blogcronicas.com

O Segredo da Sra Greey

O Segredo da Sra Greey - 4º Capítulo

4º Capítulo

Conversei um bom tempo com a senhorita Karine e suas amigas,
Rose e Vailery. Foi uma noite muito agradável! Elas realmente sabiam,
muito bem, como receber e agradar um visitante. Eram quase 23h
quando Daniel apareceu por lá. Com uma carinha de menino levado,
aproximou-se de nossa mesa e me perguntou:
- Sr. Peter, quer comprar rosas?
Eu olhei para ele e fiquei pensando: ?Moleque safadinho! Sabe que
eu não vou deixar de comprar as rosas!?. Pedi a Daniel três rosas e as
entreguei para as meninas. Percebi que a Srta. Karine não gostou muito,
pois, na verdade, queria toda atenção voltada para ela. Daniel agradeceume
por comprar as rosas e, antes de se retirar, deu um sorriso debochado
para a Srta. Karine. Eu não entendi nada, mas fiquei bastante curioso.
Rose e Vailery começaram a contar algumas histórias sobre romances
que deram certo na ?Cidade das Essências?. Rose começou a narrar
uma história, que me deixou estressado. Imagine sobre quem era? Sra.
Greey, claro.
- Peter, dizem que um dos romances mais bonitos da cidade foi o
da Sra. Greey. Segundo os mais velhos, o próprio Sr. Greey contou essa
história - disse Rose.
- O Sr. Greey veio para Florentis a trabalho e, segundo suas próprias
palavras, quando colocou os pés na cidade, ele disse: “Aqui, nesta cidade,
vou encontrar a mulher da minha vida, o meu verdadeiro e grande
amor!”. O dono do Hotel Florentis, antigo hotel do centro da cidade,
disse certa vez que, assim que o Sr. Greey se hospedou, ele deixou as
malas e perguntou qual era o lugar mais bonito para se visitar em
Florentis. O dono, Sr. Eduardo Coty, disse que havia muitos lugares,
desde a pequena floresta, que fica mais acima da cidade, até o lago,
perto do qual a Sra. Greey mora atualmente - continuou a garota.
Eu interrompi Rose por um momento e perguntei onde a Sra. Greey
morava antes de se casar.
Rose me respondeu que ela morava numa pequena Vila de Selenas,
localizada ao lado direito da floresta, onde atualmente vive a velha Selena
Sara e mais alguns descendentes de Selenas.
- É uma Vila até muito bonita, dizem os turistas. Quase ninguém
vai lá. Dizem que elas fazem bruxarias! - completou Rose.
- Bruxarias? - perguntei.
- Sim, Peter. Dizem que elas fazem bruxarias para algumas moças
da cidade, que se perderam e que, justamente por isso, precisam casarse
depressa.
Eu ouvia o que Rose relatava, mas não conseguia acreditar.
Estávamos em pleno ano de 1999 e as pessoas ainda acreditavam nessas
bobagens! Difícil de acreditar. Pedi a ela para que continuasse a falar
sobre o romance da Sra. Greey, porque agora eu também estava
interessado em conhecer um pouco mais esta história.
Rose continuou:
- O Sr. Greey passeou por vários lugares, mas como ele mesmo
contou, ao chegar ao lago (que naquela época era só um lago mesmo,
cercado de mato e muitas árvores), disse a si mesmo que ali seria o
lugar em que ele moraria com o seu grande amor e onde seria muito
feliz. Depois disso, ele voltou ao hotel e pediu ao Sr. Eduardo Coty que
o ajudasse a descobrir quem eram os proprietários dos terrenos que
ficavam em volta do lago ou quem ele deveria procurar para entrar em
contato com essas pessoas a fim de fazer uma oferta de compra. Para
surpresa do Sr. Greey, o proprietário de todos aqueles terrenos era o
dono do hotel, que não tinha o menor interesse em vendê-los, pois ele
pretendia, no futuro, construir naquela área. No entanto, para o Sr. Greey,
ele abriu uma exceção e vendeu por uma boa quantia em dinheiro. O Sr.
Greey resolveu o assunto que o havia trazido até Florentis e foi-se
embora, mas, antes de deixar o hotel, ele disse ao Sr. Eduardo que
quando voltasse seria para ficar. Quinze dias depois, chegou um carro
daqueles antigos com alguns móveis trazendo a mudança do Sr. Greey.
Ele já havia alugado uma sala, na qual funcionaria o seu escritório, e
uma pequena casa, aqui mesmo no centro da cidade. O Sr. Greey era
advogado e contador. Devidamente instalado em Florentis, no dia
seguinte, ele resolveu passear pela feirinha. Uma feirinha que acontece
aqui no final dessa rua. Não sei se você já esteve lá.
- Já estive sim e inclusive conheci a Selena Sara - respondi.
Quando falei isso, notei que a Srta. Karine fez uma cara de quem
não gostou nem um pouco do que acabara de ouvir. Eu, hein! Mulheres!
Rose continuou:
- E foi então, nessa feirinha, que ele conheceu a Sra. Greey. Quem
presenciou esse momento diz que esta foi a cena de amor mais bonita
de toda a história de Florentis - completou a moça.
Eu estava começando a gostar da Sra. Greey, depois de ouvir tantas
histórias a seu respeito, embora ela me deixasse um tanto quanto
intrigado. Eu ouvia atentamente cada palavra que Rose dizia.
- As pessoas que assistiram à cena contam que, ao entrar na
feirinha, de longe o Sr. Greey avistou a Sra. Greey. Ali, no mesmo lugar
que você encontrou a Selena Sara. E dizem que ele foi andando em sua
direção sem tirar os olhos dela; e ela também o olhava fixamente. O Sr.
Greey se aproximou e começou a conversar com a mãe dela sobre as
ervas e as flores, sem tirar por uma só fração de segundo os olhos da
moça. O Sr. Greey perguntou à mãe da Sra. Greey se podia trocar umas
palavras, ali mesmo, com sua filha, deixando a Sra. Greey vermelha,
mas com um grande e luminoso sorriso estampado no rosto. Nossa!
- Rose fala como se tivesse vivido nessa época e assistido à cena,
de tão entusiasmada que estava enquanto contava a história.
- A Selena Solamis, mãe da Sra. Greey, permitiu que os dois
conversassem e ficou só observando o comportamento do Sr. Greey.
Ele, com os olhos brilhantes, olhou para a Sra. Greey e disse: “Quando
pisei em Florentis, senti que ia encontrar o meu grande amor e estou
diante desse amor agora. Você gostaria de namorar comigo?”. Quem
esteve presente neste momento, conta que a Sra. Greey, com os olhos
cheios de lágrimas, respondeu: “Eu sei, já estava a sua espera”. Depois
de ouvir a resposta da jovem, o Sr. Greey perguntou à Selena Solamis se
ela permitia o namoro. Ela consentiu, mas alertou o jovem visitante de
que tudo deveria correr certinho, exatamente como mandava o figurino.
O Sr. Greey afirmou que ela não teria com o que se preocupar, pois
tudo correria certinho e à base de muito respeito. Em seis meses, o Sr.
e a Sra. Greey se casaram, mas ele impôs uma condição a ela… - disse
Rose.
Fiquei curioso em saber e perguntei a Rose que condição era essa?
Rose respondeu-me que o Sr. Greey pediu a esposa para não ir mais
vender ervas na feira.
- Ele disse a ela que teria tudo o que desejasse e que, com todo o
conhecimento que possuía sobre ervas, poderia ajudar as pessoas, mas
não na feira. A Sra. Greey acatou o pedido do marido e eles viveram
muito felizes, até o dia que o Sr. Greey faleceu.
Enquanto eu escutava a história que Rose contava, fiquei me
lembrando de meus pais, que também haviam vivido um grande amor,
apesar do pecadinho que meu pai cometera de ter mantido em segredo
um filho, David, que havia tido com outra moça estando casado com a
minha mãe. E fui invadido por uma pequena onda de nostalgia!
Já era quase uma hora da manhã e eu disse às meninas que ia embora,
pois como eu tinha chegado naquele mesmo dia, estava exausto e louco
para me deitar e descansar. Paguei a conta e saímos todos juntos. Vailery
seguiu para um lado diferente do nosso, sozinha, pois morava bem perto
dali. Srta. Karine e Rose moravam na mesma rua, a duas quadras do
barzinho. Acompanhei as moças até a porta de suas casas. Primeiro,
deixei Rose e depois, a Srta. Karine. Ao me despedir da Srta. Karine,
beijei sua mão e agradeci pela companhia agradável. Ela me puxou e
tascou-me um beijo na boca. Fiquei sem fala! “Que mulher doida!”,
pensei. Correspondi ao beijo e quando a coisa estava esquentando,
Samuel, o taxista, que naquele exato momento passava pela rua, me
viu, buzinou, parou o carro próximo da calçada e falou:
- Sr. Peter, estou indo em direção à pousada. O senhor vai para lá
agora?
Embora estivesse gostando realmente dos beijos calientes de Karine,
algo me dizia que ali eu só encontraria problemas. Disse a Karine que
iria com Samuel e ela ficou uma fera. Ela me perguntou se eu iria procurá-
la de novo. Respondi que talvez, não prometi nada. Despedi-me dela e
segui com Samuel para a pousada.
Quando entrei no carro, Samuel rindo falou:
- Sr. Peter, o senhor não sabe o problema que é essa mulher! Pode
ter certeza de que ela irá procurá-lo na pousada.
- Samuel, eu sei que ela é um problema, mas não lhe prometi nada.
Eu estou aqui sozinho e ela estava, digamos, disponível… - expliquei.
- Se jogando para cima do senhor - comenta Samuel rindo.
- Samuel! Não seja grosseiro! - chamei sua atenção em tom de
brincadeira.
- Sr. Peter, o problema da Srta. Karine é que ela não percebeu
ainda que antes de procurar o melhor cheiro para agarrar seu homem,
ela precisa primeiro mudar sua própria essência.
Olhei para Samuel e disse:
- Não entendi, Samuel, do que você está falando?
- A Srta. Karine recorre a todas as Selenas na busca de fórmulas
mirabolantes para conseguir um casamento, mas até hoje nada aconteceu.
Sabe por quê? Porque não existem fórmulas e nem feitiços para
conquistar um verdadeiro amor, e, sim, é a essência interior de cada
um, neste caso, que conta. E a essência da Srta. Karine precisa evoluir
muito para um dia se tornar a mais agradável de todas as essências.
Lembrei-me de que quando Rose mencionou a Selena Sara, Karine
torceu o nariz. Perguntei a Samuel se ela havia procurado por ela também.
- Sim, ela queria a todo custo uma fórmula para conquistar o
senhor.
- A mim? Mas eu cheguei hoje à cidade, Samuel! - exclamei.
- No finalzinho da tarde, logo depois que o senhor esteve com a
Selena Sara, a Srta. Karine foi procurá-la e quase chegou a implorar
para que ela preparasse um perfume especial que a fizesse conquistá-lo.
Selena Sara disse a ela exatamente o que acabei de lhe comentar.
Olhei espantado para Samuel e perguntei:
- Como sabe que eu estive com a Selena Sara?
Samuel sorriu e respondeu:
- Daniel me contou!
Cheguei à pousada mais intrigado do que nunca. Despedi-me de
Samuel, extremamente desconfiado.
Quando saltei do carro, ele me chamou e falou:
- Sr Peter, se quiser saber mais sobre a história do romance entre
o Sr. e a Sra. Greey visite a casa do lago. A Sra. Greey, em pessoa, lhe
contará mais detalhes… É uma história belíssima! Boa-noite! - despediu-se
o taxista.
Em seguida ele foi embora, deixando-me completamente atônito.
Como ele poderia saber o que Rose havia me contado sobre o romance
do Sr. Greey? Fiquei estressado com as últimas palavras de Samuel,
mas uma coisa eu já sabia: a Sra. Greey desejava falar comigo e, de
alguma forma, dava um jeito de mandar-me um recado.
Subi para o meu quarto, tomei um bom banho e me deitei. Confesso
que ainda estava muito intrigado com todas essas histórias que tinha
acabado de ouvir e com os últimos acontecimentos. Aos poucos fui
caindo no sono até que dormi. Acabei sonhando com minha mãe.

Tags: , ,

Leave a Reply

About

Meu nome é Elaine Paiva, sou escritora e torno público a partir de hoje, o meu livro, “O Segredo da  Sra Greey”.

Espero que gostem. Sejam Bem Vindos!