3º Capítulo
Chegando à pousada, encontrei um menino lourinho e franzino
conversando com um dos funcionários. Ele tinha várias rosas nas mãos e
ao me ver, sorriu e perguntou se eu não queria comprar uma rosa para a
minha namorada. Eu sorri e disse-lhe que estava sozinho e que não tinha
uma namorada. Ele me olhou com uma expressão engraçadinha e falou:
- O senhor está sozinho? Não fique triste, logo irão aparecer muitas
pretendentes! - comentou com um risinho, como se estivesse rindo de
mim.
Eu gostei do jeito do menino e perguntei qual era o seu nome. Ele
me respondeu, de forma curiosa, que se chamava Daniel, da Sra. Greey.
Não podia acreditar! Lá estava a Sra. Greey de novo no meu caminho.
Perguntei ao garoto:
- Você é neto da Sra. Greey?
- Não, senhor, eu vendo as flores e as frutas que a Sra. Greey
cultiva e todos me conhecem como Daniel, da Sra. Greey. Eu sou
uma das poucas pessoas que entra na casa do lago - respondeu o garoto.
- Como assim, uma das poucas pessoas que entra na casa? -
questionei. A Sra. Greey não tem família?
- Tem sim, mas ela brigou com seus filhos há mais de cinco anos
e depois disso nunca mais eles vieram visitá-la. Só entram na casa, eu,
alguns poucos parentes da Vila das Selenas, a Selena Sara, com quem o
senhor conversou na feira, e… - Daniel interrompeu repentinamente a
sua fala e ficou me olhando.
Espantado com o que ele acabara de dizer, perguntei ao menino
como é que ele sabia que eu havia conversado com uma Selena na feira.
- Eu estava na feirinha nessa hora, um pouco atrás do senhor. Vi
quando o senhor parou na barraca da Selena Sara.
Eu fiquei muito curioso com o menino e ele continuava me olhando
de um jeito diferente, como se tivesse falado demais. Depois, Daniel
completou a resposta, a qual havia interrompido subitamente.
- O taxista Samuel também entra na casa. É ele quem leva a Sra.
Greey ao médico uma vez por mês e sempre que ela precisa, Samuel
vem correndo. Para ele, um pedido da Sra. Greey é uma ordem.
Enquanto conversávamos, um dos funcionários da pousada, que
estava por perto, observou que a Sra. Greey estava queimando essências
florais de novo e comentou:
- Essa velha está doida mesmo! Ela está queimando florais de
novo! Será que esqueceu que já os havia queimado hoje pela manhã?
Daniel olhou na direção da casa e disse que ela estava queimando
os florais de novo porque o vento estava forte e levaria o cheiro para
mais distante.
Fiquei por uns segundos olhando para o garoto. Logo em seguida,
despedi-me de Daniel, dizendo a ele que caso precisasse comprar flores,
lhe daria preferência. O garoto me agradeceu, olhou bem dentro dos
meus olhos e falou que se eu quisesse conhecer as flores mais bonitas
da região, que fizesse uma visita à casa da Sra. Greey.
- Talvez, antes de ir embora, eu lhe faça uma visita - respondi.
- Tenho certeza de que irá! - disse o garoto. Depois, sorriu e foise
embora.
Subi para o meu quarto com os pensamentos confusos. Não entendia
porque a cada lugar que eu ia, alguém tocava no nome da Sra. Greey.
Fiquei me questionando se seria assim com todo mundo ou se era só
comigo. Achei muito estranho que Celine não tivesse mencionado o
nome da Sra. Greey, enquanto me contava de sua viagem à cidade, uma
vez que eles ficaram hospedados na mesma pousada que eu.
Eu estava muito cismado e curioso com todos esses pequenos
detalhes do meu primeiro dia em Florentis, mas confesso que fiquei um
pouco estressado, deitei-me na cama para descansar um pouco e acabei
caindo no sono. Acordei por volta das 20h, tomei um banho e fui
conversar com o Sr. Josephe, o gerente da pousada. Ele me contou que
o Sr. Carlos Carmello, dono do estabelecimento era um empresário do
Sudeste do país e que, quando visitou a cidade pela primeira vez, se
apaixonou pelo local. Um dia, passeando pelo lago de manhã, ele viu a
Sra. Greey queimando os florais e percebeu que, naquele momento em
que a velha senhora realizava o seu ritual, outros visitantes da cidade
eram atraídos para perto do lago, como se estivessem sob efeito de
algum encantamento. Isso aconteceu inclusive com ele.
- Essa área da cidade era toda coberta de mato, havia somente
algumas pequenas casas e, entre elas, estava a casa da Sra. Greey. Ele
comprou todo esse terreno e as casinhas pequenas também. Depois
construiu esta pousada. Já estamos funcionando há mais de 10 anos e
somos considerados os melhores em tudo: atendimento, conforto,
alimentação, lazer e recreação para as crianças. Nos últimos dois anos,
logo após a Sra. Greey ter adoecido, o movimento da pousada caiu um
pouco. As famílias, que têm crianças, preferem se instalar em outro
lugar por causa dela.
- Mas qual é o perigo que a Sra. Greey oferece aos hóspedes?
perguntei.
- Não acredito que ela ofereça perigo algum, mas as crianças ficam
com medo porque ela faz coisas muito estranhas e daqui da pousada é
possível ouvir tudo - contou o Sr. Josephe.
- Estranhas como, Sr. Josephe? - perguntei ao gerente.
- Ela ri alto, chora. Ora parece que está abraçando alguém, ora
grita, Parabéns!, Muito bem!, Que lindo!, como se estivesse com
alguém, quando, na verdade, não há ninguém lá, a não ser ela mesma. E
ela fica assim quando a lua está cheia e ilumina todo o lago. Daqui a
dois dias, teremos lua cheia e, se o tempo estiver limpo, o senhor mesmo
poderá ver com seus próprios olhos o que acontece - completou.
Prossegui com a nossa conversa e perguntei ao Sr. Josephe sobre a
família da Sra. Greey. Ele me contou que ela brigou com os filhos, logo
após a morte de seu marido, mas que não sabia qual tinha sido o motivo.
- Dizem que a Selena Sara, o pequeno Daniel e o taxista Samuel
sabem o motivo da briga, mas não o revelam a ninguém - continuou o
gerente.
Quanto mais eu perguntava pela Sra. Greey, mais intrigado eu ficava.
Eu sentia que esse mistério não envolvia nenhuma coisa ruim, mas às
vezes, me dava uma sensação de desconforto.
Resolvi, então, ir até o centro da cidade. Quem sabe se ainda
encontraria a Srta. Karine por lá. - Não estou fazendo nada mesmo, uns
beijinhos não fazem mal a ninguém, pensei. Peguei um táxi cujo
motorista era muito falante. Ele me levou até o barzinho, onde estaria a
Srta. Karine. Paguei a corrida ao motorista e, quando estava saindo do
carro, ele me entregou um cartão de visitas com o seu nome e telefone
e depois disse:
- Meu nome é Samuel. Se o senhor precisar, é só ligar que eu
venho buscá-lo. Um boa-noite!
Fiquei parado no meio da calçada, incrédulo com o que acabara de
escutar. Em um só dia, eu tinha estado com as três pessoas mais chegadas
e que freqüentavam a casa da Sra. Greey. Ainda atordoado, segui para o
barzinho. A Srta. Karine ainda estava lá e, quando me viu, abriu o maior
sorriso. Aproximei-me dela, ela me apresentou a suas amigas e depois
ficamos todos conversando.
Aguarde até amanhã para o próximo capítulo de O Segredo Da Sra Greey
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ISBN - 85-7640-063-4
Tags: Elaine Paiva, Livros, O Segredo da Sra Greey
Meu nome é Elaine Paiva, sou escritora e torno público a partir de hoje, o meu livro, “O Segredo da Sra Greey”.
Espero que gostem. Sejam Bem Vindos!