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O Segredo da Sra Greey

O Segredo da Sra Greey - 7º Capítulo / 3ª Parte

7º Capítulo - 3ª parte

Acordei com as gargalhadas da Sra. Greey. Eram quase dez horas
da noite. Fui para a janela e vi que Daniel estava sentado próximo ao
lago, do lado da Pousada, e que Samuel também se encontrava ao seu
lado, ambos somente observando. Vesti uma roupa e fui até eles, queria
entender o que acontecia com a Sra. Greey.
Chegando perto deles, percebi que Daniel estava de cabeça baixa
chorando e que Samuel estava com os olhos cheios de lágrimas. Parei e
também fiquei observando os gestos e a fala da Sra. Greey que em seu
momento de loucura, delirando, olhava na direção do lago e falava:
- Muito bem!… Calma! Não foi nada!… Oh, meu amor! Que lindo!…
Vem com a mamãe! - enquanto pronunciava essas frases, ela fazia um
gesto como se estivesse abraçando alguém e continuava - Isso! Vai!
Ahhhh, filho! Tenta de novo, você vai conseguir, meu amor!… Muito
bem! Muito bem!… Não tenha medo, mamãe está do seu lado!
Eu olhava para o lago e não conseguia ver nada. Talvez a partir do
reflexo da luz da lua nas árvores, a Sra. Greey pudesse ver algum desenho,
sei lá. Foi a única coisa que me passou pela cabeça para tentar entender
o que estava acontecendo. Ela parecia estar em transe! Quanto mais
alto ela falava e mais gestos fazia, mais Daniel chorava! Tirei Daniel do
chão e o coloquei de pé ao meu lado. Daniel me abraçou e ficou ali
grudado em mim chorando. E a Sra. Greey continuava:
- Vai!… Vai… Agora! Gollllllll!… Muito bom! - nesse momento,
ela pulava e ria muito. - Você é o melhor, meu filho! Muito bom!…
Não! Não chore, pois a mamãe vai passar um remedinho, é só um
machucadinho… Pronto, viu? Não doeu nada!… Ah, meu filho! Que
linda flor! - ela ergue a mão como se estivesse recebendo alguma coisa,
um flor das mãos de seu filho. - Obrigada, você é o melhor filho do
mundo! Mamãe te ama!… Outra flor? Nossa! Sou a mulher mais feliz
do mundo! Meus filhos amados, sou tão feliz com vocês!…
Daniel nessa hora começou a chorar muito a ponto de soluçar. Eu
o peguei no colo e ele encostou sua cabeça em meu ombro e disse:
- Sr. Peter, a Sra. Greey está sentindo muitas saudades de seus
filhos, por isso ela está assim! Depois, Daniel encostou sua cabeça em
meu ombro de novo e ficou abraçado comigo chorando, mas agora
senti que ele estava mais calmo.
Observei que a lua já não iluminava tanto o lago naquela hora e que
conforme as formas, que eu acredito que a Sra. Greey estava vendo no
lago, iam sumindo, ela ia se acalmando, falando menos e mais baixo e
fazendo menos gestos. A essa altura nós já não conseguíamos mais
escutar o que ela falava, mas teve um momento que até eu fiquei
emocionado. Foi quando ela falou mais alto de novo, como se estivesse
se despedindo de alguém.
- Vocês são as melhores coisas de minha vida!… Eu estarei sempre
ao lado dos meus amores!… Se eu sou linda é porque vocês me fazem
me sentir linda!… Se eu tenho olhos brilhantes é porque são vocês que
me dão esse brilho!… Se eu sou cheirosa é porque recebo tanto amor
que minha essência exala o mais puro sentimento que uma mãe pode
ter… EU AMO VOCÊS!… EU AMO VOCÊS… EU VOU AMÁ-LOS
PARA SEMPRE!
Depois disso, a Sra. Greey sentou-se em sua cadeira de balanço e
ficou ali se balançando, só que agora com um olhar muito triste. Olhei
para Samuel e ele estava chorando. Daniel, que estava em meu colo,
ainda agarrado comigo, chorava e soluçava. Perguntei a Samuel desde
que horas a Sra. Greey estava nesse estado.
Ele me disse que desde às 21h.
- É mais ou menos a essa hora que ela começa a ter essas crises.
Não duram muito tempo - comenta Samuel tristonho. Mas é tempo
suficiente para partir o nosso coração.
Perguntei ao Samuel se Daniel morava muito longe e ele me
respondeu que Daniel vivia na periferia, um pouco distante dali, quase
uns trinta minutos da pousada.
- Então, vamos levá-lo para casa, Samuel.
Samuel me olhou e disse:
- Eu sempre o levo, Sr. Peter. Ele é muito pequenininho para andar
sozinho por essas ruas à noite. Apesar de ele ser um menino esperto,
tem apenas oito anos. Faço isso não só porque a Sra. Greey paga a
gasolina, mas por mim mesmo. Gosto muito desse menino. Ele trabalha
ajudando a Sra. Greey desde os quatro anos de idade, para ajudar sua
família que é muito pobre.
- Então vamos, Samuel.
Seguimos até o carro e Daniel não quis nem sentar-se ao meu lado,
queria ficar mesmo no meu colo, grudado comigo. Rumamos para a
periferia de Florentis. No início, até que o aspecto do lugar não era
muito ruim, era mais ou menos como a zona norte do Rio de Janeiro,
nas partes mais pobres, mas à medida que íamos adentrando a periferia,
pude ver que Florentis, apesar de toda a sua beleza, também tinha os
mesmos problemas que outros centros urbanos. Ruas escuras e desertas,
malandros nas ruas e alguns homens armados. Lixo espalhado pelas
ruas, buracos, algumas partes com valas abertas, meninas novas se
prostituindo… Igual a todos os problemas que minha cidade tem… A
única diferença é que a população era menor. Samuel me disse para
ficar tranqüilo, pois os moradores do local já conheciam o seu carro e
sabiam que ele estava levando Daniel para casa.
Quando nos aproximávamos da casa de Daniel, percebi que ele
havia pegado no sono e avisei a Samuel que gostaria de colocá-lo direto
na cama para ele não acordar. Chegamos em frente à casa do garoto,
sua mãe já estava na varanda esperando por ele. Samuel pediu-me para
esperar e foi na frente conversar com a mãe de Daniel, depois ele voltou
e abriu a porta para que eu pudesse saltar do carro. A mãe de Daniel
abriu a porta e me levou até um pequeno quartinho que era do menino.
Era tudo pequenino, mas muito bem arrumadinho. Eu o coloquei na
cama, dei-lhe um beijo na testa e saí.
Depois conversamos um pouco com a mãe do garoto e Samuel
avisou-me que deveríamos ir embora, pois estava ficando muito tarde e
que aquela área era muito perigosa. Despedi-me da mãe de Daniel e
segui com Samuel para Florentis. Samuel também estava chateado e
nem fez brincadeiras comigo. Chegando ao centro da cidade, Samuel
perguntou-me se eu queria passar no barzinho e disse que me esperaria
no carro. Eu disse a Samuel que queria passar rapidinho para falar com
as meninas e o convidei para ir junto comigo.
- Eu, Sr. Peter? Acho que as meninas não irão gostar.
Respondi a Samuel que ele era meu convidado e entramos no
barzinho. Samuel estava todo sem graça, ele devia ter uns 45 anos, mais
ou menos. Sentamos à mesa com as meninas. Estavam presentes mais
duas amigas de Karine, além de Rose e Vailery, que eu ainda não
conhecia. Embora elas já conhecessem Samuel, eu o apresentei
novamente, mas desta vez como meu amigo. Começamos a bater papo
e Karine não tirava os olhos de mim.
Eu estava conversando com todas as meninas e, em um determinado
momento, Karine começou a se pendurar no meu pescoço beijandome
a toda hora. Depois começou a virar meu pescoço em sua direção,
demonstrando que queria atenção exclusiva para ela. Se ela soubesse o
quanto isso me irrita, não teria nem mesmo se sentado ao meu lado.
Eu já estava muito irritado com a insistência de Karine e resolvi
chamar Samuel para ir embora, mas antes puxei Rose para um pouco
mais longe da mesa e perguntei a ela se já tinha se decidido sobre ir ou
não à Vila das Selenas. Rose disse que havia se decidido e que iria
conversar com Selena Iasmaya, mas que não sabia se iria aceitar o convite
para trabalhar lá.
- Tenho certeza de que você irá gostar muito de Selena Iasmaya — eu disse.
Rose agradeceu-me e perguntou se eu iria me despedir das meninas
antes de ir embora. Eu disse que sim, dei-lhe um beijo na testa e voltei
para a mesa. Deixei o valor correspondente ao que considerei ser mais
do que 70% do valor do total da conta, minha parte e a das meninas
também. O restante deixei que elas completassem. Eu e Samuel nos
levantamos e Karine foi atrás de mim. Ela me segurou pelo braço e
falou:
- Peter, você está pensando que é assim? Você vem, me paquera,
me beija e depois vai embora sem me dar ao menos uma satisfação?
Tirei as mãos de Karine de meu braço e disse:
- Eu não te paquerei… Eu não te beijei… Eu beijei a sua mão, foi
você quem me puxou e me deu um beijo. Não estava fazendo nada e
aceitei. Só isso!
- Eu agi assim porque gostei muito de você, Peter! Tenho certeza
de que você é o homem de minha vida. Leva-me com você para a sua
cidade. Eu serei a melhor mulher que um homem pode querer em sua
vida - ela me abraçou e disse em um tom choroso.

Afastei-a de mim cuidadosamente e disse:
- Karine, não sou o homem que procura… Tenho certeza de que
você encontrará o homem certo. Agora preciso ir.
Ela ficou me olhando e eu senti que o assunto não ia parar por ali.
“Putz, eu me meto em cada confusão com mulheres, pensei. Eu
realmente não aprendo!” Eu e Samuel seguimos para o carro e ele estava
com uma cara. Eu sabia que ele iria debochar de mim. Entramos no
carro e Samuel começou a falar me imitando:
- Samuel, vai cuidar da sua vida e deixa que com as mulheres eu
me viro! - ele ria muito de mim, de dar gargalhada.
Eu mesmo não agüentei, comecei a rir e comentei com Samuel:
- Eu não sei porque eu atraio essas coisas.
- Eu lhe avisei!… - e ele continuou - Sr. Peter, apesar de Florentis
ser um lugar lindo, as moças daqui querem ir para as cidades mais
modernas, onde elas possam realmente ser vistas. Aqui, elas são as mais
cheirosas, no entanto, há poucos homens em relação ao número de
mulheres.
Eu falei a Samuel que havia percebido que tinha mulher demais em
Florentis… Lembrei-me de Marcelo Dickmman um colega de trabalho
muito mulherengo, ele iria adorar!
Samuel perguntou-me se eu queria visitar algum buraco de Florentis?
Eu comecei a rir e comentei com ele que essa era a minha intenção mais
cedo, mas que, agora, depois de ter assistido a Sra. Greey naquele estado
e de ver como Daniel ficara, tinha perdido até o tesão.
- Me leva para a pousada, Samuel. Quero dormir, amanhã eu irei
visitar a Sra. Greey, logo após o almoço.
- Obrigado, Sr. Peter, por ir visitar a Sra. Greey. Ela vai ficar muito
feliz!
Samuel me deixou na pousada e eu, antes de entrar e ir para o meu
quarto, segui até o lago. Queria ver se a Sra. Greey ainda estava na
varanda. Ela já havia se recolhido. Fiquei ali parado por alguns minutos,
lembrando-me de sua crise, depois fui dormir.

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2 Responses to “O Segredo da Sra Greey - 7º Capítulo / 3ª Parte”

  1. Comment posted May 4th, 2008 at 6:16 am by blogcronicas.com » Blog Archive » O Segredo da Sra Greey - 7º Capítulo / 2ª Parte

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  2. Comment posted May 5th, 2008 at 3:25 am by O Segredo da Sra Greey Online | Blog Crônicas

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Meu nome é Elaine Paiva, sou escritora e torno público a partir de hoje, o meu livro, “O Segredo da  Sra Greey”.

Espero que gostem. Sejam Bem Vindos!