8º Capítulo
Acordei bem cedo e fiquei um pouco na cama lembrando das falas
da Sra. Greey. Fiquei me perguntando porque a Sra. Greey não faz as
pazes com seus filhos. Samuel e Daniel dizem que ela é maravilhosa! O
que fez seus filhos se afastarem dela ou, quem sabe, ela deles?
Fiquei um tempo ainda na cama, depois tomei meu banho e fui
tomar café. Josephe, o gerente, aproximou-se e perguntou-me se eu
havia visto a crise de loucura da Sra. Greey no dia anterior. Eu disse a
ele que não se tratava de uma crise de loucura e sim de saudade.
Josephe me olhou e falou:
- Parece que Daniel e Samuel conseguiram convencer o senhor de
que a Sra. Greey não está doente.
- Meu caro, Josephe, se a Sra. Greey está doente, posso lhe afirmar
que é de saudade - respondi.
Josephe ficou me olhando e depois me perguntou se eu pretendia ir
visitá-la. E eu respondi:
- Pretendo não, eu vou!
Josephe sorriu e depois falou:
- Admiro sua coragem Sr. Peter. Eu também não acredito que a
Sra. Greey esteja tão doente, mas confesso que com tantas lendas, tenho
receio de visitá-la.
Eu sorri e falei para Josephe que, no início, eu também ficara receoso,
não por achar que elas fossem bruxas, mas por desconhecer o que
significava ser uma Selena.
Josephe me olhou de um jeito estranho e perguntou:
- E o senhor sabe o que é ser uma Selena agora?
Eu mais uma vez respondi sorrindo:
- Sim, Josephe! Ser uma Selena, nada mais é do que ter costumes
e cultura diferentes, assim como cada país tem a sua cultura e os seus
costumes. A diferença é que as Selenas têm a mesma nacionalidade que
nós, mas com pensamentos diferentes.
Josephe ficou me olhando surpreso.
- É só isso mesmo, Sr. Peter? O senhor está me dizendo que esse
tempo todo nós fomos ignorantes diante dessas pessoas?
- Por favor, não coloque palavras na minha boca. É você quem
está falando que foram ignorantes com as Selenas - falei e fiquei rindo.
- Acho que, na verdade, temos medo daquilo que não é de nossa
compreensão. Somos supersticiosos demais, acreditamos em muitas
histórias e acabamos não enxergando as coisas ou as pessoas como elas
realmente devem ser vistas.
Levantei-me da cadeira, coloquei a mão no ombro de Josephe e
falei:
- Não se recrimine, Josephe. Eu também já acreditei em muitas
coisas, mas a minha profissão requer muito raciocínio e, com o tempo,
aprendi a buscar respostas e não acreditar só naquilo que via e sim a
enxergar bem mais adiante. E é por isso que te falo: as Selenas são tão
normais quanto a gente e, em alguns casos, até mais que muita gente.
Josephe perguntou-me se eu iria embora mesmo no sábado.
- Eu disse que sim, porque precisava voltar e colocar minha casa
e minha vida em ordem.
- Que pena! Gostaria de lhe oferecer um jantar em minha casa.
Tenho duas filhas moças que já ouviram falar do senhor na cidade.
- Josephe, fica para uma outra oportunidade e diga a suas filhas
para não acreditarem em tudo que falarem de mim. Sou tão normal
como qualquer outro homem.
Josephe sorriu e perguntou se eu queria que ele chamasse Samuel
para me levar a algum passeio.
- Eu disse que não e avisei a Josephe que ficaria na pousada pela
manhã e que, depois do almoço, iria visitar a Sra. Greey.
Fiquei passeando pela pousada, que realmente é muito bonita e bem
cuidada. Assim como em quase toda a Cidade de Florentis, a pousada
também tinha muitas flores e plantas. É um ótimo lugar para uma família
se hospedar e aproveitar a oportunidade para fazer um piquenique.
Nossa, que coisa mais antiquada! Estou mesmo ficando velho. Para as
crianças, é um lugar maravilhoso, pois elas podem ficar soltas, à vontade!
Fiquei pensando: “Um dia eu voltarei a Florentis! Quando eu não
sei, mas tenho certeza de que voltarei”.
Nesse momento me dei conta de que estava bem próximo à Casa
do Lago e que a Sra. Greey estava me olhando de sua varanda. Ela
sorriu e acenou para mim. Eu respondi da mesma forma. Depois, fiquei
olhando para ela com um sorriso no rosto e ela me contemplava da
mesma forma. Apenas sorríamos um para o outro. Nesse momento,
um dos funcionários se aproximou e falou:
- Sr. Peter, o Sr. Josephe está pedindo para o senhor comparecer
ao saguão da pousada.
Achei estranho, mas fui ver do que se tratava. Acenei para a Sra.
Greey e ela ficou me olhando até eu chegar à pousada. Quando adentrei
a recepção, dei de cara com Karine. Josephe fez um sinal para mim,
como quem diz que não pode impedir a sua presença ali.
Eu fiz sinal de que estava tudo bem e a levei para a área externa da
pousada. Karine já foi logo me abraçando e tentando me beijar e eu, me
esquivando dela, falei
- Pare com isso, Karine. O que você veio fazer aqui?
- Peter, eu estou apaixonada por você. Tenho certeza de que se
você passar o dia comigo vai entender que o seu lugar é ao meu lado.
Eu, no auge da minha irritação, disse a ela que não estava interessado
em ninguém e que, nesse dia, em especial, eu queria ficar na pousada,
aproveitando o lugar. Foi, então, que ela disse:
- Eu fico com você. Eu te faço companhia o dia inteiro.
Olhei para Karine e disse que queria ficar sozinho. Ela começou a
chorar dizendo que eu não estava entendendo…
- Peter, você é o homem da minha vida! Assim que você entrou na
loja, eu percebi isso no seu olhar. Você não veio para Florentis à toa!
Veio para me encontrar.
Eu olhei para ela muito sério e disse:
- Karine, pára de falar bobagens! Já disse que não sou o homem
que procura.
E ela continuou:
- Peter, por favor! Me dê uma chance! Eu só quero te provar que
sou a mulher de sua vida!
-Putz! Todo castigo para policial é pouco!?, pensei. Olhei para ela e
disse em um tom mais alto:
- Karine, eu não vim atrás de nenhuma mulher! Vim para passear
e conhecer a cidade. Aqueles beijos que trocamos foi somente por acaso.
Só isso! Não sou seu príncipe encantado e, diga-se de passagem, estou
mais para homem das cavernas do que para príncipe. Agora, faça-me
um favor: vá embora! Você não tem que trabalhar, não?
- Eu não vou embora até convencê-lo de que eu sou a mulher de
sua vida e não a Rose - ela disse com seriedade.
Olhei espantado para ela e perguntei:
- O que Rose tem a ver com isso?
- Está pensando que eu não sei, Peter, que ela deu em cima de
você? Eu vi quando você voltou na loja para falar com ela e também
percebi no barzinho que vocês estavam marcando um encontro. Eu
posso ser de Florentis, Peter, mas não sou nenhuma tapada.
Olhei para Karine, dei aquele sorriso debochado que vocês
conhecem e falei:
- Realmente, você não é tapada, Karine. É uma anta! Agora me
deixa em paz, que eu quero descansar!
Karine me olhou com muita raiva e falou:
- Se você pensa que vai ficar com Rose, está muito enganado! Ela
sai com todo mundo na cidade. Ela vai te encher de chifres, seu burro!
Corno! Corno! Corno!
E ela saiu me chamando várias vezes de corno. Depois que ela se
foi, eu fiquei rindo e pensando em como as mulheres são vaidosas.
Tudo bem que ela até estivesse a fim de mim, mas dizer que eu era o
homem de sua vida e que tinha vindo até Florentis para encontrá-la,
isso foi demais!
Por um outro lado, ela já não estava mais preocupada em conquistar
o homem Peter e sim de não perdê-lo para uma outra mulher. Mulheres!
São todas muito complicadas! Mas o que seria de nós, os homens, sem
elas?
Resolvi entrar e ler o jornal da cidade. Aproveitei para ler, inclusive,
a coluna da Selena Iasmaya. Depois, assisti televisão até a hora do almoço.
Daniel chegou na hora que estava me sentando à mesa para almoçar e
ao me ver, abriu o maior sorriso. Ele se aproximou e falou:
- Sr. Peter, vim lhe agradecer por me confortar ontem!
Olhei para o garoto e perguntei se ele já tinha almoçado. Ele me
respondeu que não. Então, o convidei para almoçar comigo e ele me
respondeu que não podia.
- Mas não pode por quê? - perguntei buscando entender porque
ele não aceitara o meu convite. E ele me respondeu:
- Porque a Sra. Greey e Samuel estão me esperando para almoçar.
A Sra. Greey prepara o almoço todos os dias para mim e Samuel.
Almoçamos juntos como uma família. Só vim mesmo lhe agradecer
por me confortar e me levar para casa.
- Está bem, Daniel, mas à noite quero que jante comigo lá na
cidade. Você e Samuel.
O garoto sorriu e disse:
-Na cidade, Sr. Peter? Num restaurante? - perguntou o Daniel
num misto de alegria e surpresa.
- Sim, num restaurante - respondi.
Ele ficou todo eufórico e perguntou onde ele e Samuel deveriam
me encontrar. Eu pedi que ele avisasse a Samuel para me apanhar na
pousada às 19h. Daniel ficou nas nuvens, com um sorriso no rosto
muito engraçado. Antes de se retirar, aproximou-se, me deu um beijo
no rosto e mais uma vez agradeceu pelo carinho na noite anterior. Depois,
o danadinho saiu rindo! Pensei: “Esse Daniel!” Fiquei olhando-o deixar
a pousada e fiquei imaginando que gostaria de ter um filho igual a ele.
Ele era muito bonitinho e muito engraçado também. Daniel mexeu
muito com meu lado paterno. Eu tenho um forte desejo de ser pai, mas
até agora não pintou. Quem sabe futuramente?!
Almocei, subi e fui para o meu quarto descansar. Eram mais de
14:30h, quando Josephe me interfonou avisando que tinha um
telefonema para mim na recepção. A primeira pessoa que me veio à
cabeça foi a Srta. Karine. Imediatamente, perguntei ao gerente se era
ela. Ele me disse que não, que era Rose. Levantei-me e fui atender a
ligação.
- Alô, Peter? Sou eu, Rose!
- Sim, sou eu. Pode falar, o que houve?
- Estou te ligando para agradecer por ter me convencido a ir visitar
a Selena Iasmaya. Adorei a Vila e vou lecionar lá!
Rose estava eufórica. Ela não conseguia parar de falar. Eu tentava
falar e Rose me contava tudo o que tinha visto na Vila. Fiquei muito
feliz por ela. Depois de me contar tudo rapidamente, ela se acalmou e
continuou:
- Peter, muito obrigada por me abrir os olhos. Como eu era boba
em acreditar em todas essas lendas! Estou muito feliz e agradeço a você
por ter me incentivado a me libertar dessa tolice. Começo na próxima
segunda-feira. No início, vou trabalhar junto com a Selena Iasmaya, e
até as crianças se acostumarem comigo, ficaremos juntas. Depois eu
assumirei a turma dela.
Rose deu uma parada e depois continuou.
- Se eu pudesse escolher um marido, você seria o meu príncipe -
fala e fica rindo - mas eu sei que nosso encontro aqui em Florentis foi
só para selarmos uma linda amizade. Tenho certeza de que o dia que
você voltar à cidade, nos dois já estaremos casados e muito felizes!
Sorri e falei para Rose:
- Nossa, Rose! Não sabia que você iria pegar o jeito das Selenas
tão rápido!
- Peter, na verdade, acho que de alguma forma sempre me
identifiquei com elas. Você irá nos ver à noite?
- Respondi que sim e aproveitei para convidá-la para jantar comigo,
Daniel e Samuel. Combinamos tudo e depois nos despedimos.
Eram 15h quando terminei nossa conversa. Voltei para o meu quarto,
tomei um belo banho e me arrumei. Estava pronto para o encontro
mais importante que ia ter em Florentis. Fui andando a passos curtos
até a casa da Sra. Greey. Quando estava bem perto da casa do lago,
percebi que ela já estava a minha espera em sua varanda. Aproximei-me
com um sorriso e falei:
- Sra. Greey queria falar comigo?
- Sr. Sleiyver, que bom que o senhor veio! Eu estava a sua espera
há muito tempo!. Entre, por favor.
Tags: Mulheres, Perfumes, Relacionamentos
Meu nome é Elaine Paiva, sou escritora e torno público a partir de hoje, o meu livro, “O Segredo da Sra Greey”.
Espero que gostem. Sejam Bem Vindos!
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