visitar?
Nessa hora, eu não me contive e tive que pegar o meu lenço para
enxugar as lágrimas da Sra. Greey e as minhas próprias.
- Nesses últimos dois anos, tenho sentido tanta saudade de meu
marido e de meus filhos. Por isso, quando a lua está cheia e ilumina o
lago, devido à posição de algumas árvores, vejo formas de crianças na
água e não consigo me conter. Então, como se entrasse em transe,
começo a brincar com essas formas como se estivesse com meus filhos
quando eles eram pequenos.
- Eu disse à Sra. Greey que achava que ela via alguma coisa no
lago, só não sabia o que era. Ela me olhou e falou:
- Você foi um lindo filho e sua mãe teve muito orgulho de você.
Eu olhei para ela e disse:
- Eu acho que fui um bom filho, sim. Fui muito amado pela minha
mãe e sempre a valorizei muito.
Sra. Greey me olhou novamente e falou:
- É esse amor que você procura nos braços de uma mulher?
Eu respondi que não procurava um amor que fosse igual ao da
minha mãe pelo meu pai, mas acho que queria algo bem próximo. A
Sra. Greey olhou bem dentro de meus olhos e falou:
- Vai encontrar, Sr. Sleiyver! Vai encontrar…

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About

Meu nome é Elaine Paiva, sou escritora e torno público a partir de hoje, o meu livro, “O Segredo da  Sra Greey”.

Espero que gostem. Sejam Bem Vindos!