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O Segredo da Sra Greey

O Segredo da Sra Greey - 10º Capítulo / 2ª Parte

10 Capítulo - 2ª Parte

Acordei quase às 8h da manhã, levantei rápido, tomei um bom banho e, em
seguida, fui arrumar a minha mala.
Ao passo que ia colocando e ajeitando minhas roupas na mala, ficava
olhando a casa do lago através da janela. Pelo cheiro que invadia o meu
quarto, a Sra. Greey já havia queimado suas essências florais. Fiquei
vigiando para ver se a via, mas ela devia ter saído, pois eu não a via em
nenhum lugar. Terminei de arrumar minha mala e fui tomar café.
Enquanto saboreava o meu delicioso e último café da manhã na
pousada, pensava na conversa que havia tido no dia anterior com a Sra.
Greey. Fiquei me lembrando sobre o assunto do cheiro do suor após o
sexo e também sobre a minha possível filha. Acho que fiquei meio
impressionado com essa conversa!
Josephe aproximou-se e conversamos um pouco. Falamos sobre
vários assuntos e depois ele me disse que eu era um ótimo hospede.
- O senhor não dá trabalho nenhum. Muito pelo contrário, fiquei
até preocupado porque o senhor solicitava pouco os serviços da recepção.
No começo, achei que o senhor não estava gostando da pousada -
desabafou o gerente.
- Sou assim mesmo, Josephe. Quando viajo, passo a maior parte
do tempo na rua. Aliás, até mesmo quando estou no trabalho ou mesmo
em casa, fico muito pouco tempo parado. Estou sempre me
movimentando.
Conversamos mais um pouco e eu disse a ele que, antes de partir,
eu gostaria de dar mais um passeio pela pousada. Deixei minha mala
com ele e fui até a casa do lago. Quando estava me aproximando da
casa, vi alguns carros estacionados na porta da casa da Sra. Greey e
três homens, que aparentavam ter 40, 50 e 60 anos, cada um, abraçados
com ela. Mais adiante pude ver que Samuel e Daniel também
observavam os quatro. Eram os filhos da Sra. Greey. Suas esposas, os
netos e bisnetos da Sra. Greey também estavam lá. Eu fiquei
emocionado e feliz por saber que minha conversa com Fernando, um
dos filhos de Sra. Greey, na noite anterior, havia dado resultado. Foi
para casa dele que pedi a Samuel que me levasse depois que deixei
Rose e Daniel em casa.
Os filhos e netos de Sra. Greey começaram a se acomodar na casa
do lago e as crianças a brincar do lado de fora. A Sra. Greey me viu de
sua varanda. Ficou me olhando e se despediu de mim, levando a mão
no coração e, depois, me mandando um beijo carinhoso. Eu repeti o
seu gesto e não contive as lágrimas. Senti-me como se tivesse cumprido
minha missão em Florentis.
Voltei para a pousada, despedi-me de Josephe e de todos os
funcionários que estavam na recepção. Depois fiquei esperando na
varanda da pousada. Uns cinco minutos depois, Samuel chegou com
Daniel. Fui em direção a eles e, quando me aproximei, Daniel pulou no
meu colo e me deu um abraço tão apertado…! Depois ele me olhou e
falou:
- Sr. Peter, obrigado por ter conversado com o filho da Sra. Greey.
Foi emocionante o encontro deles.
- Nós estávamos conversando com a Sra. Greey, quando ouvimos
o barulho do primeiro carro chegando. A Sra. Greey pensou que era a
Selena Iasmaya, mas quando ela viu seu filho Fernando sair do carro,
não sabia se sorria ou se chorava. Logo depois, mais dois carros
chegaram. Eram os outros dois filhos da Sra. Greey, Frederico e
Francisco com suas respectivas famílias. E os netos casados da Sra.
Greey também vieram com os bisnetos dela - comenta Daniel. Ela
ficou paralisada só olhando para seus filhos. Quando Fernando se
aproximou da varanda, ele olhou para a mãe e falou: “Mãe, ontem à
tarde, senti o seu cheiro e me deu uma saudade tão grande da senhora!
Desculpe-me se deixei de te ver esse tempo todo. Eu queria que a
senhora soubesse que continuo lhe achando a melhor mãe do mundo!”.
A Sra. Greey começou a chorar e seus outros filhos também se
aproximaram e a abraçaram! O senhor precisava ver a cena. Foi linda!
E Daniel continuou a contar emocionado como se deu o reencontro
da Sra. Greey com seus tão amados filhos, a quem ela não via fazia anos.
- A Sra. Greey acariciou o rosto deles e pediu desculpas a eles por
também não os ter procurado. “Fui orgulhosa demais. Eu amo vocês
meus filhos e vou amá-los para sempre!”, ela disse.
Assim que acaba de relatar como tudo aconteceu, o garoto cai no
choro. Samuel não se contém e também começa a chorar.
Daniel fala mais um pouco sobre a chegada dos filhos da Sra. Greey
e assim que o menino termina a história, Samuel nos lembra que é hora
de seguir para o aeroporto.
Daniel diz que quer ir na frente comigo. Eu digo a ele que não é
permitido crianças viajarem na frente e que, por isso, ele precisa se
acomodar no banco de trás do carro. Desconsolado, ele faz uma carinha
de decepção, eu acabo me rendendo e vou atrás com ele. O menino
segue todo o percurso até o aeroporto abraçado comigo.
Samuel, em tom de brincadeira, fica encarnando no garoto dizendo
que está com ciúmes. O menino nos surpreende com um de seus
comentários:
- Quando eu crescer, quero ter um pouco da essência de Samuel e
um pouco da sua, Sr. Peter, para me tornar um grande homem e não
decepcionar os meus filhos, assim como meu pai me decepcionou. Fala
em tom de desabafo.
Eu e Samuel nos olhamos pelo espelho retrovisor impressionados
com o que acabáramos de ouvir e eu disse a Daniel que ele já era um
grande homem, pois era um bom filho e um bom amigo. Samuel
confirmou minhas palavras.
Conversamos bastante durante o caminho. Paramos para fazer um
lanche rápido e seguimos até a cidade vizinha, na qual ficava o aeroporto.
Ao chegarmos, Samuel e Daniel seguiram comigo até o guichê da
companhia aérea e, em seguida, nos dirigimos ao setor de embarque.
Esse foi um momento muito difícil, porque Daniel começou a chorar.
Ele não queria que eu fosse embora. Eu o peguei no colo de novo e
disse:
- Daniel, um dia eu vou voltar e quero te ver bem sadio, estudando
e ajudando sempre as pessoas, ouviu?
O garoto, com lágrimas rolando em sua face, falou:
- Vou sentir saudades! Samuel é como um pai para mim, mas
durante o tempo que o senhor ficou aqui conosco, também foi um
pouco pai para mim.
Eu sorri e disse que ele também ficou sendo o meu filhinho torto.
Não só naqueles dias, mas para o resto da minha vida! Ele me abraçou
mais uma vez e nos despedimos.
- Até um dia, Sr. Peter! Tenho certeza de que vamos nos ver de
novo! - falou o garoto. Em seguida, deu-me um beijo e desceu do meu
colo.
Olhei para Samuel, que também estava emocionado e lhe dei um
forte abraço.
- Obrigado, meu amigo! Obrigado por ajudar a Sra. Greey a voltar
a sorrir -ele disse.
Enquanto me despedia de Samuel, percebi que ele tinha dois
envelopes em suas mãos: um grande e outro pequeno. Ao ver que eu
tinha me dado conta de que ele teria algo para mim, Samuel sorriu e
disse:
- A Sra. Greey pediu que eu lhe entregasse esses dois envelopes,
mas ela disse que era para o senhor abri-los somente dentro do avião.
- O.K. Eu só irei abri-los quando estiver dentro do avião. Samuel,
muito obrigado por tudo, mas antes de partir quero te pedir um último
favor: cuide de Daniel e da Sra. Greey para mim.
No dia anterior, eu já havia deixado os meus telefones com Samuel,
para o caso de ele precisar de alguma coisa para Daniel. Samuel apertou
minha mão, disse para eu ficar tranqüilo que cuidaria deles como sempre
o fez. Depois se despediu me desejando boa viagem! Dei mais um beijo
em Daniel e eles foram embora.
A cada passo que dava, Daniel olhava para trás com os olhos cheios
de lágrimas e eu com o meu coração partido em ter de deixá-lo. Dirigi-
me ao balcão de embarque e depois fiquei aguardando a chamada do
meu vôo. Fiquei olhando para os envelopes, mas decidi que só os abriria
mesmo dentro do avião conforme a Sra. Greey havia pedido. Ouvi a
chamada para o meu vôo e meu coração disparou. Deixar Daniel, a Sra.
Greey e Samuel, foi um momento muito difícil para mim.
Quando eu já estava dentro do avião, sentando em minha poltrona,
eu olhava para os envelopes e não conseguia abri-los. Senti um certo
receio de saber o que havia em seu conteúdo. Eu olhava para fora do
avião e bem ao fundo, avistava o morro que dava na Floresta de Florentis.
Resolvi abrir o envelope maior primeiro e levei um susto!
A Sra. Greey havia pintado o rosto de minha mãe igualzinho ao que
eu e Phill pedimos ao nosso amigo para pintar em nossas camisas para
homenageá-la no Dia das Mães.
Junto com essas duas pinturas havia um bilhete dela:
“Sr. Sleiyver, desfaça-se dos objetos pessoais de sua mãe e de seu pai. As nossas
maiores lembranças estão em nossos corações. Quanto às camisas, queime-as e jogue
o conteúdo em qualquer árvore de alguma floresta.
Um grande beijo no seu coração,
Sra. Greey.”
Fui às lágrimas mais uma vez! Nunca chorei tanto em minha vida!
Sempre fui um cara durão… Depois que minha mãe se foi, só mesmo a
Tia Joiyn conseguia me arrancar lágrimas com tanta facilidade.
Depois de conter um pouco a emoção que estava sentindo, abri o
outro envelope e parecia uma carta.
Quando desdobrei o envelope, levei um susto ainda maior, pois se
tratava de uma carta de minha mãe psicografada pela Sra. Greey.

“Filho,
Por que sentes tanta saudade de sua mãe? Eu fui muito amada
por você e seu irmão e vocês foram muito amados por mim e seu pai.
Fomos uma linda família, apesar do gênio difícil de seu pai. E,
mesmo com o pecadinho que ele cometeu, o meu amor por ele
permaneceu com a mesma intensidade.
Você foi um filho maravilhoso! O filho que toda mãe quer ter.
Gentil, educado, respeitador, bom filho e bom amigo de seus amigos.
Eu fui muito feliz com vocês e acho que cumpri boa parte de
minha missão, pois você e Phill se tornaram lindos homens com
lindas essências.
Filho, ninguém é perfeito. Eu, não era perfeita. Não procure na
face de cada mulher que encontrar o meu amor e o de seu pai. Abra
seu coração e deixe o amor entrar. Seja menos exigente, mais tolerante
e compreensivo.
E melhore um pouco o seu gênio, Sleiyver… Algumas vezes, você é
arrogante com as pessoas; uma herança que, infelizmente, herdou de seu
pai. Não sei se, às vezes, você age dessa forma para demonstrar autoridade,
superioridade ou até mesmo para chamar a atenção de alguém.
Você tem uma essência linda, filho! Será que ainda não notou
que, mesmo com seu jeito meio durão, as pessoas te adoram? Sabe
por quê? Porque o seu coração é muito bom e eles percebem isso por
mais que você tente esconder.
Sua vinda a Florentis não foi à toa… Você precisava se desarmar
um pouco diante da vida. Sei que a rotina de um policial não é fácil
e ao longo do tempo vocês se tornam frios. Mas com você foi diferente,
pois mesmo demonstrando um lado durão, sua essência permaneceu
e é sobre isso que eu quero que você reflita.
Sleiyver, lembra daquela vez que o vizinho da frente, pai de
seus amiguinhos, bateu neles com uma borracha de pneu de bicicleta
e você ficou tão revoltado, mas tão revoltado, que tacou uma pedra
no carro dele quebrando o vidro da frente? Lembra-se que seu pai
ficou uma fera com você, mas não te bateu? E depois de alguns dias
te levou para passear e vocês tiveram uma longa conversa sobre as
famílias, na qual ele explicou que cada família tem que encontrar
um caminho para que seus membros consigam se entender? E que
cabia a cada um de nós fazer as nossas transformações interiores?
Para você ver, nem sempre seu pai foi estúpido e grosseiro.
Algumas vezes, ele também tinha bom senso. E quando queria,
sabia conversar. E, apesar de todo o gênio difícil dele, nossa família
tinha um grande amor e muita cumplicidade.
Eu fiz questão de tocar nesse assunto para que não tivesse
nenhuma dúvida de que é a sua mãe quem escreve pelas mãos da
Sra. Greey.
E o amor é assim, sem muitos mistérios, nós é que complicamos…
Filho, eu amei muito você e seu irmão e irei amá-los para sempre!
Seja feliz, Peter!
Um grande beijo no seu coração e fique em paz!
Celly”.

Mais uma vez não pude evitar que as lágrimas me lavassem o rosto.
Fiquei em silêncio por alguns minutos agradecendo à minha mãe por
aquelas belas e sábias palavras. “Quanta saudade, mãe! Obrigado por
trazer esse carinho do qual eu tanto precisava!”, agradeci mentalmente.
“Eu também vou te amar para sempre!”, disse.
Quando o avião decolou, olhei pela janela, avistei mais uma vez o
morro que dava na Floresta de Florentis e agradeci a Sra. Greey por me
mandar esse magnífico presente, a mensagem de minha mãe.
“Obrigado, Sra. Greey! Muito obrigado!”.

F I M

Feliz Dia das Mães

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One Response to “O Segredo da Sra Greey - 10º Capítulo / 2ª Parte”

  1. Comment posted May 5th, 2008 at 3:49 pm by Jussara

    Estória emocionante. Adorei.

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About

Meu nome é Elaine Paiva, sou escritora e torno público a partir de hoje, o meu livro, “O Segredo da  Sra Greey”.

Espero que gostem. Sejam Bem Vindos!