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O Segredo da Sra Greey

O Segredo da Sra Greey - 5º Capítulo

5º Capítulo

Seis horas da manhã em Florentis. Acordei com os olhos
lacrimejando. Estava sonhando com a minha mãe. Ela estava linda!
Sorrindo para mim e me mandando beijos, muitos beijos… Era assim
que a imagem dela desaparecia no meu sonho. Ela me mandando beijos..
A essa hora da manhã, a Sra. Greey já estava queimando suas
essências florais e o cheiro que se espalhava pelo ar era igual ao do
perfume da minha mãe. Fiquei deitado na cama, me lembrando do
quanto eu gostava de sentir o cheiro que emanava da pele de minha
mãe! Às vezes, eu a abraçava e a cobria de cheiros e beijos e a chamava
de “cheirosa”. Ela ria muito desse meu jeito e costumava dizer que eu
era o filho mais gentil que uma mãe poderia ter.
Comecei a recordar-me da minha infância ao lado de minha mãe,
meu pai e meu irmão. Mesmo com todo o gênio difícil de meu pai, nós
éramos uma família muito feliz. Minha mãe sempre estava do nosso
lado.
Quando eu e meu irmão éramos bem pequenos, ainda com uns
quatro e cinco anos, para comemorar o Dia das Mães, costumávamos
brincar com minha mãe que ela só receberia os presentes se nos
encontrasse. Eu e Phill nos escondíamos pela casa e ela tinha que nos
achar, para, então, receber os seus presentes.
Phill sempre teve o riso mais frouxo do que eu e, por isso, era o
primeiro a ser encontrado pela minha mãe. Bastava ele sentir a presença
dela, para começar a rir. Quando ela o encontrava, falava rindo muito:
“Te peguei, seu menino levado! Meu amor!”, e lhe dava muitos beijos.
Meu pai também se divertia muito com essa brincadeira, porque mesmo
depois que ela encontrava Phill, ele não conseguia parar de rir… Era
tudo muito divertido.
Por outro lado, eu já era mais contido. Ia para o meu esconderijo e
ficava quietinho, quase sem respirar, ansioso para que minha mãe me
achasse logo para me encher de beijos também. Quando ela me
encontrava, se aproximava bem devagarzinho, porque como ela sabia
que eu ficava muito quieto, tinha medo de me assustar.
Mas eu pressentia quando ela estava próxima pelo cheiro que o seu
perfume deixava no ar. À medida que ela se aproximava vagarosamente,
eu já abria um sorriso enorme, porque sabia que ela estava prestes a me
pegar. Ela me abraçava por trás e falava baixinho: “Peguei o meu amor!
Achei o meu filho querido!”, e me dava muitos beijos e abraços. Eu
ficava todo bobo com o carinho dela!
Em uma outra passagem de nossas vidas, eu e Phill, já adolescentes,
resolvemos preparar uma surpresa diferente para minha mãe. Pedimos
a um amigo nosso, que desenhava e fazia tatuagens, para pintar o rosto
de nossa mãe nas costas de duas camisas brancas. Nessa época, fazíamos
natação e muita ginástica na escola, por isso, estávamos ficando com os
músculos bem definidos. No Dia das Mães, nos levantamos cedo e
fomos tomar o café da manhã junto com nossos pais. Dissemos a ela
que, em seguida, iríamos pegar o seu presente. Nesse momento,
usávamos camisas comuns. Tomamos nosso café e brincamos bastante
na mesa.
Um fato curioso que eu sempre notei em meu pai era que, por mais
exigente que ele fosse comigo e com Phill, quando era para agradar a
minha mãe, ele topava qualquer coisa que a gente quisesse. Tudo o que
inventássemos para festejar o Dia das Mães, Natal, aniversário dela etc.,
ele não media esforços para realizar.
Assim que terminamos de tomar o café da manhã, fomos até o
nosso quarto e vestimos as camisas que havíamos encomendado para
este dia tão especial. Voltamos para a sala de jantar e ficamos
estrategicamente posicionados atrás de minha mãe, de costas para ela,
claro. As camisas ficaram bem justas em nosso corpo, deixando bastante
nítido os desenhos do rosto de minha mãe. Na camisa de Phill estava
escrito “Você é linda!”, bem abaixo da imagem e, na minha, “Eu te
amo!”.
Phill fingiu pegar um calendário, daqueles que ficam expostos nos
borracheiros, e começou a descrever a suposta mulher que víamos.
- Que mulher linda essa do calendário! Olha só, Sleiyver. Que
boca bonita! - comentou Phill.
Enquanto ele fazia o seu comentário, eu fiquei tomando conta para
ver se ela olhava para a gente. Meu pai, cheio de vontade de rir, também
entrando no nosso jogo, despistava: “Meninos, olhem a falta de respeito.
Sua mãe está presente!”. Phill, continuando a brincadeira, olha para
trás, e diz: “Ah, pai, nós não estamos fazendo nada demais! Só estamos
comentando o quanto é bonita essa mulher”. E ele continua. “Olha só,
Sleiyver! Que cabelo bonito! Que pele! Parece muito macia!.” Nessa
hora, eu só escutei minha mãe dizer para o meu pai: “Ai, meu Deus,
adolescentes! Que fase!”, e começou a rir. Ela continuou sentada à mesa
com meu pai, esperando pelo seu presente.
Depois, foi a minha vez de fazer os comentários sobre a suposta
garota do calendário, para que minha mãe ficasse curiosa e se virasse
para nós a fim de ver o que de tão especial havia nessa moça. “Phill,
você reparou nos seus olhos amendoados brilhantes?! Essa mulher é
mesmo maravilhosa!”, comentei. Minha mãe olhou para o meu pai e
eles começaram a rir, mas ela ainda não sabia que estávamos nos
referindo a ela. Na verdade, ela estava achando graça das manifestações
de deslumbre e encantamento de dois adolescentes por uma modelo.
Dando continuidade ao nosso teatrinho, olhei para minha mãe e,
em seguida, me virei para Phill e disse: “Phill, essa mulher deve ser
muito cheirosa. Ela é linda!”. Nesse exato momento, minha mãe fez
uma cara engraçada, como se estivesse começando a perceber que era
dela que estávamos falando todo o tempo e se virou para olhar em
nossa direção. Quando ela viu nossas camisas, deu uma gargalhada tão
gostosa e falou emocionada: “Seus doidos! Vocês não têm mais o que
inventar! Ah, meus filhos, meus amores! Minhas vidas! Vocês é que são
lindos e eu amo vocês demais!”.
Meu pai se divertia muito com toda aquela armação. Ele comentou
que, no fundo, minha mãe ficou tão enciumada de ver seus filhos tecendo
elogios a uma mulher que não fosse ela que nem reparou que estávamos
descrevendo ela própria.
Esse foi um dia muito legal em nossas vidas. Minha mãe guardou
essas camisas durante muito tempo. Quando ela já estava muito doente,
pediu a tia Joiyn, esposa do meu tio Sillerman para guardá-las, até que
nós decidíssemos o que iríamos fazer com elas. Preferimos deixar as
camisas com nossa tia, lá no quartinho de bagunça dela. Elas ficaram
guardadas no mesmo lugar para onde levamos os pertences de meu pai
logo após a sua morte. Tia Joiyn acha que devemos nos desfazer dos
objetos pessoais dele e de algumas outras coisas que estão naquele
quartinho. Quando eu voltar para casa, pretendo fazer isso, aproveitando
que estou de férias.
Eu e Phill fomos muito amados por minha mãe. Jamais poderemos
sequer pensar em dizer que ela não foi uma boa mãe. Foi, na verdade, a
melhor mãe que um filho poderia ter. Resolvi levantar, tomar um banho
e andar um pouco perto do lago.

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About

Meu nome é Elaine Paiva, sou escritora e torno público a partir de hoje, o meu livro, “O Segredo da  Sra Greey”.

Espero que gostem. Sejam Bem Vindos!